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VACINA COVID-19 | Falta de vacina contra a Covid em SP demonstra demagogia de Doria na condução da pandemia

A falta de doses de vacina contra a Covid-19 em SP nesta semana, torna mais claro a demagogia de Doria em aparecer como oposição ao negacionismo de Bolsonaro e como salvador da pátria com plano audaz de vacinação que não consegue garantir. Sua condução da pandemia é, por sua vez, marcada por seguir os interesses dos patrões, mantendo a economia aberta nos momentos mais críticos e obrigando professores retornarem presencialmente às escolas na fase vermelha.

Lara ZaramellaEstudante | Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo

sexta-feira 25 de junho | Edição do dia

Imagem: Divulgação/Governo de São Paulo

No início desta semana houve falta de vacina contra a Covid-19 em mais de 60% dos postos de saúde da cidade de São Paulo, fazendo com que o plano fosse suspenso e adiado em alguns dias. Ainda que prontamente tenham buscado abastecer de novas doses da vacina para retomar o plano de imunização, novamente no dia de ontem, 24, mais de 100 postos estavam com problemas e falta de vacinas.

Ninguém querendo assumir a responsabilidade, a prefeitura de Ricardo Nunes (MDB) declarou ser um problema da gestão estadual que sabia da necessidade de novo lote de vacina para a capital paulista. Enquanto isso, o secretário estadual da Saúde Jean Gorinchteyn e o governador João Doria (PSDB), declararam que a distribuição interna não lhes corresponde, alegando, por sua vez, que a falta de vacinas para novos lotes tem a ver com o atraso na entrega, responsabilidade do Ministério da Saúde e governo federal de Bolsonaro.

Não só beira o ridículo esse jogo de empurra entre governo municipal, estadual e federal, em que ninguém quer assumir a responsabilidade da falta de vacinas; como também cai o pano e fica evidente a demagogia de Doria, de se fazer oposição ao Bolsonaro, apresentando um plano audaz de vacinação, embarcando numa verdadeira corrida da vacina, com claros objetivos políticos, rumo às eleições de 2022, e econômicos para retornar o quanto antes todas as atividades no estado. Mas que sequer consegue garantir que o cronograma anunciado e a vacinação de fato ocorram.

Se lançando como salvador da pátria por ter adiantado a vacinação dos professores do Estado de SP na semana retrasada, Doria carrega um discurso de oposição ao negacionismo de Bolsonaro que nega compra de vacinas, entretanto, é o mesmo governador tucano que, desde o início da pandemia, sempre esteve à mercê dos interesses dos empresários, reabrindo a economia nos momentos mais críticos, obrigando os professores a retornarem presencialmente de forma insegura, em plena fase vermelha em 2021, e defendendo a privatização do instituto Butantan.

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Já são mais de meio milhão de mortes, com o Brasil voltando a ser o país com mais mortes diárias pela Covid no panorama internacional. Que a condução da pandemia pelo governo federal de Bolsonaro sempre foi catastrófica, negacionista e assassina, não temos dúvida. Mas todo o discurso dos governadores é extremamente demagógico, quando vemos a real situação dos estados em relação a contaminação, mortes e os planos para responder a pandemia e para a vacinação.

Diante disso, fica claro que os governadores não são aliados nossos na luta por vacinação, para superar a pandemia e contra Bolsonaro. Da mesma forma, não devemos ter nenhuma confiança no Congresso, no STF e na CPI da Covid que com todo seu teatro pretende ir desgastando Bolsonaro para a saída institucional do impeachment. Não podemos aceitar uma eventual saída de Bolsonaro e que Mourão, um militar racista saudosista da ditadura, fique e assuma a presidência.

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Nossas forças e confiança não podem se apoiar em saídas institucionais, quando vemos que tais instituições e todos os atores e pilares deste regime político, desde antes da própria pandemia, só atendem os interesses dos patrões e capitalistas, aprovando medidas, reformas e ajustes que só descarregam a crise sobre nossas costas.

É urgente impor um plano de vacinação para todos, defendendo a quebra das patentes sem indenização às empresas que lucram bilhões em cima de nossas mortes. Precisamos levantar um programa independente e dos trabalhadores de combate à crise sanitária. É urgente também que as centrais sindicais organizem uma forte campanha nacional pela quebra das patentes, em dias de luta unificados com a juventude e população no geral que nos dias 29M e 19J saíram às ruas demonstrando indignação com Bolsonaro, chamando uma forte paralisação nacional.




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