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Faculdade de Educação da Unicamp aprova parceria com empresa privada

Na última quarta-feira (16) a Congregação da FE- Unicamp votou favorável à entrada do Instituto Iungo na faculdade.

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quinta-feira 17 de dezembro de 2020| Edição do dia

Foto: Faculdade de Educação - Divulgação SIARQ Unicamp

Não é a primeira vez que tentativas de parcerias como essa acontecem, e agora, com as portascada vez mais abertas ao setor privado, provavelmente não será a última. A tarefa dos estudantes e de todos aqueles que defendem a educação pública é lutar até o fim contra esse tipo de vínculo.

Pela terceira vez em dois anos a Faculdade de Educação da Unicamp é alvo de interesse de grandes empresas privadas. Em 2019 foi barrado o convênio da faculdade com o Instituto Unibanco (IU) através do Projeto Jovens de Futuro, sendo esta parceria amplamente rechaçada por professores e pelo conjunto dos estudantes. Em 2020, durante a pandemia da Covid-19, o projeto voltou a tramitar na Congregação da faculdade gerando forte mobilização dos estudantes, que mesmo de quarentena, conseguiram se organizar. Nós da Juventude Faísca éramos parte da representação discente na congregação e junto com o GT de privatizações, o conjunto dos estudantes e diversos professores, lutamos em nome da educação pública para barrar novamente o projeto.

Desta vez a proposta de parceria foi lançada na surdina. Nós estudantes fomos pegos de surpresa, tendo pouco tempo para nos organizar contra a mais nova investida privada na educação. Sem reuniões e discussões previas, a parceria foi debatida na reunião extraordinária da Congregação, no dia 16 de dezembro, e com 15 votos favoráveis e 12 contrários, o projeto foi aprovado. É um absurdo que em meio ao governo Bolsonaro, com um avanço da extrema direita e da direita privatista contra a educação, a saúde e a ciência, a Faculdade de Educação da Unicamp abra suas portas para o setor privado. Nós da Juventude Faísca manifestamos nosso total repúdio em relação à essa posição.

A empresa que irá se beneficiar do nome da Unicamp e da Faculdade de Educação é o Instituto Iungo, que é mantido pelo Instituto MRV e pela construtora MRV, que está envolvida em diversas denúncias de trabalho escravo, atua fortemente no mercado da especulação imobiliária, além de submeter a população mais pobre à dívidas exorbitantes em troca de habitações precárias construídas, muitas vezes, em locais impróprios e de alto risco.

A parceria que será instituída pelo programa “Parceiros da Unicamp” se baseia em investir R$50 mil na produção de materiais audiovisuais como podcasts, ebook, animações, jogos educativos etc. sobre educação inclusiva e práticas escolares inclusivas. Os materiais elaborados serão disponibilizados para acesso público gratuito (não comercial), durante 5 anos. Em contra partida o nome da universidade e da faculdade serão colocados no site da empresa e o nome do instituto será divulgado no site da Unicamp, na página dos "Parceiros da Unicamp", e em eventos da universidade.

O Instituto Iungo é uma empresa voltada para a educação, que busca se apoiar em parcerias com diversas universidades e instituições de ensino superior e assim, adquirir credibilidade e visibilidade para influir no processo educacional das escolas, fornecendo materiais pedagógicos, planos de aula, dicas metodológicas, videoaulas, além de ter propostas de formação continuada para professores, também atuar nos ramos de pesquisas educacionais. Dessa forma a empresa cumpre o objetivo de moldar a educação de acordo com seus interesses, os interesses dos empresários, dos capitalistas, que são antagônicos aos interesses da juventude e da classe trabalhadora.

Através do programa “Projeto de Vida” o instituto dialoga diretamente com a reforma do ensino médio aprovada pelo golpista Michel Temer, que foi imposta com o intuito de precarizar a formação da juventude e normalizar na educação básica esses interesses capitalistas. Isso se plasma em um currículo achatado e aligeirado, totalmente voltado para o mercado de trabalho precarizado, que aprofunda ainda mais a inserção da lógica empresarial de gestão e a meritocracia, focada em habilidades socioemocionais que atendem aos interesses do mercado e do capitalismo em crise. Essas transformações na formação da juventude visam adequar a educação à lógica do novo normal das relações de trabalho, o “trabalho sob demanda” ou “trabalho uberizado”.

A Unicamp vem mostrando no último período, principalmente na gestão Knobel, que aprovou os fundos patrimoniais e a pós graduação lato sensu paga, grande feição pelas parcerias público-privadas; se apoiando no discurso da crise econômica, ataca os estudantes e trabalhadores e abre as portas da universidade para os grandes empresários. Devemos exigir a abertura do livro de contas da universidade. Precisamos organizar o conjunto dos estudantes, em diálogo com todas as universidades do país para lutar contra a privatização da educação e da ciência, entendendo que não é dessa forma que iremos combater a crise econômica que avança sobre a classe trabalhadora e a juventude. Batalhamos por uma universidade que esteja a serviço do povo pobre e dos trabalhadores e não dos interesses dos empresários e do capital financeiro.




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