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REABERTURA DAS ESCOLAS | Faço estágio numa escola, não recebo EPI e ganho só 500 reais, diz estudante da FEUSP

Em relatos, estagiárias e professoras que atuam na Educação Básica da rede pública e privada escancaram a realidade das escolas que foram irracionalmente abertas durante a pior fase da pandemia, marcada por recordes diários de mortes. Frente a isso, essas educadoras declaram seu apoio à greve das professoras de SP e convocam a todos para Plenária Nacional do grupo Internacional de Mulheres Pão e Rosas que acontecerá neste dia 06 de março, às 16h30, online.

sábado 6 de março | Edição do dia

Mesmo com os recentes dados e recordes de mortes que apontam o agravamento da pandemia, a abertura insegura das escolas segue, colocando diariamente em risco a vida de educadores e estudantes e principalmente das mulheres, que compõem a maioria dos profissionais na educação básica. Usando um discurso demagógico que afirma estar em defesa do direito à educação, sendo que nunca esteve, Doria decretou fase vermelha em todo o estado durante coletiva de imprensa, mas decidiu pela manutenção do funcionamento das escolas, determinando que agora a educação, serviço que nunca foi essencial a ponto de receber recursos, é essencial e deve ser mantido mesmo com as unidades de ensino carecendo que condições mínimas para seu funcionamento desde antes da pandemia.

Os efeitos da falta de condições mínimas para o funcionamento das escolas, sobretudo em meio a pandemia, refletem diretamente na vida dos profissionais da educação, dos estudantes e de todo resto da comunidade escolar. Como se não bastasse o descaso do governo federal e estadual com a pandemia, que nunca ofereceram testes massivos ou o direito a um isolamento racional e remunerado, estagiários e professores agora se deparam com cenários absurdos na escola.

A falta de equipamentos de proteção individual e de produtos de limpeza, ligam-se com um número elevado de estudantes por sala, impossibilitando qualquer forma de distanciamento. Todos esses elementos expressam um aprofundamento da precarização do trabalho dos docentes, que estão ainda mais sobrecarregados desde o começo da pandemia, seja pelas demandas do formato excludente do ensino remoto, seja pelo retorno inseguro das atividades escolares, que exige ainda mais do professor que se vê tendo que ser o principal implementador de medidas sanitárias em classe.

Conforme os depoimentos de trabalhadoras da educação, o medo e a insegurança se tornaram rotina para os educadores. Em declarações anônimas enviadas ao Esquerda Diário e em depoimentos compartilhados nas redes sociais, estagiárias e professoras exibem a realidade que João Doria e seu secretário da Educação, Rossieli, buscam esconder.

Em um dos relatos, uma estudante do curso de pedagogia da USP disse que desde que começou a estagiar não foi oferecido qualquer equipamento de segurança sanitária na escola particular que trabalha, localizada em um bairro nobre de São Paulo. “Minha chefe me colocou em uma função que a princípio eu não deveria cumprir, pelo menos de acordo com a abordagem que eles dizem seguir. Me peguei tendo que fazer mais de 10 trocas de fralda por dia, sem direito a luvas ou avental. Estranhei muito e quando pesquisei e vi que o contato com fezes pode ser um meio grande de contaminação, me assustei ainda mais”.

Outra aluna da área da Educação, que estagia na região de Osasco, relata uma situação ainda mais grave que ilustra o futuro que se reserva à juventude e às mulheres: “Não recebo EPI e ganho só 500 reais.”, diz a aluna que complementa: “ou é isso, ou é desemprego. Fiquei meses procurando um trabalho e não posso abrir mão desse, por pior que ele seja”. Esse e outros relatos demonstram o quanto as funcionária da educação são sobrecarregadas de trabalho, sendo obrigadas a exercer atividades que muitas vezes não fazem parte de seus cargos, tudo isso devido às vontades de seus patrões, que se importam apenas em manter seus patrimônios e aumentar seus lucros, sem priorizar a vida e a saúde das trabalhadoras.

As mulheres têm sido as mais afetadas pela crise econômica, sanitária e social que está em curso. Com o cenário atual, fica evidente a impossibilidade de se pensar no fim do patriarcado sem ter como condição o fim do capitalismo, pois enquanto o dinheiro for mais valioso do que a vida das milhões de mulheres trabalhadoras, não há como garantir seus direitos mais básicos, como o direito ao aborto; o acesso a contraceptivos; e muito menos colocar um fim ao machismo impregnado em nossa sociedade. Precisamos lutar para que nossos corpos não sejam mais usados como publicidade para produtos dos burgueses, não sejam mais vistos como objetos descartáveis, que nossa intelectualidade não seja mais questionada e nossas capacidades não sejam mais subestimadas. É preciso destruir tudo o que nos oprime e nos priva de liberdade.

Esta realidade nos lembra da importância da luta das mulheres para que não comercializem nossos direitos e nossa busca por um sistema livre dessas opressões, que hoje reservam para as mulheres negras os postos mais precários de trabalho e as obrigam a enfrentar duplas jornadas com a exploração do serviço doméstico socialmente necessário. Os relatos das educadoras deixam explícito que a busca por um Feminismo Socialista, construído por milhares de mulheres, se faz cada vez mais urgente, principalmente no marco de um genocídio que é arquitetado por todo o regime do Golpe e joga suas mazelas e misérias em corpos femininos, negros e pobres.

Todo apoio à greve das educadoras de São Paulo. Não ao projeto de abertura das escolas de Bolsonaro, Doria e Rossieli!

Diante da explosão de casos de COVID-19, Doria e Rossieli optaram pela continuidade da reabertura das escolas para satisfazer o desejo dos empresários. A política deles está em consonância com a de Bolsonaro, que desde o começo da pandemia se coloca favorável à reabertura das unidades de ensino sem garantir qualquer política sanitária.

Por conta da reabertura, o governo federal colocou os educadores como grupo prioritário para a vacinação. O que em um primeiro momento parece ser positivo, mas carrega consigo o fato de não existir vacina mesmo para aqueles que compõem esse grupo e que estão à frente do combate a pandemia, como ficou evidente com os profissionais da saúde que precisaram realizar mobilizações pela garantia das vacinas.

Nesse sentido, é fundamental o apoio à greve das professoras de São Paulo contra a continuidade da abertura das escolas, uma mobilização que deve estar articulada contra todos aqueles que precarizam a Educação, como Bolsonaro, Mourão e os militares, o senado que aprovou em 1º turno a PEC emergencial. PEC essa que vai deteriorar os serviços públicos para o pagamento do auxílio incompatível com a realidade dos brasileiros. Além do senado , o STF e a câmara dos deputados também são inimigos do trabalhadores. Todos esses querem despejar a crise nas costas dos trabalhadores, principalmente das mulheres, como fica evidente com os depoimentos acima.

Essa luta dos educadores precisa ser contra todo esse regime, por uma Assembleia Constituinte que seja imposta pela luta; pelo fechamento de serviços não-essenciais; pela garantia do isolamento remunerado; pela proibição das demissões; por testes massivos e por um plano universal de vacinação pela quebra de patentes. Basta de mulheres mortas pela pandemia!

Uma outra perspectiva para nós, mulheres

Para debater uma saída concreta para todos esses problemas, nós do grupo de mulheres Pão e Rosas convidamos todos a construírem a Plenária virtual para debater sobre o Feminismo Socialista, que se contrapõe ao feminismo liberal, uma farsa contada pelos capitalistas para cooptar nossa luta. Somente a força revolucionária de milhares de mulheres unidas com a classe operária é capaz de colocar esse sistema em ruínas.

A luta das professoras de São Paulo, e tantas outras lutas nas quais as mulheres estiveram à frente, nos mostram o caminho contra a pandemia e o atual regime político reacionário que vivemos. É justamente nesse histórico de luta que a batalha por outra sociedade pode se apoiar.

Frente a isso, convidamos todos para a Plenária Aberta de Mulheres do Pão e Rosas que acontecerá neste sábado, 06/03, às 16h30. Para mais informações, confira este evento aqui.




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