Economia

Facebook é alvo de processos por monopólio: pode ter que se desprender do Instagram e WhatsApp

A Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos e 48 fiscais acusam a companhia de não permitir a livre concorrência. Não seria a primeira vez que uma empresa norte-americana fosse obrigada a se dividir.

quinta-feira 10 de dezembro de 2020| Edição do dia

A Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos (FTC, em suas siglas em inglês) e um grupo de fiscais de 48 dos 50 estados do país apresentaram nesta quarta-feira uma demanda contra o Facebook por concorrência “ilegal”. Segundo a demanda, a tecnologia que Mark Zuckerberg dirige, está há anos mantendo seu “monopólio” no setor das redes sociais mediante condutas empresariais que atentam contra o livre exercício da concorrência.

A fiscal geral do estado de Nova York, Letitia James, que encabeça a ação, apresentou os motivos da demanda. Acusam o Facebook de adquirir de forma ilegal competidores como o Instagram ou o WhatsApp, privando os consumidores dos supostos benefícios e vantagens de um mercado competitivo e com maiores garantias de proteção da privacidade. Justamente a proteção dos dados dos usuários se encontra na mira desde que o Facebook recebeu uma multa de 5 bilhões de dólares em 2019 pela fuga de dados do “caso Cambridge Analytica”.

A empresa de Zuckerberg comprou o Instagram em 2012 por 1 bilhão de dólares e o sistema de mensagens WhatsApp dois anos depois por 1,9 bilhão. A crescente popularidade das duas redes sociais contribuíram a apontar o monopólio.

A demanda se dá em um contexto de investigações contra os gigantes tecnológicos. Alguns meses atrás o Comitê de Segurança da Câmara de Representantes dos Estados Unidos convocou as grandes companhias tecnológicas acusadas de incorrer em práticas monopolistas. Facebook, Google, Amazon e Apple ficaram na mira por sua posição de predomínio no comércio, na eletrônica, nas redes sociais, nas ferramentas de pesquisa e na publicidade na internet.

Em conjunto, as quatro companhias somam um valor de 5 bilhões de dólares. Por conta da pandemia e da maior utilização das plataformas de venda online, as ações da Amazon não param de crescer. Jeff Bezos, seu dono, é o homem mais rico do planeta, somente neste ano aumentou sua fortuna em 47 bilhões de dólares, totalizando 189,3 bilhões.

Informes recentes asseguram que a Amazon teria utilizado dados de empresas que vendiam em seu local para fixar a política de preços para seus próprios produtos. Mas essas práticas monopolistas não são excepcionais, atuam como um denominador comum dentro do capitalismo, em que as empresas que concentram grandes capitais constantemente compram as menores e aproveitam as crises para absorvê-las, realizar fusões ou diretamente provocar sua quebra com o objetivo de aumentar suas margens de lucro.

As acusações demagógicas do Congresso como setores do poder Judiciário às empresas tecnológicas multimilionárias, não impediu que, no início da crise econômica que começou depois da pandemia, fosse acordado um resgate multimilionário que buscou beneficiar tais empresas, enquanto milhões caíam no desemprego sofrendo as piores consequências da crise.




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