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Abaixo o marco temporal! | "Façamos como os indígenas!" Depoimento de uma estudante da UNB no acampamento contra o Marco Temporal

Depoimento de Luiza Eineck, estudante de Serviço Social na UnB e da Juventude Faísca.

Luiza EineckEstudante de Serviço Social na UnB

quinta-feira 26 de agosto | Edição do dia

Saiba mais: 5 pontos para entender o histórico acampamento indígena em Brasília

Desde as primeiras horas do dia em que cheguei, uma coisa me chamou bastante a atenção:

"Como que pode? Um acampamento dessa magnitude, centenas de barracas, mais de 10 mil indígenas... E não se fala nada na mídia, a maioria das organizações de esquerda também não estão falando nada... Quantos dos meus colegas da UNB sabem que essa experiência histórica está acontecendo bem debaixo do nosso nariz?", pensava eu com meus botões e conversando com meus camaradas da Faísca.

Isso tudo bem em frente aos prédios das principais instituições políticas do país. A cena é marcante, inimigos frente a frente, preparados, dispostos, com uma energia que parece não ter fim. Com uma diferença: um dos oponentes se escondem por detrás das paredes do STF protegidos, como sempre, por capangas.

Até parece que essa cena nunca mudou, né. Há centenas de anos os indígenas também resistiam bravamente, como verdadeiros guerreiros, contra os bandeirantes, os capangas capachos da classe dominante.

E novamente os ruralistas, garimpeiros, o agronegócio, os capitalistas e seus representantes querem arrancar o sangue dos indígenas para saciar sua sede de lucros. Querem arrancar dos povos originários sua fonte de trabalho, de sobrevivência e aquilo que carrega a parte de suas tradições e cultura: a terra.

O que antes só sabíamos pelos escassos exemplos nos livros da escola, agora saltam nossos olhos.

Brasília não dorme mais, de dia a noite os cantos ecoam entre os prédios dos ministérios. O concreto e asfalto de Brasília não é ocupado somente pelos carros, agora eles sentem o peso dos pés indígenas que não param de dançar um só minuto. Bem nos pés do Teatro Nacional vemos uma peça monumental: 10 mil pessoas, mais de 100 diferentes povos, que saíram de infindáveis lugares Brasil afora cantando, dançando, falando e guerreando, unidos.

Sim, é histórico. É uma resistência histórica à altura de um ataque também histórico. E enquanto uma estudante de um dos principais centros de produção científica do país, a Universidade de Brasília, passa na minha mente quase um mantra:

Os povos indígenas mostram o caminho!
Façamos como os indígenas!
Façamos como os indígenas!
Façamos como os indígenas!

Sentimos na pele, principalmente e primeiramente os estudantes mais pobres, negrxs, lgbts, o peso da precarização do ensino e dos ataques. Agora mesmo está tramitando a MP1045, que aprofunda a Reforma Trabalhista. Se nossa juventude já não consegue furar o filtro desgraçado que é o vestibular, agora mais do que nunca é trabalhar ou morrer.

Aqui, dia a dia no acampamento com os povos indígenas, os "parentes", fica mais claro que os nossos inimigos são o mesmo: o Estado têm as mãos manchadas de sangue de milhões de jovens como Daiane, mais uma jovem indígena do povo Kaingang, assassinada e encontrada mutilada.

Bolsonaro, o Congresso, o STF, todos eles jogam pra debaixo do tapete, dão uma trégua nas diferenças, para emergir com toda a força contra a classe trabalhadora, o povo pobre e oprimido. Incitam o assassinato esquemático dos indígenas e promovem a fome, o desemprego e o desespero da juventude.

Mas, para todos os estudantes que estão lendo essas linhas que escrevo, que fique marcada uma coisa: os de cima temem a potência que os de baixo têm de se organizar. Eles temem que a força desses indígenas se torne uma faísca para a explosão da classe trabalhadora e de nós, da juventude, contra todos aqueles que cortam a nossa carne.

Por aqui vou seguir lado a lado com os povos indígenas e, junto com a Faísca e o Esquerda Diário, chamamos todos a entoar em coro com eles:

"Vamos cantar, balançar o cachimbó. Quero ver o Bolsonaro amarrado no cipó"

Não só Bolsonaro, mas todas as instituições do capitalismo que sustentam a nossa miséria.

Os povos indígenas mostram o caminho!
Façamos como os indígenas!
Façamos como os indígenas!
Façamos como os indígenas!

Leia também: O DCE da UnB precisa convocar todes estudantes ao ato dos indígenas amanhã as 14h




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