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FUVEST elitista cobra R$182 na inscrição. Pelo fim do vestibular!

O vestibular Fuvest abriu inscrições nessa segunda-feira, 31, para o processo seletivo de 2021 de universidades como a USP, que vai, pela primeira vez, destinar metade das vagas para estudantes de escolas públicas. Mas, com a taxa a R$182 se torna difícil até mesmo se inscrever no vestibular.

terça-feira 1º de setembro| Edição do dia

Todos os anos milhares de jovens, sobretudo negros e pobres, se frustram com o vestibular. São meses e até anos de dedicação para fazerem provas e não serem aprovados em instituições de ensino superior. Mas, esse ano, a própria inscrição para o processo antecipa a frustração. A Fuvest abriu hoje seu processo seletivo, com uma taxa de 182 reais, que representa 30,3% do valor do auxílio emergencial. As inscrições vão até 23 de Outubro, e a primeira fase acontece em 10 de janeiro.

As universidades mais elitistas do país – as estaduais paulistas, que foram as últimas a aprovar cotas raciais – usam a Fuvest como um processo seletivo para ingresso. A USP pela primeira vez vai destinar 50% das vagas para cotistas que sempre estudaram em escola pública, o que em outras universidades já acontece há alguns anos. Isso é um avanço, ainda que não chegue a ser nem mesmo o mínimo, já que, não só a USP mas nenhuma universidade do país tem cotas proporcionais à quantidade de negros e indígenas de cada Estado.

Mas a própria existência do vestibular impõe limites para qualquer avanço que a ampliação de cotas significa. A isenção da taxa para alguns estudantes permite que mais pobres possam fazer a prova, mas isso não muda estruturalmente o que significa a existência do de um processo seletivo mercantilista, excludente, elitista e racista para o ingresso nas universidades. É preciso impor o fim do vestibular, para que qualquer pessoa que queira cursar uma graduação possa fazê-lo. Junto a isso, a estatização sem indenização das universidades privadas e a disponibilização de todas as suas vagas de forma pública iria ampliar radicalmente o acesso ao ensino superior.

A pandemia mostrou a importância das universidades, mas mostrou também que seu potencial é subvalorizado pela falta de verbas e outras formas de fomento. O orçamento das universidades para 2021 recém sofreu um corte astronômico, e, desde já, trabalhadoras terceirizadas já pagam essa conta com a perda de seus empregos e renda.

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A PEC do teto de gastos, aprovada pelo golpista Michel Temer, está suspensa durante a pandemia mas não foi revogada. Junto à Lei de Responsabilidade Fiscal essa PEC auxilia na drenagem da economia brasileira, retirando drasticamente verba dos serviços públicos, para seguir o pagamento da dívida pública. Essa “dívida”, que é um mecanismo de submissão do Brasil ao imperialismo, não deveria seguir sendo paga enquanto não se investe na formação de mais médicos, cientistas, enfermeiras, professoras... inúmeros profissionais que podem usar seu conhecimento a serviço de resolver problemas tão graves como o que todo o mundo atravessa hoje.

Por universidades a serviço dos trabalhadores e do povo, sem terceirização e sem vestibular!




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