RACISMO

FARM: sede de lucro das empresas não respeita nem nossos mortos

A fome de lucro das empresas não tem fim. FARM, empresa de roupas, empregadora da jovem Kathlen, tenta se aproveitar da comoção nas redes frente a brutal morte da vendedora para lucrar.

quinta-feira 10 de junho| Edição do dia

A morte de Kathlen Romeo, uma jovem de 24 anos, grávida de 4 meses, durante um operação policial ilegal, em Lins de Vasconcelos Zona Norte do Rio, tem gerado muita revolta e comoção nas redes sociais e fora dela. Poucas horas após a confirmação de sua morte, moradores da favela onde a vítima morava, que a conheciam, fizeram protestos que interditaram por horas uma importante Estrada da Cidade, Grajaú- Jacarepaguá.

A comoção diante da brutalidade de mais uma vida de uma jovem negra , morta pelas mãos da polícia, não passou desapercebida pela empresa FARM RIO, empregadora da jovem, que rapidamente lançou em suas redes sociais um código promocional para a moça falecida, que dizia que a comissão referente a todas a vendas seriam revertidas em prol da família da vítima.

Na mesma postagem também se coloca em “apoio a luta” contra a morte dos negros e negras pela violência policial, defendendo seu comprometimento com equidade racial e inclusão social como forma de combate ”as cruéis estatísticas que levam vidas jovens negras como de Kath a cada 23 minutos no nosso país”.

Contudo, a atitude da empresa, não foi bem vista. E diante da repercussão negativa que gerou nas redes sócias, a FARM tirou do ar o código e se desculpou publicamente na sua página do Instagram com a seguinte frase: “Erramos”.

A atitude da FARM, não é isolada e tem se popularizado entre as empresas, para se demonstrarem sensíveis a pautas tão importantes, mas também para deslocar a efervescência dos debates das opressões que tem tomado as redes sociais e principalmente as ruas no último período.

São inúmeras empresas que tentam parecer sensibilizadas com a pauta racial, de gênero e LGBTQIA+, quando na verdade o que está em jogo é se localizar para poder lucrar mais.

Desta vez, o tiro saiu pela culatra, pois nem a demagogia da empresa em se colocar como aliada na luta pela a garantia da vida da juventude negra, sem fazer nenhuma critica a violência policial, é claro, como se a morte da jovem Katlhen pudesse ser evitada somente com oportunidade de "inclusão e equidade racial" pode encobrir o objetivo de lucrar com a dor de mais uma família devastada pelo estado.

Não podemos nos enganar, o engajamento social das empresas, com discursos mais humanos, antirracistas e conscientes , encobrem novos mecanismos de uma velha engrenagem: a manutenção de lucro na sociedade de classes que vivemos. Por isso a luta por Justiça a Kathlen não virá das mãos do Estado e muito menos de empresas como a FARM Rio.




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