FAMÍLIA BOLSONARO

Ex-mulher de Bolsonaro pagou apenas 35% do valor estimado em imóvel

A ação, que não é ilegal em si, é comum em práticas de lavagem de dinheiro, e alvo de suspeita em pessoas que têm histórico criminoso. Ana Cristina é investigada desde o ano passado.

terça-feira 6 de outubro| Edição do dia

Foto: Reprodução/Redes

Ana Cristina Siqueira Valle, ex-mulher de Bolsonaro, comprou no ano passado um apartamento pagando 35% do valor do imóvel, segundo avaliação do município. Em vez de desembolsar o R$ 1,2 milhão estipulado pela prefeitura para cálculo do Imposto de Transmissão sobre Bens Intervivos (ITBI) na transação, pagou R$ 420 mil. A ação, que não é ilegal em si, é comum em práticas de lavagem de dinheiro, e alvo de suspeita em pessoas que têm histórico criminoso. Ana Cristina é investigada desde o ano passado.

A transação ocorreu quando alguns familiares de Ana Cristina já estavam sendo investigados por peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Esses familiares supostamente recebiam sem trabalhar no antigo gabinete de Flávio Bolsonaro, e repassavam a maior parte de seus salários ao então deputado estadual.
Ana Cristina atuava como chefe do gabinete do vereador Carlos Bolsonaro, cargo que ocupou por nove anos, e foi alvo de investigação pelo Ministério Público do Rio no mesmo mês em que realizou a compra do imóvel.

Na compra do imóvel, que fica situado na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, Ana Cristina teria economizado cerca de 64,8% do valor. Os antigos proprietários do apartamento não responderam a tentativas de contato pelas redes sociais.
Com as quebras de sigilos bancário e fiscal, o MP constatou que os parentes de Ana Cristina sacaram 84% dos rendimentos no período em que estiveram lotados no gabinete de Flávio na Alerj. Promotores suspeitam que o esquema de recolhimento de salários era coordenado por Fabrício Queiroz, que cumpre em casa prisão preventiva, com a mulher, Márcia Aguiar, também presa.

Já são muitas as investigações dentro da família Bolsonaro como sistemas de rachadinhas e lavagem de dinheiro, entretanto nenhuma delas foi levada até o fim. Essa manobra do poder judiciário busca mais um enfraquecimento e limitação do clã Bolsonaro do que justiça pelos crimes cometidos. Além de casos como esse, são recorrentes notícias que fazem ligação da família com milícias, como na morte de Marielle, e de esquema de Fake News, principalmente das eleições manipuladas de 2018.
Apesar de todas as denúncias, nas últimas semanas fica evidenciada uma trégua entre o Executivo e o Judiciário, expressada no abraço de Bolsonaro e Toffoli, que vem para fortalecer os ataques à classe trabalhadora e facilitar a passagem da Reforma Administrativa.




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