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CORONAVÍRUS

Europa endurece a repressão como única receita contra o avanço da pandemia

Faltam poucas semanas para que se cumpra um ano da data oficial da chegada da Covid-19 na Europa. Durante esse ano a União Europeia buscou políticas para frear a pandemia, uma liquidez sem precedentes que deixa uma fatura difícil de ser paga e o aumento de medidas repressivas contra a população, especialmente contra a classe trabalhadora.

quinta-feira 28 de janeiro| Edição do dia

“A maior parte da Europa endurece as medidas”, “a Europa avança em medidas de controle mais restritas” ou “a Europa se prepara para endurecer as condições de viagem entre países”, são só algumas das manchetes que podem ser encontradas nos diários e jornais de toda a Europa.

A maioria dos países da União Europeia (UE) começaram ou estão começando durante estes dias, medidas de controle mais severas para tentar frear o avanço descontrolado da terceira onda da Covid-19. Essas medidas restritivas, somadas à liquidez sem precedentes do Banco Central Europeu, foi o ABC da UE para lutar contra a Covid-19.

A Europa do capital encontrou seu particular equilíbrio entre a saúde e a economia: restringir a vida social, o ócio e o contato da população, exceto, claramente, para sair para trabalhar e preservar os interesses capitalistas. Poderíamos dizer que esperar outra resposta dos estados capitalistas da UE teria sido completamente utópico.

Com esse plano os governos de diferente signo dos Estados membros, vão adotando cada vez medidas mais similares, centradas no controle e na responsabilização individual. Desde os governos “socialistas” e “progressistas” de Portugal e do Estado Espanhol, até os executivos da direita europeia como Macron e Merkel, avançam na mesma direção.

Portugal foi um dos últimos países a aplicar medidas mais duras e é o que se encontra atualmente encabeçando o ranking de países com maior incidência acumulada da UE (1.484 casos por 100 mil habitantes). No dia 15 de janeiro se decretou um confinamento domiciliar. Esta medida, ampliada como mínimo até o dia 30 de janeiro, implica que somente é permitido sair de casa para adquirir bens e serviços essenciais, para trabalhar, para ir à escola, mobilidade por motivos de saúde ou para encontrar pessoas vulneráveis.

O segundo país neste triste ranking é a República Tcheca, que suspendeu qualquer ato público e foi estabelecido um toque de recolher desde às 21 horas da noite.
Grandes potências europeias como o Reino Unido ou a Itália não ficam atrás nas restrições. O país presidido por Boris Johnson mantém um confinamento domiciliar desde o dia 4 de janeiro, sendo assim um dos primeiros países que antecipou esta medida em 2021, produto essencialmente da descoberta de uma nova cepa considerada, em primeira instância, muito mais contagiosa do que a sofrida até o momento.

A Itália, por sua vez, se encontra em um período de afrouxamento das medidas, mas impôs a mais dura durante as datas de festas de fim de ano. Durante os dias 24, 25, 26, 27 e 31 de dezembro e durante 1, 2, 3, 5 e 6 de janeiro, se impôs um confinamento domiciliar.

Os Países Baixos saltaram na imprensa nestes últimos dias por conta das manifestações contra as medidas do Governo. O executivo implementou um confinamento do dia 14 de dezembro e que se estenderá, como mínimo, até dia 9 de fevereiro. Essa medida implica no fechamento de creches, escolas, institutos, assim como de toda a atividade não essencial, como é o caso de comércios e academias.

Poderíamos nomear também as duas potências da UE, França e Alemanha, que aplicam as mesmas restrições que seus sócios; confinamentos, toques de recolher e fechamento de toda atividade não essencial.

Depois de um ano os Estados capitalistas não levaram adiante medidas políticas necessárias para frear essa situação de crise sanitária, social e econômica. Com o objetivo de preservar a atividade econômica, seus esforços estavam destinados a encher de capital os Estados e os bancos nacionais para que repartissem com as grandes empresas.

Em todos os casos a resposta foi maior privação de liberdade para a população, somado a uma maior repressão, especialmente nos bairros da classe trabalhadora e setores populares. O foco esteve na responsabilidade individual, enquanto nada se falou sobre a responsabilidade política.

Não se soube de nenhum esforço em fortalecer e investir em hospitais, de reverter os cortes das políticas de austeridade de 2008. E agora temos que ler como a Comissão Europeia afirma que a privatização do acesso à saúde na Europa impediu melhores respostas à pandemia. Inacreditável.

Não se investiu em saúde, nem se recuperou os cortes da última década, nem muito menos, se tocou nos recursos dos grandes lobbies sanitários e mútuas europeias para colocá-los a serviço de todo o mundo.

Inclusive o processo de vacinação está sendo opaco, lento e com atrasos. Diante dessa política de rapina da UE, é imprescindível que as vacinas sejam administradas de forma urgente para todo o mundo, e isto seja em um plano coordenado sob controle dos profissionais da saúde. Junto a isso, é preciso acabar com o negócio das empresas farmacêuticas que estão lucrando fortunas no último ano a custo da vida de milhões de pessoas.




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