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Internacional | Europa: Trabalhadores paralisam aeroportos por acordos coletivos e aumento salarial

A onda de greves continua afetando milhares de voos ao redor do mundo. Empresas cancelam serviços enquanto os trabalhadores intensificam sua luta por acordos coletivos e aumento salarial.

quarta-feira 20 de julho | 15:10

As precárias condições de trabalho das empresas aeroviárias “low cost” [baixo custo] levam mais uma vez os trabalhadores à greve e à paralisação dos aeroportos da Europa. Quase 16.000 voos foram cancelados devido a greves de tripulantes (TCP), principalmente da Easyjet e da Ryanair. Além disso, somaram-se trabalhadores das empresas Lufthansa, British Airways e Transavia. Com isso, transformou-se em uma greve a nível internacional, com quase 26.000 cancelamentos neste verão até agora. Cancelamentos ocorreram em Paris, Bruxelas e Londres, entre outras cidades. Na Espanha, os de Maiorca, Barcelona e Málaga são os aeroportos mais afetados, com centenas de cancelamentos e atrasos. Estima-se que esses protestos afetarão 57% dos voos durante o período de férias.

A greve foi convocada pelos sindicatos USO e Sitcpla. O primeiro teve nesta sexta-feira seu terceiro dia de greve; o segundo, seu sexto dia e ambos chegarão a doze dias, tendo uma nova onda de greve. E mais greves foram anunciadas para agosto. As demandas dos trabalhadores são múltiplas. Por parte dos trabalhadores da Ryanair, denuncia-se que a empresa não respeita os direitos trabalhistas e que fez um acordo formado por resquícios legais de distintos países cujas leis são as que mais favorecem os lucros da empresa. A necessidade de um acordo local e claro para os trabalhadores de acordo com seu país, com a legislação adequada, é uma das demandas mais antigas dos trabalhadores da empresa, que ainda está pendente de ser conquistada.

A Ryanair é uma empresa conhecida por explorar brutalmente seus trabalhadores e forçá-los a trabalhar em condições muito precárias, como não respeitar feriados ou obrigar seus funcionários a declarar residência na Irlanda apesar de morar em outros países. Da mesma forma, durante as greves, a companhia aérea transfere trabalhadores de vários países para mitigar as perdas, e denuncia os trabalhadores por não cumprirem os abusivos “serviços mínimos” que já chegaram a 100% de paralisação. A ausência de um acordo com o sindicato é um sintoma da política da Ryanair, que não se sentou para negociar. Aliás, já avisou que não há possibilidade de um acordo, ao que os trabalhadores, a partir de seus sindicatos, têm respondido com mais chamados de greve.

Por outro lado, os trabalhadores da Easyjet denunciaram que recebem abaixo do salário mínimo. Tanto a Easyjet como a Ryanair (e este tipo de companhia aérea) aproveitam a sua “posição internacional” para colocar os seus acordos fora do quadro jurídico dos países de origem dos trabalhadores. Este é um ponto em que as empresas insistem apesar de instituições de justiça, como o Supremo Tribunal do Estado Espanhol, já terem advertido em greves anteriores que os acordos devem ser aplicados com base na legislação dos países de residência dos trabalhadores.

Apesar dos milhares de voos cancelados, atrasos e grande incerteza para os passageiros, ambas as companhias parecem estar longe de desistir. Lidia Arasanz, funcionária da Ryanair, informou que a empresa convocou os trabalhadores que estão de férias ou licença médica para retornar ao trabalho, a fim de minimizar o impacto da greve.

Da mesma forma, aponta a manipulação que a mídia faz com essas greves. A notícia que difundem não é que a Ryanair explora os trabalhadores ou que a Easyjet não paga nem o salário mínimo, mas que milhares de pessoas estão tendo suas férias afetadas. Não é novidade que os trabalhadores são culpados pela greve. A cada greve aeroviária (ou em qualquer setor de transporte) é preciso lembrar que a greve não é uma decisão fortuita e que por trás de uma greve há ataques incessantes de empresas que buscam precarizar o emprego e explorar ainda mais os trabalhadores. Lidia está certa quando diz que o verdadeiro problema é que a Ryanair prefere deixar os passageiros em terra e criar o caos em dezenas de aeroportos antes de dar um salário digno aos seus trabalhadores. Com isso, só confirma que a luta é a única forma de conquistar direitos, algo que os trabalhadores da Ryanair, Easyjet e outras deixam claro ao enfrentar as patronais.




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