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"Eu falo de AI-38", Bolsonaro reafirma compromisso com matança, ao comentar fala de Guedes sobre AI-5

Questionado sobre a odiosa declaração de Paulo Guedes sobre o AI-5, Bolsonaro tenta se esquivar marcando sua posição reacionária: "Eu falo de AI-38, quer falar do AI-38, eu falo agora contigo aqui", em referência à sua nova legenda inspirada nas mesmas armas que assassinam trabalhadores e jovens pelo país.

terça-feira 26 de novembro de 2019| Edição do dia

O presidente Jair Bolsonaro se esquivou de comentar nesta terça-feira, 26, a declaração do ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre o AI-5. "Eu falo de AI-38, quer falar do AI-38, eu falo agora contigo aqui."

"Quer o AI-38, eu falo agora. 38 é meu número. Outra pergunta aí", respondeu o presidente ao ser questionado pela imprensa sobre o assunto, referindo-se ao número escolhido para o partido idealizado por ele, o Aliança pelo Brasil, sob o número 38 - o mesmo que determina o calibre de armas.

Assíduo defensor da ditadura militar, Bolsonaro coleciona uma série de ataques contra a esquerda, reivindicando um dos maiores torturadores da ditadura militar, Coronel Brilhante Ustra, ao qual dedicou seu voto pelo golpe de 2016.

Veja também: 8 heranças da ditadura que fazem parte do que há de pior no país

Ainda que supostamente tente se esquivar, Bolsonaro segue com seu reacionarismo, apoiador de ditaduras pela América Latina, bem como seus métodos repressivos e assassinos, e perpetuará em seu novo partido o centro de sua política de extrema-direita sob o símbolo das balas que matam milhares de jovens negros todos os dias.

Em Washington, Guedes mencionou o AI-5 ao afirmar que é "uma insanidade" que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva peça a presença do povo em manifestações nas ruas. "Não se assustem então se alguém pedir o AI-5", afirmou o ministro.

Veja também: Sob censura dos defensores do AI-5, Enem não aborda a Ditadura Militar pela primeira vez

No fim de outubro, um comentário do deputado Eduardo Bolsonaro, filho "03" do presidente, sobre a medida tomada pela ditadura militar causou polêmica e gerou repreensões de lideranças políticas e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Eduardo defendeu medidas como "um novo AI-5" para conter manifestações de rua, caso "a esquerda radicalizasse".

O Ato Institucional nº 5 foi a mais dura medida instituída pela ditadura militar, em 1968, ao revogar direitos fundamentais e delegar ao presidente da República o direito de cassar mandatos de parlamentares, intervir nos municípios e Estados, esvaziar garantias constitucionais como o direito a habeas corpus e suspensão de direitos civis.

Relembre homenagem de Bolsonaro à Ustra:

Rechaçamos as ameaças da extrema-direita que ao ver grandes processos de luta no mundo, em especial na América Latina e Caribe, como mostram os casos do chileno, boliviano e haitiano, retoma os nefastos anos de chumbo que deixaram mortos por todos os lados. Para responder Bolsonaro, Guedes, bem como este governo de conjunto que retoma os nefastos tempos da ditadura cívico-militar, amplamente apoiada pelo imperialismo estadunidense, dos quais são capachos, é preciso se inspirar no exemplo chileno que nas ruas rechaça a ditadura pinochetista e sua herança sob comando de Piñera.

Com informações da Agência Estado




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