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Decadência coxinha | Esvaziados, atos da direita golpista nesse 12 de setembro foram um fracasso total

As manifestações desse domingo atestaram o fracasso rotundo da capacidade de mobilização nas ruas da direita golpista e liberal contra Bolsonaro, bem como a decadência de certos setores da esquerda em festejar uma unidade com setores do universo mais abjeto e repugnante da política nacional.

domingo 12 de setembro | Edição do dia

Comparados aos atos do 7 de setembro ou aos atos contra Bolsonaro que ocorreram ao longo do ano, as manifestações deste domingo foram insignificantes.Em São Paulo, na Av. Paulista, estima-se cerca de 6 mil pessoas, talvez o maior ato do país. Deu para quase lotar uma ou duas quadras. No Rio de Janeiro não chegou nem a 500 pessoas e, visto de cima, Copacabana parecia um domingo qualquer. Em Porto Alegre cerca de 150 pessoas no Parcão. Em Salvador, menos de 100. Em BH, menos de 500 pessoas participaram. Em Curitiba, menos de 1000 pessoas participaram. Se somarmos todos os atos de todo o país, dificilmente chegariam em 10 mil pessoas. Daria para quase lotar o Tobogã do Pacaembu, se o PSDB não o tivesse destruído, mas fortalecer a luta contra Bolsonaro certamente não. Segundo o MBL, os grandes organizadores de hoje, apenas 17 cidades tinham atos confirmados.

O fracasso numérico é apenas uma parte do desastre. O conteúdo político do ato não tinha nada a ver com a luta contra os ataques à maioria da população, à luta contra o desemprego, à luta contra a violência policial, à luta contra as privatizações, à luta contra a destruição da saúde e educação públicas, à luta contra as barbaridades da pandemia, às lutas salariais, às lutas da maioria da população contra os ataques em curso. Pelo contrário, o conteúdo do ato era, em palavras, o Fora Bolsonaro, mas com o intuito exclusivo de fortalecer uma alternativa de direita liberal em 2022 para seguir aplicando ataques contra a classe trabalhadora e os mais pobres. No meio do caminho, conseguiram engambelar uma meia dúzia de desavisados, mas gente como Isa Pena, do PSOL, ou Orlando Silva, do PCdoB, de bobos não têm nada. O que eles possuem é uma política de alianças com setores abjetos da política nacional que serve apenas para fortalecer essa direita golpista, não derrotar Bolsonaro. Quem dorme com cachorro, já diria o ditado popular, acorda cheio de pulgas.

Sobre a composição do ato, preparem o estômago. Ela foi composta por forças políticas que apoiam quase que integralmente os ataques neoliberais que Bolsonaro vem desferindo contra os trabalhadores. Além dos execráveis MBL e Vem Pra Rua, participaram outros grupos burgueses como o neoliberal Livres, o Cidadania (que comanda ministério no governo Bolsonaro), lideranças do MDB, membros do PSDB, o PDT de Ciro Gomes, PSB de Freixo, o PV e outros. Até Dória e Eduardo Leite, que estão neste momento arregaçando com a vida dos trabalhadores e pobres, apareceram. O auge, talvez, tenha sido a bandeira da direita arquirreacionária do Don’t Tread on Me que surgiu no meio dessa lambança em Salvador e em Porto Alegre (uma lembrancinha da reacionária invasão trumpista do Capitólio em meio ao ato desse domingo). Um malta de gente esquisita, fãs de Mises e Hayek, viúvas da Lava-Jato, empresários ricos com seus possantes, bolsominions arrependidos, seres que nós sabemos muito bem o que todos fizeram no verão passado. Bandeiras Ancap, Major Olímpio Vive, placas "Volta Temer" e a Bandeira do Brasil Imperial se somaram às bizarrices desse domingo escabroso.

Lembremos que boa parte desses setores, além de apoiar os ataques de Bolsonaro, são os mesmos que fazem fake news contra Marielle, dizendo que era esposa de traficante, que invadem escolas públicas para intimidar professoras, que se utilizam de táticas proto-fascistas para intimidar estudantes nas universidades públicas, que defendem as barbaridades que a polícia militar faz contra preto, pobre e trabalhador. Nada de bom pode sair disso daí. Nesse sentido, o papelão de Isa Pena ou da UJS acaba sendo funcional à política desses setores golpistas, pagando de “democráticos”, para fortalecer uma ala reacionária no cenário nacional diferente da de Bolsonaro.

As manifestações acabaram não sendo convocadas pelo PT e outros setores, apesar do PT não orientar a militância a não ir. A justificativa de alguns petistas, de que não deve-se misturar com direitistas e golpistas, é absolutamente hipócrita, pois o PT sempre se aliou com setores burgueses e reacionários que participaram, inclusive, do ato. Na Bahia, o PT governa com um vice do PP, ex-partido do presidente, que comanda a Câmara dos Deputados e é base aliada de Bolsonaro. Lula vem fazendo uma caravana de discussões com corruptos e golpistas do MDB, o mesmo MDB que recentemente aconselhou Bolsonaro em sua carta de recuo. A lista de alianças de Lula e o PT com setores da direita golpista e reacionária é grande, bem maior do que as manifestações de hoje.

É por essas e outras que apontamos um caminho distinto para derrotar Bolsonaro, os golpistas e os ataques. Não será dando às mãos para a direita, seja em manifestações insignificantes, seja em eleições, que vamos reverter o jogo. Tampouco o impeachment resolverá o problema, pois colocará o reacionário Mourão no lugar. É preciso, com a força da enorme e poderosa classe trabalhadora brasileira, organizada em seus locais de trabalho, se enfrentar contra Bolsonaro, Mourão, os militares e também os atores desse regime político carcomido do golpe institucional. As centrais sindicais precisam sair da paralisia traidora em que se encontram e organizem um plano de lutas real para enfrentar o governo.




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