×

Movimento estudantil | Estudantes junto aos trabalhadores: UNE e Centrais precisam unificar os dias de luta

Nesta semana, a UNE saiu com um novo chamado de Jornada de Lutas para o dia 30 de Março, por Vida, Pão, Vacina & Educação, seis dias após a data convocada pelas Centrais Sindicais no dia 24. Com 3 mil mortes diárias e aprofundamento da crise social, não podemos nos dividir, para lutar contra Bolsonaro, Mourão, os golpistas e seus ataques e a tenebrosa resposta à pandemia dos governadores, precisamos unificar estudantes e trabalhadores para lutar. Que se convoque um dia de luta nacional unificado.

Marie CastañedaCoordenadora do CACS Marielle Franco da UFRN (Ciências Sociais)

Giovana PozziCoordenadora Geral do Centro Acadêmico do Teatro da UFRGS (CADi)

quinta-feira 18 de março | Edição do dia

Os estudantes brasileiros vivem um cenário caótico. Enquanto em 24 horas mais de 3 mil pessoas vêm a óbito por conta da COVID-19 e são anunciados cortes milionários na educação, como na Comissão Mista de Orçamento que ontem aprovou um de R$ 22 milhões, muitos estudantes se aproximam do fim do que seria o segundo semestre de 2020 pelos calendários acadêmicos e o produtivismo e altas taxas de evasão se impõe. Em hospitais universitários e por todo o país, pessoas morrem pela falta de bobinas de oxigênio, falta de leitos de UTI e sedativos, faltam até mesmo testes e o papel que as universidades poderiam cumprir é ainda mais limitado pelos cortes. Os servidores públicos, professores, trabalhadores da saúde, podem ter o salário congelado até 2036 pela PEC Emergencial, agora aprovada na Câmara dos Deputados, para pagar um auxílio emergencial de R$ 150, enquanto a cesta básica chega a custar R$ 630.

Por isso, qual a melhor forma de fortalecer a luta dos estudantes, para que ela possa de fato barrar ataques e defender o conhecimento à serviço da classe trabalhadora e da população? Unificando esta luta com a força da classe trabalhadora. Por isso colocamos esta urgência: que se unifiquem as datas de luta dos estudantes e trabalhadores em uma só, para que possamos golpear Bolsonaro, Mourão, golpistas, militares e governadores com um só punho. Para isso, a UNE e UBES precisam convocar plenárias e assembleias de base em cada universidade, instituto federal e escola, para que existam espaços de auto-organização e se vote a unificação com os trabalhadores na sua data.

É inadmissível que os dias de luta sigam sem ser verdadeiramente construídos em um cenário onde se multiplicam as perseguições e censura contra estudantes e professores que denunciam a responsabilidade de Bolsonaro pelas mortes, em especial por meio da Lei de Segurança Nacional herdeira da Ditadura Militar e o avanço das intervenções nas Reitorias. A PEC Emergencial se soma à Lei do Teto de Gastos, que asfixia a educação e a saúde à serviço do pagamento da dívida pública. A juventude é a principal atingida pelas reformas, que impõem precarização do trabalho.

Queremos lutar com toda força contra Bolsonaro, e por isso não alimentamos ilusões no seu Impeachment, defendido pela UNE e UBES, que só levaria o General Mourão à presidência com semblante de superioridade, sendo este um militar igualmente responsável pelas mais de 280 mil mortes pra COVID 19 no Brasil. Por isso destacamos: a responsabilidade é de Bolsonaro, Mourão e de todo regime do golpe institucional, assim como dos governadores, já que ninguém garantiu vacinas, auxílio suficiente para escapar da escolha entre a fome, a covid e o desemprego. Portanto é preciso lutar contra todos eles de conjunto, não há como confiar em Mourão, tampouco no Congresso que historicamente impõe ataques à juventude e aos trabalhadores. Os próprios governadores do PT, como Fátima Bezerra (RN) e Rui Costa (BA) não oferecem nada além de repressão nos toques de recolher.

Nossa luta é agora e não em 2022. Não podemos aceitar esta lógica adotada pelas direções da UNE, UBES e ANPG, conformadas pelo PT, PCdoB e Levante Popular da Juventude. Quantos milhares vão morrer e quantos milhões seguirão sendo cortados até lá? Qual será o percentual de desempregados e informais na juventude? Um plano de emergência contra a pandemia e a fome só pode ser arrancado por meio da luta unificada entre estudantes e trabalhadores, por isso nossa exigência também inclui as Centrais Sindicais. Precisamos urgentemente de mais leitos de UTI, contratações na saúde, compra de insumos, vacinação para todos com a quebra das patentes, um auxílio emergencial de pelo menos 1 salário mínimo, liberação de todos os trabalhadores não essenciais com remuneração paga pelos patrões e nenhum corte na educação, que sejam suspensas as aulas e todo o conhecimento seja revertido para o combate à pandemia. As entidades estudantis nas quais fazemos parte da gestão estão à serviço de defender esta unificação.

Chamamos organizações de esquerda, como PSOL e toda a oposição de esquerda da UNE, a também ser parte de exigir que esta entidade estudantil e centrais sindicais se unifiquem nas datas, colocando as gestões das quais são parte em DCEs e Centros Acadêmicos a serviço dessa batalha. Mais do que isso, que não sejam mais um dia de atos burocráticos e isolados, e sim grandes manifestações nacionais, com medidas de segurança sanitária, contra todos os absurdos cotidianos vividos no país. É preciso organizar estudantes e trabalhadores para exigir a construção de um plano de luta nacional para enfrentar essa barbárie.




Comentários

Deixar Comentário


Destacados del día

Últimas noticias