Educação

UNICAMP

Estudantes do CACH vão paralisar no 28A e construir um comitê de mobilização

Os estudantes de Ciências Sociais e História da Unicamp, reunidos em assembleia no dia 12, decidiram pela construção de um comitê de mobilização para organizar uma forte paralisação no dia 28 de abril, como parte da luta nacional contra as reformas de Temer. No IFCH e diversos outros institutos e faculdades da universidade os estudantes também estão dando continuidade à mobilização iniciada no ano passado por cotas. A auto-organização dos estudantes e a construção coletiva e democrática de base será fundamental para ligar as lutas de dentro e fora da universidade, se ligando aos trabalhadores e setores populares, para derrotar os ataques do governo, conquistar as cotas étnico-raciais na Unicamp e discutir profundamente como radicalizamos o acesso à universidade.

sexta-feira 14 de abril de 2017| Edição do dia

Desde o início do ano, temos sentido nosso futuro cada vez mais ameaçado e em todos os lugares acompanhamos a indignação de jovens e trabalhadores contra os ataques de Temer. Ainda em Fevereiro, a Reforma do Ensino Médio foi aprovada, colocando na incerteza se nós, estudantes de Ciências Sociais e História poderemos dar alguma utilidade aos nossos diplomas de licenciatura, sendo que já em nossa universidade vemos que as licenciaturas são desvalorizadas em detrimento da pesquisa. Essa reforma também se liga à aprovação da “PEC do Fim do Mundo” aprovada no ano passado, que promete dificultar ainda mais a abertura de concursos e vagas nas escolas, em um cenário de profunda precarização da educação e das condições de trabalho. Não contente, o golpista Temer, em tempos de taxas altíssimas de desemprego no país, também tem dado mostras, mesmo com recuos parciais, de que pretende aprovar a Reforma da Previdência com urgência, junto à Reforma Trabalhista, prolongando o tempo de serviço dos professores, que além de fazê-los trabalhar até pelo menos os 65 anos, dificulta a abertura de vagas para professores por conta da menor taxa de aposentadoria, e, com o PL da Terceirização irrestrita, "flexibilizará" a CLT – jogando-a no lixo. Precisamos lutar por nosso futuro!

A magnitude dos ataques demanda uma mobilização muito potente. Dessa forma, assim como a base dos trabalhadores deve cobrar as direções das centrais sindicais que a despeito do chamado a uma greve geral no dia 28 não estão organizando iniciativas para construir efetivamente essa mobilização, nós estudantes devemos exigir em primeiro lugar das nossas entidades estudantis que organizem espaços bem convocados de debates para que o conjunto dos estudantes tome em suas mãos a luta contra os ataques. Nossos Centros Acadêmicos e Diretório Central tem essa responsabilidade, não apenas de indicar datas, e calendários tirados de reuniões esvaziadas ou restritas, mas de articular a construção ativa e democrática da auto-organização dos estudantes. Também devemos cobrar da UNE, principal entidade nacional que está em inúmeras universidades públicas e privadas, nos principais DCEs do país e em centenas de grêmios secundaristas, mas que até agora não propôs qualquer esboço de um plano de lutas sério para organizar os estudantes. Para entender a importância dessa cobrança é só lembrarmos que na Unicamp o nosso DCE é filiado a UNE e possui em sua direção vários coletivos que compõem a Oposição de Esquerda. Com essa localização membros da atual gestão participaram como representantes do DCE do Conselho Nacional de Entidades Gerais da UNE (CONEG) no mês de março, que deliberou que o dia 7 de abril como um dia nacional de lutas dos estudantes, que não só não aconteceu, como também sequer foi debatido em assembleia geral dos estudantes.

Não fosse a pressão dos trabalhadores sob seus sindicatos, a CUT e a CTB não teriam convocado os dias 15M ou o dia 31M. Não se preocupar em construir esse tipo audaz de mobilização expressa objetivos distintos que essas centrais e a UNE tem com a nossa luta e nosso anseio pela Greve Geral, que é usar dessa bandeira para recompor o PT "artificialmente" à esquerda e promover a campanha do Lula 2018, desviando todo um espírito de luta para fazer dele uma mobilização aquém do seu potencial volume de forças e de radicalização, e transformá-lo em uma Diretas Já para eleger Lula. Portanto devemos exigir que a UNE deixe de corpo mole e construa esse plano de lutas NA BASE dos estudantes, com espaços amplos de discussão e preparação da luta, capazes de organizar a mobilização que precisamos!

Sabemos de todos os entraves que as burocracias querem impor a nossa organização, exatamente porque tem outros objetivos. Mas acreditamos que a esquerda pode dar um exemplo de como organizar uma luta séria, fazendo do dia 28 um dia em que nossas forças sejam realmente colocadas em jogo e possa vencer. A oposição de esquerda da UNE, junto à outros setores de esquerda do movimento estudantil devem mostrar com ações independentes que, diferente das burocracia estudantis, como é a UJS, querem derrotar os planos dos golpistas, e isso só será possível se os estudantes tomarem em suas mãos a construção do dia 28.

Como nós do IFCH vamos fortalecer a luta dentro e fora da universidade?

Decidimos em Assembleia pela construção de um comitê de mobilização no instituto, sob o mote “Contra as Reformas de Temer, Cotas já e nenhum direito a menos”, para que seja um espaço amplo onde cada estudante de ciências sociais e história possa debater, refletir e propor iniciativas de como enfrentaremos os ataques do governo desde o IFCH. Acreditamos que esse comitê de luta contra as reformas poderá servir de exemplo aos demais institutos, e ao DCE de como a auto-organização dos estudantes é fundamental.

O comitê também deve se ligar e fortalecer as iniciativas de mobilização por cotas étnico-raciais que já estão sendo organizadas na Unicamp, com reuniões ampliadas construídas pelo Núcleo de Consciência Negra e pela Frente Pró-Cotas, para que no próximo mês, em que a implementação das cotas será votada no CONSU, nós consigamos garantir essa conquista, travada pela nossa greve e ocupação da reitoria no ano passado. E é junto à juventude secundarista e trabalhadora da cidade, que inclusive não tem acesso à Unicamp, por todas as barreiras impostas pelo filtro social do vestibular, que devemos construir nossa mobilização. Para que esta sirva também para lutar contra a Unicamp fechada que quer a reitoria e os governos. Queremos uma Unicamp que seja aberta à juventude, que seja mais que um hospital precarizado para a população, que sirva para resolver demandas sociais e não para garantir os lucros das empresas que se apropriam do conhecimento produzido aqui.

Construir um forte 28A deve servir também como um recado para a reitoria, de que nós não vamos aceitar uma universidade para poucos como quer o atual reitor Knobel, que já anunciou seu projeto privatista de universidade que se combina com o que significa o governo de Alckmin e de Temer, que ataca frontalmente a educação pública. Somente a nossa organização, com nossos métodos de luta, pode barrar esse futuro de miséria que querem nos impor. A juventude e os trabalhadores podem paralisar seus locais de estudo e trabalho nesse dia 28 e expressar uma força ainda maior que a dos dias 15M e 31M, mostrando a nossa capacidade de resposta aos golpistas para que a crise capitalista não seja descarregada nas nossas costas. Se não fomos nós quem criamos essa crise, porque devemos pagar por ela com as nossa vidas e nosso futuro?




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