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Movimento Estudantil | Estudantes da moradia da UFSCar realizam Sarau artístico e político em defesa da universidade e permanência estudantil

No dia 01 de julho (sexta-feira), ocorreu na Universidade Federal de São Carlos um Sarau de integração por parte dos estudantes da moradia que, diante da situação de precarização da educação pública e cortes nas universidades pelo governo Bolsonaro, gritaram por permanência e em defesa da UFSCar.

segunda-feira 4 de julho | Edição do dia

“A arte é uma ferramenta que, além de fortalecer nossa mente nos momentos de luta, nos sensibiliza a lutar coletivamente.”

O evento contou com a presença de um número considerável de estudantes, que participaram coletivamente do espaço através de intervenções artísticas e políticas. A ideia do espaço, segundo os organizadores, estava em vincular o sentimento de coletividade entre os estudantes diante do cenário de ataques impostos pela extrema-direita de Bolsonaro.

“É falando, conversando, ouvindo as pessoas, é a partir disso que nós podemos desenvolver um senso coletivo. (...) A galera aflorar a sensibilidade de uns com os outros, pra a partir daí a gente usar essa sensibilidade, esse sentimento de coletividade para lutar contra esse governo.” (Dugaich, estudante de Ciências Sociais)

Recentemente, foi anunciado mais um corte nas federais pelo governo Bolsonaro, este que não mede esforços para precarizar a educação pública em prol dos grandes interesses privatistas. O novo corte do Governo Federal retirou da UFSCar um total de R$ 4.638.021,02 para 2022, com o orçamento para o funcionamento das atividades de manutenção na Universidade caindo de R$ 41.303.882,00 para R$36.665.881,79 segundo a reitoria da universidade, de tal forma que as atividades correm o risco de continuarem somente até outubro.

Em meio aos inúmeros ataques às universidades públicas, os estudantes das moradias são um dos setores mais afetados, uma vez que sua permanência efetiva na universidade fica ameaçada, sendo inclusive algo que já vinha acontecendo em peso na UFSCar, onde muitos estudantes não conseguiam garantia de moradia e acabaram deixando a universidade, perdendo, assim, a chance de estudar mesmo após passar pelo filtro social elitista do vestibular.

“A gente tá pensando no levante a favor tanto da permanência da própria UFSCar, do não fechamento da universidade, como também na própria permanência estudantil (...) Isso é nosso (...) Sarau é você colar, trocar uma ideia, contar uma história, trazer fogo, efervescência, gritar, e tudo isso é o que traz a revolta, a união.” (Amaral, Estudante de Filosofia)

(O Sarau ocorreu no palquinho da UFSCar, um lugar histórico dos estudantes para impulsionar eventos políticos e artísticos dentro da universidade.) Foto tirada por @babbaloodeuva

Outro aspecto importante do evento foi a presença indígena para fortalecer a luta contra os ataques à educação feitos pelo governo Bolsonaro, uma vez que esse governo também tem como um dos seus grandes alvos os povos indígenas, tirando suas terras e as entregando de bandeja ao agronegócio que destrói o meio ambiente e executa a sangue-frio centenas de indígenas, fora aqueles que lutam por justiça em meio a essa barbárie, como foram as mortes de Dom e Bruno. Nesse sentido, Márcia Pataxo, estudante indígena e representante do centro de culturas indígenas (CCI) da UFSCar, afirmou:
“Eu entrei em 2017, e desde quando entrei já tinham começado os cortes na verdade, o ano que eu cheguei aqui na UFSCar já tinha ficado sem receber bolsa né. Aí depois só foi regredindo. (...) O governo atual continua fazendo cortes na educação e outros cortes em geral. (...) Nós indígenas somos a favor de mais espaços dentro da UFSCar, nosso objetivo também está sendo demarcar nossas terras.”

Em meio aos ataques criminoso da extrema-direita de Bolsonaro, nós da Faísca Revolucionária que impulsionamos o Esquerda Diário saudamos o espaço do Sarau, entendendo a importância da luta por educação e permanência estarem intimamente vinculadas, tendo na linha de frente os estudantes da moradia, principalmente as mulheres, os negros e os indígenas, que acabam sendo os alvos principais dessa política nefasta imposta pelos capitalistas.

Estamos lado a lado com todes que querem derrotar o bolsonarismo e justamente por isso queremos ampliar os espaços de debates e discussões, desde assembleias até saraus. Além disso, exigimos que tanto o DCE quanto a própria UNE convoquem espaços contínuos de organização dos estudantes, junto com um calendário nacional de lutas, para que possamos ser sujeitos da nossa luta e para que nossas entidades rompam com a política burocrática de passividade eleitoral e sejam de fato ferramentas para impulsionar nossa auto-organização. É preciso gritar não aos cortes! Pelo não pagamento da dívida pública e por universidades que estejam a serviço da classe trabalhadora!

Essa batalha dos estudantes deve estar totalmente vinculadas com a nossa luta ao lado da classe trabalhadora como um todo, que é constantemente atacada pelo governo Bolsonaro, por isso, reivindicamos as lutas pela revogação de todas as reformas anti-operárias como a trabalhista, da previdência e da lei de terceirização irrestrita, mas também das privatizações. Além disso, é preciso pautar a necessidade de um reajuste salarial mensal de acordo com a inflação, e a expropriação da grande indústria alimentícia em um momento em que milhões passam fome no Brasil!

Todas essas lutas devem estar intimamente ligadas a um programa por uma revolução social que abra caminho para a construção de uma outra sociedade onde nossa vida não se resuma a estudar e trabalhar, ou então sequer a ter o direito de estudar, porque o capitalismo suga todas as nossas energias com os trabalhos precários e retira nosso direito à educação. Nossa luta é por construir uma sociedade socialista desde a base, onde todas as nossas potencialidades possam estar a serviço do desenvolvimento pleno das nossas necessidades sociais e subjetivas, numa relação harmônica entre os setores humanos e a natureza. Uma sociedade livre de classes e do Estado, o comunismo.

Conheça o manifesto programático da juventude faísca revolucionária! Um programa revolucionário para a juventude!




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