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USP RUMO AO 29M | Estudantes da USP votam em assembleia ir às ruas no 29M contra Bolsonaro e Mourão

Nesta quarta-feira, 26, aconteceu a Assembleia Geral dos Estudantes da USP via Zoom, chamada pelo DCE Livre da USP, que debateu a luta em defesa da educação, passando por discutir tanto os temas mais específicos e internos da USP referentes à bolsa auxílio, moradia estudantil e demais aspectos da permanência, como também o dia nacional que está sendo chamado para este sábado, 29, para lutar nas ruas contra os ataques do governo Bolsonaro à educação.

sexta-feira 28 de maio | Edição do dia

Nesta quarta-feira, 26, aconteceu a Assembleia Geral dos Estudantes da USP via Zoom, chamada pelo DCE Livre da USP após mais de um ano e meio sem um espaço de deliberação e auto-organização dos estudantes. O tema da assembleia, que no auge reuniu mais de 400 pessoas, foi a luta em defesa da educação, passando por discutir tanto os temas mais específicos e internos da USP referentes à bolsa auxílio, moradia estudantil e demais aspectos da permanência, como também o dia nacional que está sendo chamado para este sábado, 29, para lutar nas ruas contra os ataques do governo Bolsonaro à educação.

Hoje vivemos uma situação de precarização da educação dentro e fora da USP, com a Reitoria sendo responsável pelo atraso no pagamento da bolsa auxílio, pelo ensino remoto excludente e elitista que segue deixando centenas prejudicados, pela abertura de contratos temporários e precários para o trabalho docente, pela demissão de terceirizados que não terão o que comer em meio à pandemia. Enquanto isso, o mesmo projeto de ataques para privatizar e precarizar a educação pública tem sua expressão máxima em universidades federais como UFRJ, UFMG, Unifesp, UFG e UFBA, que estão ameaçadas de fecharem as portas ainda neste ano, sofrendo cortes exorbitantes que atingem em primeiro lugar os recursos destinados à permanência e às contratações.

Após um debate sobre a conjuntura política nacional, e os temas e dificuldades que têm afetado os estudantes em meio à pandemia e a crise econômica e social, os estudantes reunidos em Assembleia Geral votaram por consenso em sair às ruas em um bloco unitário dos estudantes da USP com a consigna “USP contra o genocídio e em defesa da vacina e da educação! Fora Bolsonaro e Mourão!”.

Nós da Faísca estivemos presentes intervindo na assembleia e consideramos de extrema importância que tenha sido aprovada nossa proposta para contemplar o tema das vacinas e nos colocarmos também pelo Fora Mourão. Sabemos que os ataques à educação hoje são responsabilidade do negacionismo e obscurantismo de Bolsonaro, mas também de todo um projeto de sociedade que quer descarregar nas costas dos trabalhadores, da juventude e dos setores oprimidos a crise econômica, passando por aprovar reformas como a trabalhista, da previdência e administrativa, aprovar a Lei do Teto dos Gastos que congela até 2036 os investimentos em saúde e educação, passando por respeitar a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Todos esses planos de ajustes são aprovados não só por Bolsonaro, mas por outros inimigos que dividimos com milhões de trabalhadores pelo país, como o Congresso, o STF e os militares que orquestram na política nacional defendendo esses ataques e reformas de mãos dadas com o presidente, apesar de fazerem um discurso crítico em determinados momentos, e de toda a encenação que fazem na CPI da Covid para desgastar o governo Bolsonaro, enquanto os ajustes centrais vão passando em consenso.

A luta do dia 29 de maio é por permanência, é em defesa da educação pública, é contra todos esses inimigos, contra todas as reformas aprovadas e tentativas de fazerem os trabalhadores e a juventude pagarem pela crise. Por isso, nós da Faísca também propusemos que os estudantes reunidos em assembleia geral declarassem apoio aos trabalhadores da cidade de Belém do Pará que resistem contra o arrocho salarial e a proposta de reforma da previdência municipal que o prefeito Edmilson Rodrigues (PSOL) está implementando. São trabalhadores que não têm reajuste salarial há 5 anos, enquanto o prefeito ganha cerca de 20 mil reais e agora quer implementar a reforma da previdência municipal como feito pelo PSDB aqui em São Paulo. O argumento de que é preciso respeitar a Lei de Responsabilidade Fiscal demonstra todas as limitações que uma prefeitura do PSOL infelizmente tem. Esta proposta, que foi rejeitada e questionada por companheiros e correntes do próprio PSOL, não foi aprovada pela política burocrática do PT ao conduzir a mesa da assembleia, com o argumento de que só seriam aprovadas as propostas que fossem consenso, e nem mesmo indicativos de encaminhamento poderiam ser votados. Esta postura enfraquece os espaços de debate e deliberação dos estudantes, e a aprovação de nosso apoio aos trabalhadores de Belém seria uma demonstração importante na nossa luta contra Bolsonaro e todo regime político do golpe institucional de 2016.

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A Assembleia Geral na última quarta teve mais de 20 falas e foi marcada por inúmeras pautas e demandas estudantis que surgiram ao longo do debate, em especial em relação à situação na qual se encontra o CRUSP e as precárias condições de permanência estudantil na Universidade hoje, além da construção da base da PM ao lado da moradia. Isto é resultado de uma série de ataques e cortes por parte da Reitoria da USP e do governo Doria, que precarizam a universidade, deterioram a vida dos estudantes pobres e negros e obrigam os trabalhadores terceirizados da universidade a se expor cotidianamente ao coronavírus trabalhando presencialmente sem EPIs suficientes. O Movimento Estudantil poderia estar muito melhor articulado e organizado para responder a esses absurdos se não fosse a falta de espaços de discussão e auto organização dos estudantes desde o início da pandemia.

É por isso que o dia 29 também não pode ser um dia em si mesmo, mas precisa marcar o início de um plano de luta que deve seguir, mantendo e desenvolvendo nossa organização com assembleias democráticas em cada universidade do país e também na USP. É preciso ir por muito mais, e para isso as direções do PT e PCdoB, à frente do nosso DCE, à frente da UNE e de centrais de milhões de trabalhadores pelo país como a CUT e a CTB, precisam colocar todas suas forças para unificar, e não separar a luta dos estudantes e trabalhadores ao chamar dias dispersos de luta. Neste sábado, vamos às ruas inspirados pelo exemplo da Colômbia, porque “nosso governo é mais perigoso que o vírus”. É preciso um movimento estudantil que se coloque ao lado dos trabalhadores para golpear Bolsonaro, Mourão e os militares, contra cada um dos cortes, demissões e privatizações.




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