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A PRAINHA É NOSSA! | Estudantes da ECA-USP se organizam contra medidas restritivas da direção sobre a prainha

Nesta última quinta-feira, ocorreram atos e mobilizações políticas na ECA em defesa do livre acesso dos estudantes à prainha, denunciando as restrições de acesso e suspensões de atividades por parte da diretoria.

domingo 8 de maio | Edição do dia

imagem: jornalismo júnior

Nesta última quinta-feira, foram organizados atos e mobilizações contra os ataques da diretoria da ECA (Escola de Comunicação e Artes da USP) que restringem o acesso dos estudantes à prainha, um ponto de encontro bastante tradicional do movimento estudantil e onde acontecem, atividades culturais, exposições e apresentações artísticas e festas. Não é de agora que as direções buscam limitar e controlar a entrada de pessoas nesse espaço, desde antes da pandemia, a prainha foi cercada por grades, a sede do Sintusp, sindicato dos trabalhadores da USP, atacada e retirada dos trabalhadores como forma de reprimir a mobilização e atuação política de funcionários e do movimento estudantil.

A restrição de horário imposta pelo CTA (Conselho Técnico Administrativo) da unidade, impede que os estudantes possam entrar na prainha após as 21h30 e impõe a suspensão das festas e atividades noturnas, representando um salto de qualidade em medidas contra o movimento estudantil. Políticas como essas impedem que os estudantes vivam a universidade integralmente, em espaços de convivência e lazer, de atividades em que os alunos possam se expressar e interagir livremente, além de limitar ainda mais um lugar que já é restrito a maior parte da população pela existência do filtro social e racial do vestibular que precisa acabar.

É importante entender que esses ataques ao direito de livre acesso a um espaço que deveria ser de todes, não são ataques isolados do conjunto das políticas na universidade que a privatizam cada vez mais. No marco do avanço dos ataques nacionalmente contra os trabalhadores, a educação e o movimento estudantil, sobretudo desde o golpe institucional de 2016 e agora com o governo Bolsonaro, é bastante funcional a limitação de espaços nos quais os estudantes possam se integrar, conhecer suas entidades e ajudar com o financiamento destas.

A limitação das festas representa um avanço sobre a autonomia do movimento estudantil, tendo como perspectiva avançar em sua institucionalização para assim desmobilizar os estudantes contra o desmonte da educação e a imposição da lógica privatista de universidade em curso que afeta trabalhadores, estudantes,professores e a população. Isso só reforça a necessidade do movimento estudantil se organizar desde as bases, de maneira independente e em aliança com trabalhadores e professores, contra a agenda neoliberal dentro e fora da USP.

Na USP, a precarização das condições de trabalho e a falta de políticas de permanência estudantil são expressas por ônibus circulares lotados, bandejões com filas enormes e com seus trabalhadores sobrecarregados pela falta de contratações, avanço da terceirização e a precarização do regime de trabalho que afeta todos os setores da universidade, inclusive os professores. Essa política também se expressa no sucateamento do CRUSP, a moradia estudantil, e do PAPFE, com atrasos no pagamento de bolsas aos estudantes , além de blocos da moradia que sequer têm acesso à água. Tudo isso é fruto dessa política neoliberal levada por governos como os do PSDB, como faz Doria e como já fez o Alckmin, candidato a vice na chapa de Lula.

Ao mesmo tempo em que os estudantes da ECA começam a se mobilizar contra as limitações sobre a prainha, outras lutas acontecem, como a dos estudantes de letras que estão tendo aula em outros institutos pela falta de sala no seu prédio, ou como a luta por moradia na USP. Pensando em fortalecer a luta contra os ataques, é fundamental unificar os processos em curso e superar a paralisia do DCE, dirigido pelo PT e a UJS, que nos últimos anos condicionaram o movimento estudantil às saídas eleitorais, à conciliação de classes e a negociação com a reitoria, por fora de impulsionar espaços de auto-organização reais, independentes da burocracia e construídos entre os estudantes.

A ausência de espaços de auto-organização e de politização ao longo da pandemia, mesmo com as medidas privatistas avançando, como a instalação de uma universidade privada no campus, escancara os problemas da estratégia reformista que limita sua atuação às negociações a portas fechadas com a reitoria, por fora de unificar cada uma das demandas em curso no ME para fazer ecoar nossa organização desde a base. Não se questiona mais profundamente o projeto elitista da universidade e o fato dela ser dirigida por empresários que ocupam a maioria das cadeiras no Conselho Universitário. Esses aspectos reforçam a necessidade de batalhar por um movimento estudantil que confie nas suas próprias forças e que pela via da mobilização que revogue os parâmetros de sustentabilidade que impedem as contratações, ao passo que garanta condições plenas de acesso à permanência na universidade com bolsas de um salário mínimo para cada estudante.

A luta dos trabalhadores do bandejão que ocorreu no começo deste ano contra as contaminações pela variante ômicron, fruto da negligência da reitoria, deve servir como um forte ponto de apoio e inspirar os processos de mobilização em curso. Os trabalhadores deram um exemplo de auto-organização, reunindo-se diariamente para definir os rumos da mobilização, mostrando que somente a luta pode colocar abaixo as medidas dos governos e das reitorias, tendo como perspectiva também uma universidade que seja dirigida por trabalhadores, estudantes e professores, não por empresários como é hoje, a fim de que sua produção científica esteja a serviço da classe trabalhadora e da população pobre.

Ouça também: ED 5 minutos

Nesse sentido, fazemos um chamado às organizações de esquerda, especialmente a UP e o Juntos que dirigem o CALC (Centro Acadêmico da ECA) que exijam que o DCE unifique as lutas e organize os estudantes contra os ataques, superando o processo de institucionalização que o movimento estudantil está vivendo que limita a organização independente e a mobilização. Pelo livre acesso à Prainha e contra o autoritarismo das direções e da reitoria!




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