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Luta indígena | Estadão defende o reacionário Marco Temporal após silenciar sobre a histórica luta indígena

A mídia burguesa mais uma vez mostra que tem lado, que é de mãos dadas ao agronegócio e os patrões para atacar os povos oprimidos e os trabalhadores. Em editorial do dia de ontem, o Estadão defendeu a reacionária tese ruralista do Marco Temporal para avançar sobre as terras indígenas.

quarta-feira 1º de setembro | Edição do dia

Em meio ao histórico acampamento indígena que ocupou Brasília na última semana, e que segue em vigília pela rejeição do Marco Temporal, o jornal paulista fez questão de ocultar a enorme mobilização que contou com quase 10 mil indígenas, de mais de 170 povos. Mais do que isso, o jornal destinou 2 páginas de uma edição para uma matéria patrocinada pelo agronegócio defendendo a tese do Marco Temporal, contando ainda com entrevista de Aldo Rebelo, ex-PCdoB e atual Solidariedade, defendendo a o ataque às terras dos povos originários.

Ontem, às vésperas desse julgamento histórico que pode decidir o destino da demarcação de terras no país, o Estadão escreveu um editorial mentiroso fazendo coro com o discurso bolsonarista e do agronegócio de que o marco temporal é um entendimento inscrito na própria Constituição de 88.

“Resistindo à pretensão de alguns para transformar a disputa numa questão política, cabe ao STF aplicar a Constituição. “São reconhecidos aos índios (...) os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens”, diz o art. 231.”

Basta ler a própria citação transcrita pelo jornal para ver que não há a menor menção à tese do marco temporal, que restringe a demarcação às terras ocupadas à época da promulgação da constituição. Assegurar o direito originário desses povos às terras tradicionalmente ocupadas, como defende a Constituição, significa levar em conta o sanguinário processo de expulsão desses povos, pelas mãos do Estado e pelas mãos dos ruralistas e seus capangas.

Como dizem os indígenas, “Nossa história não começa em 1988!”. O próprio povo Xokleng, que protagoniza a disputa judicial decisiva pela demarcação de suas terras contra o estado de Santa Catarina, foi vítima da perseguição de milícias contratadas pelos latifundiários, os bugreiros, que atacavam as aldeias, assassinando indígenas, e levando mulheres e crianças como prisioneiros. Além durante a Ditadura Militar uma barragem foi construída no território dos Xokleng, expulsando forçosamente os indígenas da região.

Todos esses fatos históricos são ignorados pelo Estadão em nome da defesa dos interesses dos ruralistas. Da mesma maneira que Bolsonaro, que deu declarações inclusive de ameaça ao STF frente a rejeição do marco temporal, o veículo de imprensa se coloca como jagunço do agronegócio disposto a fazer o serviço sujo de legitimar essa tese reacionária e completamente inconstitucional.

Quando os interesses de atacar os oprimidos e os trabalhadores estão em jogo, o Estadão mostra que as disputas autoritárias entre as diversas alas da burguesia cessam em nome da unidade para arrancar o couro e o direito das camadas populares.

A mobilização dos indígenas que se enfrenta contra o STF, Bolsonaro, o agronegócio e todo o regime golpista é um enorme exemplo para os trabalhadores. Os sindicatos e as entidades estudantis precisam cercar essa luta de solidariedade ativa, forjando uma aliança entre trabalhadores e oprimidos que dê uma resposta nas ruas para o avanço da retórica golpista da extrema-direita mas também dos inúmeros ataques que buscam arrancar os direitos dos trabalhadores, através das reformas, privatizações e do roubo das terras indígenas.

Veja maisUnificar indígenas e trabalhadores nas ruas contra o golpismo bolsonarista




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