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Professores | "Essa escola é fria..."

“Essa escola tem quase 20 salas, mais pátio, corredores... e nós somos em apenas três, como a gnte faz pra deixar ela assim limpinha?!” Publicamos o relato de uma trabalhadora terceirizada da limpeza de uma escola da rede municipal de São Paulo que mostra as condições de super exploração e exposição que essas trabalhadoras encontram cotidianamente nas escolas na rede.

sábado 19 de junho | Edição do dia

“Essa escola tem quase 20 salas, mais pátio, corredores... e nós somos em apenas três, como a gnt faz pra deixar ela assim limpinha?! A escola é toda aberta, passa ônibus, caminhão, tem um estacionamento do lado, você limpa agora cedo e a tarde já está tudo sujo! A gente faz o nosso melhor todos os dias, você sabe, professor, essa escola é fria... Faz pouco tempo a gente teve que fazer um faxinão aqui, lavamos tudo, só nós três, o que aconteceu? Todas ficamos doentes. Uma de nós ficou até com pneumonia.”

Essa é a realidade de trabalho das trabalhadoras terceirizadas da limpeza das escolas públicas da rede municipal de São Paulo. Três trabalhadoras para limpar uma escola inteira todos os dias, e no meio da pandemia. Até o início desse ano ainda havia escolas na rede que contavam com um quadro de funcionários de limpeza maior, que ainda assim era insuficiente. Mas às vésperas da reabertura das escolas em fevereiro desse ano o então prefeito Bruno Covas, fez questão de igualar a rede e cortou para menos da metade o quadro das escolas em que não havia tido a redução ainda. Esse absurdo também é a realidade das escolas da rede estadual de São Paulo que Doria (PSDB) e seu secretário de educação Rossieli não mostram.

É assim que esses governos como o de Nunes (MDB) na prefeitura de São Paulo se importam com a educação e os trabalhadores. Desprezando a saúde e as vidas das trabalhadoras da limpeza das escolas, e agora Doria anuncia que em agosto as escolas poderão receber até 100% dos alunos matriculados. Além dos riscos, de contaminação em escolas sem infraestrutura adequada, imagina a carga de trabalho que essas trabalhadoras terão, não apenas com a limpeza cotidiana, mas com toda a sanitização necessária no meio de uma pandemia? Se não adoecer pela Covid, adoece pelas condições de trabalho.

Tudo isso é mais um exemplo do como a terceirização serve para aumentar ainda mais a exploração do trabalho e de como são justamente as mulheres as mais exploradas com a precarização. É por isso que não podemos aceitar que nos dividam entre trabalhadores efetivos e precários! Precisamos lutar lado a lado, efetivos e precários por contratação e pela efetivação das trabalhadoras terceirizadas sem necessidade de concurso.




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