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REVOLUÇÃO NAS RUAS, NAS CASAS E NAS CAMAS | Esquerda Diário, Faísca e Pão e Rosas promovem live LGBT e Marxismo no 52º aniversário de StoneWall

Neste segunda-feira (28), a juventude Faísca junto ao grupo de mulheres Pão e Rosas e o Esquerda Diário promoveram a live "LGBT e Marxismo: A revolução nas ruas, nas casas e nas camas’ com a participação de Virgínia Guitzel (estudante da UFABC), Leticia Parks (Fundadora do Quilombo Vermelho), Pedro Pequini (Estudante da Letras da USP) e Luno Santos (Estudante da UFRGS e membro do Centro Acadêmico Dionisio do curso de Teatro). Com mediação de Marie Castaneda, militante da Faísca e estudante da UFRN.

quinta-feira 1º de julho | Edição do dia

A live LGBT e Marxismo se propôs a debater uma concepção materialista histórica sobre a origem da repressão sexual e de gênero, o surgimento das identidades LGBT, a história de luta dos anos 60 até os dias de hoje, passando pelos terríveis e assombrosos períodos da ditadura militar, e pensando qual política revolucionárias as LGBT precisam levantar hoje para enfrentar Bolsonaro, Mourão e o regime do golpe institucional.

Antes dos participantes poderem trazer suas contribuições, Marie Castaneda que organizou o debate colocou toda a solidariedade da Faísca e do Pão e Rosas à Roberta, mulher trans que foi queimada viva em Recife, à Gabriel, jovem gay desempregado que foi brutalmente assassinado com 3 tiros no rosto em Embu das Artes e à Ana Paula, mulher bissexual que foi morta pelo ex namorado. A cada uma das vítimas LGBT mortas pelo simples fato de se recusarem a hetero e cisnorma, reforçamos o nosso ódio e o transformaremos em organização e luta. Logo em seguida, foi exibido o vídeo da intervenção da companheria Cristina Santos direto do ato em Recife por Justiça para Roberta.

Pedro Pequini abriu a discussão apresentando uma concepção materialista histórica sobre a origem da repressão sexual e de como através do surgimento do capitalismo, e também das possibilidades para identidades atreladas a atração afetiva e sexual entre pessoas do mesmo gênero, o capitalismo se apropriando do patriarcado aperfeiçoou a repressão sexual contra nossas identidades LGBT. Também resgatou toda a trajetória do marxismo revolucionário em acompanhar a luta contra a repressão e discriminação dos Estados capitalistas.

Luno Santos trouxe a apaixonante e poderosa luta dos anos 60, 70 e 80 com a irrupção da Revolta de Stonewall e de como os gritos de Marsha P. Johnson e Sylvia Rivera ecoaram em todo o mundo, influenciadas pelo Maio de 68, ergueram importantes organizações LGBT que questionavam não apenas a repressão sexual, mas também o capitalismo. Os exemplos de aliança entre LGBT organizadas e a classe trabalhadora mostraram um caminho que precisamos continuar a trilha. Assim como o balanço histórico do que significou o stalinismo, que atuou conscientemente para derrotar as lutas dos trabalhadores e para dividir a nossa classe com preconceitos e proibições dos Partidos Comunistas a estabelecerem relação com os grupos LGBT foram essenciais para enfrentar as falsificações que atrelam o marxismo ao "socialismo real" que foi, de fato, a sua negação.

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Leticia Parks resgatou a luta das mulheres lésbicas em plena ditadura militar no Brasil como uma força inspiradora para os enfrentamentos que temos hoje contra Bolsonaro, Mourão e os militares. Através das lições deixadas pelas lutas contra a polícia, os generais e em uma profunda aliança com a classe trabalhadora, Leticia fez um paralelo da luta LGBT na ditadura e nos dias de hoje, demonstrando como significa um retrocesso enorme para a tradição das lutas contra a repressão sexual, a política levantada por setores de esquerda do Impeachment, que colocaria 30 anos depois, um novo militar (saudosista da ditadura) de volta a presidência do país.

Virgínia Guitzel encerrou a live retomando os exemplos internacionais, onde as LGBT são linha de frente da luta de classes de Myamar á Colombia, milhares se levantam com questionamentos profundos aos planos de austeridade, a incapacidade dos governos capitalistas em combater um vírus e também questionando as normas de gênero e de sexualidade normativas.

Explicou como o Brasil condensa as duas realidades mundiais, de marginalização e mercantilização do sexo e das identidades LGBT. E a necessidade de conectar as bandeiras LGBT às lutas em curso pelo Fora Bolsonaro, Mourão e militares. Virginia também apresentou a proposta do Movimento Revolucionário de Trabalhadores de lutarmos por uma Nova Constituinte Livre e Soberana para defender a democracia com os métodos da classe trabalhadora e dos estudantes contra toda degradação fruto do golpe institucional, ao passo, que isso abre espaço para que os revolucionários possam lutar por um governo de trabalhadores em ruptura com o capitalismo.

O que para nós LGBT, significa também se apoiar na Teoria da Revolução Permanente, para que confiando na classe trabalhadora como sujeito revolucionário, batalhar por uma Revolução dentro da Revolução, para concretizar o sonho dos jovens de 1968: uma revolução nas ruas, nas casas e nas camas.

Para assistir a live completa é só apertar o PLAY:




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