Política

ELEIÇÕES EM SP

Escolha do Vice de Covas, Ricardo Nunes (MDB), marca o casamento golpista na disputa da Prefeitura de SP

Casamento inédito entre PSDB e MDB em São Paulo mostra que capital paulista é estratégica para a direita tradicional recuperar seu protagonismo no regime pós golpe.

quinta-feira 17 de setembro| Edição do dia

Ao escolher o desconhecido político emedebista Ricardo Nunes para compor a chapa, Bruno Covas sacramentou uma aliança inédita na cidade de São Paulo. Como dois protagonistas do regime político brasileiro, os dois partidos burgueses nunca haviam se coligado para disputa da prefeitura paulistana, uma cidade econômica e politicamente determinante no país.

A aliança inédita é a tentativa dos dois partidos, mais o DEM, de assegurarem uma posição estratégica vencendo na maior capital na primeira eleição pós golpe institucional e vitória do bolsonarismo. A coligação engloba ainda outros 8 partidos da direita tradicional DEM, Podemos, PSC, Progressistas, PL, PROS, Cidadania e PV, numa mostra das tentativas da direita tradicional de capitalizar a oposição a Bolsonaro numa frente ampla de olho em 2022.

A demagógica oposição dos tucanos a Bolsonaro, com Doria e Covas adotando um discurso diferente em relação à pandemia, mas que teve como resultado também milhares de mortes e sempre objetivou a reabertura da economia, ganha com a escolha de Ricardo Nunes um aceno para a direita mais conservadora adepta do bolsonarismo.

Empresário milionário e fundamentalista religioso, saiba quem é Ricardo Nunes

Ricardo Nunes está no seu segundo mandato como vereador. É um empresário milionário, o que cai como uma luva dentro do programa privatista de Covas a serviço de entregar os serviços públicos aos interesses privados de seus amigos empresários. Porém, o “diferencial” de Nunes para a chapa é que ele é um fundamentalista religioso, que compõe a bancada religiosa da Câmara Municipal.

Em 2015, Nunes liderou o movimento no legislativo paulista para eliminar do Plano Municipal de Educação qualquer menção à diversidade sexual, na paranóica caça à “ideologia de gênero”. “Eu sou pela sua família. Gênero não”, gritava o vereador Ricardo Nunes (MDB), num coro com pessoas usando faixas com a palavra “família”.

Durante as discussões do Código de Obras, ainda na gestão Fernando Haddad (PT), da qual fazia parte da base de apoio, foi o interlocutor da igreja católica para conseguir a anistia de impostos aos templos religiosos da capital, o que se confirmou no texto final.

Em 2017, a atuação de Nunes como interlocutor da igreja católica foi fundamental para assegurar o perdão das dívidas dos templos religiosos na capital, que totalizavam R$ 120 mil.

Como não podia deixar de ser, Nunes junto ao seu partido votaram pela aprovação da reforma da previdência municipal que atacou professores e demais servidores municipais, sendo aprovada debaixo de forte repressão da polícia aos manifestantes.

Por uma São Paulo dos trabalhadores

Diana Assunção da Bancada Revolucionária de Trabalhadores comentou sobre a confirmação da candidatura tucana e suas alianças: “Na cidade de São Paulo os golpistas se unificam para dar continuidade aos serviços sujos das gestões tucanas com a ampla privatização dos serviços públicos. Com um discurso demagógico buscam capitalizar a oposição a Bolsonaro, enquanto aplicaram na cidade os mesmos ataques econômicos, como o SAMPAPREV. Os capitalistas articulam a sua unidade, por isso é preciso que batalhemos pela unidade dos trabalhadores para colocar de pé uma resposta independente da nossa classe contra esses ataques”.




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