Internacional

SOLIDARIEDADE INTERNACIONAL

Entrevista com estivadores italianos que expressaram solidariedade à Palestina

A solidariedade internacionalista de setores de trabalhadores como os estivadores italianos que bloquearam um navio com armas para Israel demonstrou mais uma vez a enorme força que a classe trabalhadora pode exercer em escala mundial.

sexta-feira 28 de maio| Edição do dia

O que aconteceu nos últimos anos em alguns portos, na Itália e em outros países, é uma demonstração de enorme solidariedade de classe em escala internacional. O caso mais importante é sem dúvida o das mobilizações dos trabalhadores do porto de Génova. Começando, de fato, com os primeiros protestos de 2019 contra navios sauditas carregados de armas que são posteriormente usadas na guerra devastadora no Iêmen, uma solidariedade internacionalista profundamente enraizada e difundida se instalou no porto de escala da Ligúria. As greves dos "pequenos" CALP (Collettivo Autonomo Lavoratori Portuali) [Coletivo Autônomo de Trabalhadores Portuários da NdT] nem sempre conseguiram bloquear os "gigantes" navios sauditas. Mas essas ações dos estivadores de Gênova tornaram-se um exemplo para outros trabalhadores.

Há apenas duas semanas, um protesto muito semelhante contra os "navios da morte" foi instalado no porto de Livorno, na Itália. Entramos em contato com um dos trabalhadores que participou da mobilização para que nos possa explicar melhor o que aconteceu naquele porto da Toscana.

Em poucas horas, seu protesto contra a chegada do navio Asiatic Island ao porto de Livorno transpirou nas redes sociais de todo o mundo. Você pode explicar mais precisamente o que aconteceu?

Os camaradas do CALP, que por sua vez souberam disso graças ao trabalho da associação weapon watch, que fiscaliza o tráfico de armas nos portos europeus e mediterrâneos, informaram-nos que o navio Asiatic Island chegava ao porto de Livorno. Anteriormente, esse navio também havia feito escala no porto de Gênova, onde armas militares foram carregadas durante a noite e em absoluto sigilo, provavelmente munições de precisão e explosivos. Ao saber que o navio se dirigia ao porto de Ashdod, em Israel, imediatamente entendemos que o material de guerra seria utilizado na guerra de agressão do Estado de Israel contra os palestinos.

E eles não queriam ser cúmplices dessas atrocidades?

Exatamente. Então, tomamos providências para descobrir em qual terminal o navio iria atracar. Uma vez que descobrimos que ia parar no Terminal Dársena Toscana [Livorno porta porto NdT], entramos em contato com os colegas mais politizados e sensíveis que trabalham lá. Diante da possibilidade de mais armas serem carregadas, surgiu um forte desejo por parte dos trabalhadores de convocar uma greve e abster-se de trabalhar. Isso foi possível porque recebemos relatos de que havia dezenas de veículos militares blindados em um cais próximo, prontos para serem carregados. Mas na verdade, graças também à nossa mobilização, isso não aconteceu. Observamos de perto e o navio partiu com pressa naquela noite.

Podemos dizer que os protestos no porto de Gênova foram uma inspiração para sua mobilização?

Certamente podemos dizer isso. Os estivadores de Gênova e do CALP, em particular, foram os primeiros a relatar o carregamento e a passagem de navios com armas militares em portos italianos. Este é um problema relevante para todos os estivadores. Há pelo menos duas razões para isso. Por um lado, não podemos negar que existe uma questão moral: não queremos ser cúmplices de Estados que atacam civis ou fazem guerras. Por outro lado, carregar armas e trabalhar perto de navios que transportam explosivos é muito perigoso para todos nós. Este é um problema muito sério para um porto como Livorno, que historicamente viu um grande número de navios militares passarem, principalmente com destino à base americana próxima em Camp Darby [base militar americana na região da Toscana NdT].

No dia 8 de maio houve um encontro em Gênova de operários de vários portos italianos. Quem esteve presente e o que pensam dessas iniciativas?

Além dos nossos colegas de Génova, anfitriões do encontro, estiveram presentes os estivadores de Livorno e os operários dos portos de Trieste e Civitavecchia [Civitavecchia é uma cidade da província de Roma, NdT]. Esperamos poder expandir a frente em breve para incluir alguns portos do sul, como Nápoles e Taranto. O objetivo é conseguir uma forma de colaboração permanente entre todos os trabalhadores mais combativos dos portos italianos. Ocasiões como Gênova são importantes: estarmos juntos nos ajuda a entender que não estamos sozinhos e que lutar por um mundo melhor é justo e possível.




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