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Entrevista com Simone Ishibashi: "O que está por trás do massacre israelense na Faixa de Gaza?"

Entrevista com Simone Ishibashi: "O que está por trás do massacre israelense na Faixa de Gaza?"

Em uma semana marcada por um novo massacre israelense contra o povo palestino na Faixa de Gaza, entrevistamos Simone Ishibashi, editora do Ideias de Esquerda e doutora em Economia Política internacional pela UFRJ sobre essa opressão colonialista histórica.

O mundo assiste novamente a mais uma ofensiva sionista contra a população palestina na Faixa de Gaza. Relatar os números de mortos e feridos constitui-se como uma difícil tarefa, pois as cifras não param de crescer. Trata-se da investida mais violenta desde 2014, quando o Estado de Israel mobilizou 53.200 homens, dentre os 65 mil reservistas, para a invasão aos 362 quilômetros que compõem a Faixa de Gaza, nos quais vivem 2 milhões de pessoas, compondo a maior densidade populacional do mundo, vivendo nas precárias condições. Naquela ocasião foi dada a ordem para a ação militar terrestre, e foram mortos 13 soldados israelenses, o que abriu caminho para um aprofundamento do giro à direita da sociedade israelense.

Agora, o massacre iniciado em 15 de maio contra os palestinos novamente bombardeia sem cessar, em um contexto agravado pela pandemia do coronavírus no qual enquanto se comemorava o maior índice de vacinação do mundo em Israel os palestinos continuavam sem vacinas. O símbolo da ofensiva atual é a explosão do prédio que abrigava os meios de comunicação em Gaza, inclusive dos meios ocidentais, o que fez com que diversos jornalistas desmintam Benjamin Netanyahu para dizer o óbvio: não se trata de uma ação que visaria “proteger” os israelenses contra o Hamas, mas de um ataque cujos objetivos são agressivamente ofensivos, que remete às brechas abertas no interior do cenário político israelense. Tanto que contabiliza-se o assassinato de 28 crianças, destruição de escolas, hospitais, enquanto segue o cerco humanitário à Faixa de Gaza.

O Ideias de Esquerda entrevistou Simone Ishibashi, doutora em Economia Política Internacional pela UFRJ, e militante do MRT e apoiadora da causa palestina há mais de 15 anos.

IdE: Em outros artigos e estudos sobre a questão palestina, você diz que não é possível entender de qualquer ataque de Israel à Faixa de Gaza, como o atual, sem entender a natureza do Estado de Israel, que deriva do seu processo de fundação. Poderia nos detalhar melhor isso?

A narrativa oficial forjada pela cúpula política israelense e pelo imperialismo, sobretudo estadunidense, alimenta o falso senso comum de que o conflito entre os palestinos e o Estado sionista de Israel seria o produto da ação de grupos terroristas árabes, que teriam uma espécie de ódio gratuito aos israelenses. Esta é uma das maiores farsas históricas já vistas. O fato é que os palestinos são vítimas de um dos mais absurdos exemplos de expansão colonialista e imperialista da história da humanidade. E saber isso é chave para entender corretamente os conflitos que se dão lá.

O Estado de Israel foi fundado a partir da resolução 181 da ONU, em 1947, sendo portanto, um Estado artificial. Anteriormente à sua criação, o povo judeu vivia espalhado por diversos países da Europa. Inclusive muitos nomes proeminentes do marxismo revolucionário, a começar pelo próprio Marx, mas também Trotsky e Rosa Luxemburgo tinham origem judia e se identificavam e dedicavam suas vidas à elaborar a estratégia da causa internacionalista da classe trabalhadora. Portanto, a expansão colonialista tampouco é inerente ao povo judeu, sendo em sua origem o produto de interesses da burguesia sionista, questão que voltarei mais adiante.

Pouco se fala disso hoje, mas em todo o Oriente Médio, e mais especificamente na Palestina, durante diversos séculos os judeus conviveram pacificamente com os árabes. Em 1917 co-habitavam nos 26 mil km2 que constituía o território histórico da Palestina cerca de um milhão de palestinos e cem mil judeus. Naquele momento, a Palestina era controlada pela Grã-Bretanha, que já em 1921 tentou dividir o território deixando 80% das terras para os árabes, e 20% para os judeus. É com o mandato britânico que se iniciam as tentativas de forjar um enclave imperialista na Palestina, já que desde aí buscavam privilegiar com diversas políticas os sionistas, ainda que de maneira mais gradual do que a política que se deu após a criação de Israel.

É importante lembrar que na sua origem o “sionismo” tinha uma conotação religiosa, mas com o decorrer do tempo, e mais especialmente com a articulação da burguesia sionista e as burguesias imperialistas, o termo “sionista” passou a distinguir aqueles setores dos judeus que tinham como projeto criar um Estado unicamente judeu. Teodor Herzl, que foi um dos principais fundadores do sionismo como corrente política daquele momento não hesitou em firmar pactos com personagens antissemitas confessos, como membros do czarismo russo que prometeram no início do século XX financiar uma caravana em direção à Palestina sob a condição de que os sionistas convencessem os judeus a abandonar os partidos operários e socialistas na Rússia, e a sua luta contra o czarismo. Herzl foi o criador da máxima de que a Palestina seria “uma terra sem povo, para um povo sem terra”. No entanto, a Palestina estava longe de ser uma terra sem povo.

IdE: E esse foi o lema que se usou para fundar o Estado de Israel no território palestino?

Exatamente. Uma mentira. Ben Gurion, o dirigente do movimento sionista desde meados da década de 1920 até os anos 60, tinha exigido em 1942 a totalidade do território da Palestina para a fundação do novo estado exclusivamente judeu. Mas é importante saber que esse clamor era minoritário entre os judeus, e só após a Segunda Guerra Mundial que o movimento sionista obteve o apoio do imperialismo norte-americano e das demais potências para criar um Estado judeu. O imperialismo norte-americano, apoiado pelas potências europeias, utilizou-se da justa aspiração do povo judeu de viver em segurança após mais de 6 milhões de judeus assassinados pelos nazistas, para dar uma “saída” reacionária a essa demanda. Seu objetivo era óbvio: construir um enclave que servisse ao imperialismo como plataforma para seus interesses na estratégica região do Oriente Médio. Com isso o movimento sionista ganhou peso. Com a votação da criação do Estado de Israel imediatamente abriu-se o problema sobre o que fazer com os palestinos que viviam lá. A resposta do imperialismo e da burguesia sionista foi expulsá-los de suas terras. E aqui também o stalinismo mostrou mais uma vez a faceta traidora ao rasgar a bandeira do internacionalismo, pois a URSS apoiou a criação do Estado de Israel. E isso teve um grande impacto entre os militantes dos PCs árabes, que tinham uma grande influência em diversos países, como no Iraque, e estavam se preparando para combater militarmente a formação do Estado de Israel.

IdE: Mas o povo palestino resistiu a isso?

Claro. Bravamente e de muitas formas. E resiste até hoje, como estamos vendo em pleno ano de 2021 como falaremos adiante, mesmo com a imensa disparidade existente entre as Forças Armadas israelenses, uma das mais bem equipadas e letais do mundo. Para que se tenha uma ideia, um ano após a criação de Israel pela ONU ocorre a guerra de 1948-1949 em que os palestinos organizaram uma resistência para manterem-se em suas terras ancestrais, que foi vencida pelos israelenses. Como resultado houve uma ampliação do domínio do Estado de Israel por uma área de 20 mil km², o que corresponde a 75% da superfície da Palestina! Isso provocou a expulsão de aproximadamente 900 mil palestinos, que deixaram suas casas e terras, agora ocupadas por Israel. Com a guerra de 1967, Israel estendeu ainda mais suas fronteiras, expulsando e oprimindo muito mais os palestinos. Para dar uma dimensão aos nossos leitores da extensão da política colonialista. Entre os dias 5 e 10 de junho de 1967, na Guerra dos Seis Dias, Israel anexou a seu território a Península do Sinai, a Faixa de Gaza, a Cisjordânia, Jerusalém e as Colinas de Golã. Em seis dias, o território ocupado por Israel foi de 20.720 km² para 73.635 km²!

IdE: E qual foi o papel dos Estados Unidos nisso?

Foi e é essencial. Cabe lembrar que um dos motivos principais da vitória israelense foi a tecnologia bélica detida pelos israelenses, fortemente amparados pelos EUA. Em 07 de junho de 1967 os israelenses haviam conquistado toda a cidade de Jerusalém, tomando-a simbolicamente com o hasteamento da bandeira de Israel no Muro das Lamentações. No dia 08 de junho, a Península do Sinai e boa parte da Cisjordânia estavam sob controle israelense. Como não houve um rápido cessar-fogo, os israelenses continuaram a avançar sobre território sírio, tomando as Colinas de Golã. Os árabes perderam cerca de 15.000 homens, mais de 400 aviões e 800 tanques, enquanto os israelenses tiveram baixas na ordem de 800 pessoas e pouco mais de 40 aeronaves. Desde então os palestinos são obrigados a viver em áreas sem unidade territorial. Uma parte está na Faixa de Gaza, onde vivem quase 2 milhões de pessoas em 360 km quadrados, uma ínfima parcela do território histórico da Palestina, e é governada pelo Hamas, enquanto há uma outra parcela dos palestinos que vivem em Israel, mas são desprovidos dos mesmos direitos que os israelenses. A mentira da solução de dois Estados, um israelense e um palestino, em que tentou-se pactuar nos acordos de Oslo e de Camp David, negaria aos palestinos refugiados o direito de retornarem ao seu país, e condenaria os palestinos da Faixa de Gaza e das Cisjordânia a viverem sem qualquer unidade territorial. Não seria um Estado palestino de fato. Desde a assinatura dos Acordos de Oslo em 1993, que prometia aos palestinos a ficção de dois Estados na pequena área da Faixa de Gaza, as colônias judaicas da Cisjordânia consideradas ilegais até mesmo pelos organismos internacionais imperialistas, como a ONU, aumentaram mais de três vezes.

Como produto desse conjunto de fatores, um imenso contingente de refugiados permaneceu disperso pelos campos espalhados em vários países no Oriente Médio. Estima-se que hoje existem cerca de 8 milhões de palestinos que vivem como refugiados, e não podem voltar para suas casas. Por isso a revolta palestina é não apenas justa, como um dos maiores exemplos a serem apoiados mundo afora, porque se enfrentam com um brutal colonialismo israelense e desmascaram a hipocrisia imperialista, que enquanto fala de “paz” na ONU patrocina Israel para massacrar os palestinos.

IdE: Realmente esse contexto histórico permite um entendimento mais profundo. E o que está acontecendo agora?

É, esse contexto é tão presente, que não foi à toa que Benjamin Netanyahu escolheu justamente o dia 15 de maio para começar os novos ataques à Faixa de Gaza, já que esta é a data que marca a Nakba, ou seja, um dia de resistência e luta palestina contra a fundação do Estado de Israel em 1947. Agora o Estado de Israel lançou uma grande operação militar novamente sob o pretexto de se “defender dos “ataques terroristas” do Hamas, organização que governa a Faixa de Gaza. A Faixa de Gaza vive sob cerco, com a sua população sem ter o direito sequer de receber ajuda humanitária. Até mesmo os grandes meios de imprensa da própria burguesia tiveram que assumir que se trata de uma escalada militar previamente calculada, que tomou a forma de uma sucessão de provocações em Jerusalém Oriental, a área árabe da cidade ocupada por Israel, à qual o Estado de Israel quer ocupar crescentemente através de grupos de colonos ultradireitistas.

Isso inclui a proibição do acesso palestino aos locais sagrados durante o mês do Ramadã, a evacuação da mesquita de Al Aqsa com gás e balas, as celebrações de setores da ultradireita ortodoxa de um novo aniversário da ocupação de Jerusalém e as sucessivas repressões nas quais centenas de palestinos foram feridos e detidos. Mas talvez o mais significativo, devido à sua alta carga simbólica, tenha sido a ordem judicial para a expulsão de seis famílias palestinas de suas casas em Sheikh Jarrah, dando origem à reivindicação de um grupo de colonos. A lei israelense dá aos judeus o direito de reivindicar propriedade em Jerusalém declarada como sua antes da divisão do território em 1948, enquanto nega absolutamente esse direito aos palestinos expulsos, que não podem fazer tal reivindicação em Jerusalém ou em nenhuma outra parte de Israel.

IdE: Mas além dessa expansão, existem outros objetivos que Benjamin Netanyahu busca com essa ofensiva atual?

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu sempre foi um dos mais abertos e violentos defensores da expansão dos colonos de ultradireita sobre os escassos territórios palestinos. Com essa ofensiva, e sua narrativa de que teria destruído postos do Hamas, recoloca no centro da política israelense o tema militar, do qual sempre tira proveito político, mesmo que a alegação das conquistas militares contra o Hamas sejam absolutamente pífias, e na verdade tenha ficado claro que os bombardeios contra Gaza mataram realmente os civis. Mas isso se dá em um momento em que Netanyahu se via cada vez mais cercado por escândalos de corrupção, cujo resultado poderia ser inclusive sua prisão, aprofundada pela falência de sua tentativa de compor um novo governo após as conturbadas eleições de 5 de maio.

O cenário político de crise em Israel não vem de hoje. Nas eleições havia uma possibilidade real de saída de Netanyahu após 12 anos de poder, e este enfrenta oposição tanto do movimento pacifista, como de coalizões de ultra-direita formadas por nomes como Naftali Bennett, que buscava englobar numa frente contra Netanyahu inclusive o bloco de partidos árabes que atuam no Knesset, parlamento israelense. Mas como assinala Claudia Cinatti “essa tentativa de oposição foi enterrada sob os escombros de Gaza. A unidade nacional sionista e religiosa em torno da defesa do Estado de Israel jogou a favor de Netanyahu, que continuará mesmo como primeiro-ministro interino até que sejam convocadas novas eleições (a quinta desde 2019). Desta forma, Bibi, como é apelidado, acaba com a sinistra perspectiva de ir para a cadeia pelas acusações de corrupção que enfrenta. E ele espera que a combinação da demonstração de poderio militar com a vacinação bem-sucedida contra a Covid-19, junto com o apoio renovado dos Estados Unidos e da União Européia, dê a ele um novo mandato”. Vejamos até onde isso dura.

IdE: Você tratou bastante do papel dos EUA para a fundação e expansão do Estado de Israel no passado. E hoje? Como Biden tem se localizado?

É aí também a posição de Biden possibilita fazer uma experiência bem rápida, no sentido de lançar por terra as ilusões de que o governo estadunidense sob seu comando seria absolutamente distinto daquilo que é comum ao principal imperialismo. Como em outros momentos o governo estadunidense apoia Israel, e tenta articular um pacto entre Netanyahu e o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Abbas, para negociar um cessar-fogo, que evidentemente deixarão impunes as 150 mortes de civis palestinos. O Hamas, que governa a Faixa de Gaza, é excluído de tais acordos e o Egito, chefiado por Fatah Abdel Al Sissi desde o golpe de 2014, é quem ficou com a tarefa de intermediar indiretamente junto à organização islâmica. Seja como for, porque o resultado ainda está longe de se definir, o que se mostra é que Biden de forma alguma condena os ataques de Israel, um aliado estratégico, o que o coloca em uma situação complicada. De um lado, setores dos democratas criticam seu apoio à ultra-direita israelense, mesmo que sem questionar as bases da aliança estratégica com Israel, e também obriga as atenções da política externa estadunidense a voltar-se novamente ao Oriente Médio, em um contexto em que os grandes desafios vem da China e outras áreas do mundo.

IdE: A causa palestina deflagrou uma série de mobilizações mundo afora. Mas como resolver efetivamente essa complicada situação, de modo a que os palestinos conquistem suas demandas?

Essa é uma pergunta muito importante. Inúmeras manifestações aconteceram em distintos países contra o ataque israelense ao povo palestino. Outro exemplo enorme em importância foi a paralisação de portuários italianos que não queriam transportar armas para Israel. É preciso que dessa solidariedade de classe fundamental, mas elementar, se avance para a compreensão de que enquanto o Estado sionista continuar existindo como tal, sua natureza colonialista perpetuará em derramamento de sangue dos palestinos. Somente garantindo-se o direito de retorno dos milhões de refugiados palestinos, acabando com o cerco material que condena os palestinos a viverem em acampamentos ou na Faixa de Gaza, é que uma solução pode ser obtida.

A “solução” de dois Estados, um palestino e um judeu, isto é Israel, não oferece qualquer saída ao povo palestino. Primeiro porque nega sua identidade como povo, já que os obrigaria a viver em áreas sem qualquer unidade territorial, em uma região infinitamente mais restrita que seu território histórico, o que tornaria impossível que os refugiados voltassem. Segundo porque sequer seria garantido que a expansão colonialista israelense cessaria. O Estado de Israel é um Estado racista, colonialista, teocrático apesar de seu verniz “moderno”, um verdadeiro enclave imperialista na região, e que nasceu da negação do direito elementar à autodeterminação nacional do povo palestino. Tampouco serve aos trabalhadores judeus, porque como dizia Marx um povo não pode ser livre se oprime outro.

O Al Fatah, que governa a Autoridade Nacional Palestina, já capitulou frente ao imperialismo, sendo um agente da ordem, enquanto a estratégia do Hamas, embora com mais capilaridade na população palestina é apoiado por distintos governos reacionários da região, ao impor um caráter religioso à resistência é um empecilho para que se dê uma legítima luta pela libertação nacional do povo palestino. Portanto, os trabalhadores e o povo palestino, superando as atuais direções, são os que podem abrir caminho para uma Palestina laica, socialista e não racista, oferecendo uma solução de fundo e apontando para um novo rumo, não apenas para si, mas para todos os povos da região.

Aqui no Brasil já sabemos que dentre as várias posições reacionárias do Bolsonaro inclui-se o alinhamento total com Israel. Inclusive não é raro que nas manifestações bolsonaristas vejamos pessoas empunhando a bandeira de Israel. Isso tem bases diversas, como a defesa do Estado de Israel por parte das agremiações neopentecostais, base que Bolsonaro busca solidificar como sua, que podemos fazer uma outra entrevista para detalhar melhor. Mas as razões fundamentais remetem-se ao enorme servilismo de Bolsonaro à agenda do imperialismo estadunidense, sobretudo na era Trump, mas que segue vigente mesmo após a sua queda. Portanto, parte de combater o reacionarismo em política externa de Bolsonaro é defender o povo palestino contra o massacre que estão sofrendo hoje. Sem qualquer ilusão em Biden, cuja vitória foi comemorada por alas da esquerda brasileira. Essa tarefa é essencial.

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