Mundo Operário

PROTESTO DE ENTREGADORES

Entregadores protestam em Osasco contra apreensão de motos pela polícia por conta da "placa vermelha"

Nesta terça-feira, entregadores foram até a prefeitura de Osasco se manifestar contra as autoritárias apreensões de moto que a polícia tem feito na região. As blitz policiais estão exigindo que as motos tenham "placa vermelha", com isso, dezenas de entregadores têm ficado sem fonte de renda em meio à pandemia.

terça-feira 16 de março| Edição do dia

Ato de hoje em Osasco (Foto: Reprodução Instagram tretanotrampo)

"Nós que estamos na rua levando o pão de cada dia nosso e de vocês também", afirma o entregador em vídeo da manifestação ocorrida hoje, em frente à Prefeitura de Osasco, contra a exigência da "placa vermelha" para entregadores de aplicativo e o autoritarismo da polícia que tem apreendido motos que não seguem essa diretriz. São milhares de entregadores no Brasil que não têm esse licenciamento, uma vez que é um processo que pode chegar a custar mais de 1000 reais. Ontem, segunda feira, entregadores de Osasco e Carapicuíba já haviam se manifestado também contra essa exigência.

Como já discutimos neste outro texto, que faz uma análise jurídica e política sobre essa questão da "placa vermelha", a luta dos entregadores precisa contemplar a categoria como um conjunto, unindo motoboys, motofretistas e ciclistas na luta para serem reconhecidos como trabalhadores destinatários de direitos. É necessário permanecerem juntos exigindo trabalho digno para todos e discutindo em reuniões e assembleias quais devem ser as melhores leis para garantir para toda a categoria que sejam reconhecidos como trabalhadores pelas empresas e que tenham todos os direitos garantidos.

As leis que exigem a placa vermelha dividem a categoria, ao gerar a expulsão de entregadores eventuais e/ou iniciantes, sem experiência e não licenciados. Ou seja, defendem que entregadores que não sejam “profissionais da área” não possam mais trabalhar com isso. Em resumo, a placa vermelha pretende agradar a um restrito setor da classe de entregadores, enquanto deixa de fora outros milhares (os que estavam desempregados e aderiram recentemente aos apps, os que trabalham pelos aplicativos como uma forma de complementação de renda e assim por diante).

Com isso, busca-se controlar a oferta e aumentar o valor da contraprestação por meio da redução do número de entregadores nos aplicativos, mas sem resolver o problema do desemprego e do rebaixamento de renda, que são problemas estruturais do país. Isso supostamente faria a demanda aumentar para os que ficam. O resultado: um aumento de demanda para alguns, sem sequer garantia de aumento de renda, às custas da retirada da possibilidade de renda de milhares de famílias, enquanto as empresas de aplicativos seguem com sua alta margem de lucro. Por isso ressaltamos que a luta precisa ser de todos os entregadores contra os empresários dos aplicativos e contra a omissão do governo. Uma disputa entre os próprios trabalhadores só é capaz de trazer prejuízos à própria classe e atraso na luta por conquista e avanço de direitos.




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