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Entre disputa de Bolsonaro e Dória, Butantã reclama de atraso na liberação de insumo para vacina

Dimas Covas, diretor do Instituto Butantã, reclamou sobre a demora da Anvisa de analisar o pedido formal da liberação excepcional de importação de insumos da empresa farmacêutica Sinovac, destinados à produção da vacina Coronavac. O pedido foi realizado no dia 23 de setembro, segundo a rádio CBN.

sexta-feira 23 de outubro| Edição do dia

“Só deve deliberar sobre o tema daqui a três semanas”, diz o Instituto Butantã, e que isso impactaria “as perspectivas de produção e disponibilização de vacina contra a Covid-19 para a população brasileira”. Matéria do portal Isto é informa que a queixa do Butantã sobre a demora na liberação foi revelada pela Folha e confirmada pelo Estadão junto ao Instituto.

Essa reclamação está contextualizada na disputa retórica entre o Ministro da Saúde Eduardo Pazuello, o governador de São Paulo João Doria, e o presidente de extrema-direita Jair Bolsonaro, que chegou a determinar que, para manter o ministro da Saúde no cargo, ele teria que se retratar publicamente sobre a permissão da produção da vacina chinesa.

Isso se mostrou em uma coletiva de imprensa que foi dada pelo secretário-executivo da pasta, Elcio Franco, voltando atrás sobre o plano de compra de 46 milhões de doses da vacina de Doria. Na tarde de quinta, 22, Pazuello gravou um vídeo com o presidente.

A disputa retórica acaba colocando vidas de milhões de trabalhadores, negros e pobres, de toda a população em risco, entre a busca de prestígio e a avaliação de qual monopólio internacional terão os lucros garantidos. Nem Bolsonaro, nem Dória, fizeram algo para impedir os óbitos da pandemia, sem garantia de, nem ao menos, testes massivos para rotear o vírus e realizar quarentena consciente. Por um lado, Bolsonaro com seu discurso negacionista, por outro, Doria imitava o desprezo de Bolsonaro pela saúde pública. Ambos se negaram a impor a reconversão da produção industrial que seria capaz de produzir respiradores mecânicos e leitos de UTI, obrigou milhões de pessoas a seguir trabalhando nas fábricas e galpões de logística em condições insalubres, e permitiu aos empresários demitir funcionários cujas famílias amargaram o desemprego em meio à pandemia. Esses representantes dos empresários, dos lucros, estiveram com os capitalistas contra a resolução da crise sanitária.

Na realidade, fortaleceram a repressão policial, e agora Doria quer aprofundar a coerção estatal impondo a obrigatoriedade da vacina. Ao contrário da repressão, qualquer medida sanitária deve partir do amplo acesso ao conhecimento e resultados das pesquisas em relação a vacina, e todas as formas de tratamento e prevenção, disponibilizando todos os recursos necessários para que o conhecimento científico não seja limitado à uma parcela pequena da população. A repressão direta do Estado, incapaz de resolver qualquer problema durante todo o ciclo da pandemia, está a serviço de um maior controle social em meio ao alto desemprego e a raiva dos setores populares contra os ajustes.

Nem Bolsonaro, nem Doria, vão garantir acesso universal e gratuito à vacina. Não podemos cair na armadilha das disputas entre a extrema direita e os golpistas. Devemos batalhar para que nossas vidas não estejam a serviço dessas disputas políticas e dos lucros dos monopólios que brigam pelos bilhões oferecidos pela vacina. Ela precisa ter produção estatal, sob controle e fiscalização das organizações de trabalhadores da saúde e científicas, e distribuição rápida e massiva para todos que queiram, assim como as demais medidas, equipamentos e condições de prevenção e tratamento contra a Covid-19, e que todo sistema de saúde seja centralizado sob controle dos trabalhadores, para que possa atender a população e não os lucros dos grandes empresários.

Veja também: Contra Bolsonaro e Doria, defendemos acesso universal e gratuito à vacina para todos que queiram




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