Sociedade

QUE OS CAPITALISTAS PAGUEM PELA CRISE

Enquanto trabalhadores sofrem com a crise, magnatas da tecnologia aumentam seus patrimônios

Os top 5 que mais lucraram em 2020 acumularam uma fortuna de US$244,4 bilhões durante a crise econômica que se agravou durante a pandemia, ou seja, essa crise que ocorre pelas mãos dos capitalistas é paga pelo aumento da exploração dos trabalhadores, enquanto os lucros só aumentam na esfera dos grandes magnatas donos do mundo da tecnologia.

quarta-feira 23 de dezembro de 2020| Edição do dia

Imagem: Jeff Bezos, dono do império Amazon (Joe Cummings / Financial Times)

Segundo o Bloomberg Billionaires Index, as 5 pessoas mais ricas de 2020, ou seja, aquelas que mais acumularam bilhões de dólares durante a crise sanitária, são: Jeff Bezos, Elon Musk, Bill Gates, Bernard Arnault e Mark Zuckerberg; todos magnatas da tecnologia, exceto Bernard Arnault que é dono de um grupo de marcas de luxo como Moët & Chandon e Louis Vuitton.


Foto: Bernard Arnault (AFP VIA GETTY IMAGES)

Juntos, os 5 acumularam o valor de US$ 244,4 bilhões neste ano, enquanto a vida da classe trabalhadora está sendo precarizada, seus direitos e sonhos arrancados, para que os capitalistas não percam um centavo de seus lucros e ainda usem da crise para enriquecerem ainda mais.

Jeff Bezos, dono do império Amazon, lucrou e muito com a pandemia, o lockdown de alguns países e os ataques contra a classe trabalhadora, vendo seu patrimônio crescer US$72,7 bilhões em 2020. Atualmente, sua fortuna é estimada em US$188 bilhões.

Pode interessar: Amazon é pega em flagrante contratando espiões para reprimir organização dos trabalhadores.

O campeão que mais enriqueceu em 2020 foi o empresário sul-africano Elon Musk, CEO da Tesla, que trabalha com o desenvolvimento de energia sustentável e produção de carros elétricos. Recebeu pela sua exploração da vida dos trabalhadores, US$ 129 bilhões em 2020, somando um patrimônio estimado agora em US$157 bilhões.


Foto: Elon Musk (HANNIBAL HANSCHKE / AFP)

Bill Gates, da Microsoft, apesar de ter caído de posição, segue ainda no ranking dos mais ricos do mundo, ganhando esse ano US$17,7 bilhões. O empresário e a mulher possuem uma fundação assistencialista contra a extrema pobreza e crises sanitárias, mas isso com o uso do dinheiro que lucra pela exploração da própria classe trabalhadora, e seu alinhamento com as políticas imperialistas norte-americanas. Por meio dessa fundação, Gates doou US$ de 250 milhões para ajudar no desenvolvimento e distribuição de vacinas contra a covid-19, valor irrelevante para o magnata.


Foto: Bill Gates (Bloomberg/Colaborador/Getty Images)

Mark Zuckerberg, dono do Facebook, Instagram e Whatsapp, ganhou US$25 bilhões em 2020, acumulando uma fortuna estimada em US$103 bilhões.


Foto: Mark Zuckerberg (Reprodução Facebook)

Depois desse top 5, os bilionários que seguem são da Berkshire Hathaway, dono de marcas como a Duracell, empresários da Google, Microsoft e Oracle.

Diante de um ano, quando mais de 1,7 milhão de vidas já foram perdidas pela pandemia; quando essa crise leva a perspectivas de que em 2021 mais 150 milhões de pessoas podem entrar na extrema pobreza, segundo o Banco Mundial; magnatas enriquecem e lucram com a desgraça e o desespero da classe trabalhadora.

A própria tecnologia, seus avanços e pesquisas, ficam subjulgados aos lucros destes, enquanto que se estivesse sob controle dos trabalhadores seu desenvolvimento estaria focado em melhorar a relação da humanidade entre si e com a natureza.

O essencial que não pode ser deixado de lado é que essas fortunas são fundadas pelas mãos dessa classe trabalhadora, pois é ela que tudo produz, por isso à ela que tudo pertence. Qualquer luta hoje que não caminhe para o rompimento com o capitalismo, a classe burguesa e seus aparatos (inclusive os repressivos e autoritários), é uma luta em vão que tenta maquiar ou enganar os trabalhadores e os oprimidos que têm seus sangues derramados em prol do lucro de poucos. É preciso uma forte luta para que sejam os capitalistas que paguem por essa crise.

Veja aqui - Manifesto: Propostas do MRT diante da crise no Brasil e no mundo.




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