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Imperialismo | Enquanto população passa fome, governo garante entrega de bilhões para a dívida imperialista

Através de um “remanejamento” orçamentário aprovado às pressas no fim do ano passado, o governo Bolsonaro garantiu a entrega de mais de R $3 bilhões para o pagamento de dívidas com organismos imperialistas.

sexta-feira 7 de janeiro | Edição do dia

Nos últimos dias de 2021, o Ministério da Economia de Paulo Guedes direcionou um valor de R$ 3,64 bilhões do Orçamento governamental brasileiro para a quitação de dívidas do Brasil com diferentes organismos internacionais. O pagamento se dá em meio à ameaça, por parte dos organismos imperialistas, de sanções ao Brasil caso o governo do país não providencie o pagamento de valores que se aproximam de R $8 bi.

Como não é raro, o dinheiro que empresários, “especialistas” e governantes sempre afirmam estar em falta quando se trata de suprir demandas da população foi garantido sem grandes problemas para o pagamento das dívidas internacionais. Falando à Folha de São Paulo, técnicos do governo apontaram que parte do dinheiro foi liberado a partir de uma autorização do congresso para que o governo tomasse créditos extraordinários - que não entram no Teto de Gastos - para o pagamento de parte dos gastos do Auxílio Emergencial, portanto “folgando” o orçamento.

Dessa forma, enquanto crescem a fome e o desemprego e os preços de itens básicos de consumo decolam, a quase totalidade dos R$ 3,74 bilhões “liberados” foi enviado para o pagamento de cotas brasileiras na ONU, na Organização Mundial do Comércio, na Organização Internacional do Trabalho, na Organização para a Proibição das Armas Químicas, no Tribunal Penal Internacional, no Mercosul e na Organização dos Estados Americanos, além do Novo Banco de Desenvolvimento, ligado aos chamados “BRICS” (grupo econômico de países emergentes, que inclui Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

Em vários destes organismos, a urgência do pagamento vinha da pressão direta dos órgãos, que ameaçavam o Brasil com a perda de direito ao voto e mesmo da participação plena, efetivamente colocando o país no ostracismo caso não envie bilhões de seu orçamento para fora em um momento em que a miséria cresce entre a população, fruto da crise capitalista. Ao todo, a dívida brasileira com organismos internacionais totaliza R $7,8 bilhões.

Em um ofício enviado pelo Ministério das Relações Exteriores ao da Economia, obtido pela Folha, afirma-se que "Os pagamentos efetuados na última semana de 2021 evitaram perda de voto em diversos organismos internacionais, de que é exemplo mais notório a Organização das Nações Unidas, em cujo Conselho de Segurança o Brasil acaba de voltar a ocupar assento", além de que "o país também manterá sua plena atuação na Organização Mundial do Comércio, na Organização Internacional do Trabalho e na Organização para a Proibição das Armas Químicas, entre outros".

Ao mesmo tempo que tornam-se no Brasil cada vez mais comuns cenas de trabalhadores se atirando em filas do osso e do lixo em busca de alimentos, em que mais e mais se encontram no desemprego ou subemprego, e que frente ao aumento da inflação, milhões se veem forçados a escolher entre pagar contas ou comprar comida, caem por terra as esfarrapadas desculpas inuversalmente dadas pelos apologistas da miséria capitalista e da “responsabilidade fiscal” de que “não há dinheiro”, vomitadas enquanto ficava patente a insuficiência do auxílio de R$ 600 para sustentar a população. Mesmo o “todo poderoso” Teto de Gastos, propagado aos quatro ventos como a “única saída para salvar o orçamento” se mostra só valer mesmo para cortar do orçamento os gastos sociais, enquanto pode ser nada cerimoniosamente contornado quando surge a pressão de submeter o orçamento aos desejos do imperialismo. E os chamados “organismos internacionais”, bem como a dívida estatal seguem como mecanismos de submissão e exploração dos trabalhadores, um destino inescapável nos marcos da submissa situação brasileira no capitalismo mundial, que empurra cada vez mais o país a esmagar os trabalhadores na fome em nome do lucro capitalista.




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