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GREVE DOS CORREIOS

Enquanto os militares aumentam seus privilégios, trabalhadores dos Correios têm 70 cortes no seu acordo coletivo

O general Floriano Peixoto, atual presidente dos Correios, instalou um verdadeiro pacote de maldades contra os trabalhadores da categoria, realizando 70 cortes no acordo coletivo, depois de não ter garantido EPI´s adequados e condições de trabalho para combater o coronavírus.

terça-feira 18 de agosto| Edição do dia

A proposta é a de reduzir o adicional noturno e de férias dos funcionários, assim como os valores pagos na licença maternidade. A indenização por morte ou invalidez e o pagamento de multas também estão na lista de cortes.

Enquanto despejam nas costas dos trabalhadores inúmeros ataques, os militares têm cada vez mais privilégios,como a aprovação da Reforma da Previdência dos militares, encaminhada ao Congresso no final de 2019 que na prática aumentou os privilégios dos generais; ou mesmo a proposta do Centro de Intendência da Marinha em Niterói, que queria gastar 2.8 milhões para a compra de brindes como pares de brincos, echarpes, porta-retratos, além de canetas, porta-bolsas, ‘cristal prisma’, moedas, estatuetas fundidas em metal e lapiseiras, enquanto mais de 100 mil brasileiros já morreram de Covid em meio à falta de testes, leitos e respiradores; e a escolha de Bolsonaro de ceder a pressão de militares e encaminhar proposta ao congresso de um aumento R$ 5,8 bilhões no orçamento do Ministério da Defesa.

Veja também: Privilégio Militar: Bolsonaro quer Ministério da Defesa com mais verbas que o MEC em 2021

Contra o avanço dos ataques dos governos e dos patrões, os trabalhadores só podem recorrer a eles mesmos, sem nenhuma confiança no Congresso, STF e governadores que inúmeras vezes diferiram e apoiaram ataques a classe trabalhadora. Precisam se apoiar na importante vitória dos terceirizados dos Correios em Campinas, que arrancaram por meio da luta o pagamento de seus salários. Esse forte exemplo deve servir de base para que toda a categoria garanta seus direitos através da mobilização, impondo que a burocracia sindical do PT e do PCdoB rompam sua trégua com Bolsonaro. Por isso, a necessidade da construção de assembleias a partir de cada local de trabalho é algo essencial, pois permitirá a autoorganização dos trabalhadores em um espaço democrático onde todos poderão se colocar.

Como alternativa para o país, são os trabalhadores que precisam demonstrar sua força na mobilização e também decidir os rumos a serem tomados. Isso só pode se dar com a mais ampla unidade da classe trabalhadora que imponha uma assembleia constituinte livre e soberana, que arranque conquistas fundamentais como a re-estatização dos correios sob controle dos trabalhadores, e o retrocesso dos ataques já passados, como a Reforma da Previdência e a Reforma Trabalhista.




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