Política

MANAUS SUFOCA

Enquanto o número de óbitos em Manaus aumenta, Wilson Lima quer retomar o comércio

Manaus apresenta um aumento do número de óbitos no início de fevereiro de 2021, totalizando 448 mortes. Quando comparado com o mesmo período em janeiro de 2021, o aumento é de 65%. Enquanto a capital do Amazonas sufoca, o governador bolsonarista Wilson Lima e o secretário de saúde Marcellus Campelo falam que a tendência é que o número de contaminação diminua e, com essa desculpa mentirosa, flexibilizam as medidas de segurança sanitária, retomando parcialmente o comércio.

sexta-feira 12 de fevereiro| Edição do dia

Foto: Reuters

É inadmissível que uma cidade sofra tanto com a pandemia como sofre Manaus, que, desde o início do surto de covid enfrenta as mais duras consequências dos governos capitalistas que sucatearam o sistema de saúde, desde a aprovação do teto de gastos que restringe o investimento em saúde ano a ano. Nesse sentido, em 2020, a capital amazonense passou não só por um colapso no sistema de saúde, com a falta de leitos para pacientes com covid, mas também passou por um colapso no sistema funerário, não havendo valas suficientes para os corpos das vítimas do vírus.

Para piorar esse cenário desastroso, no início de 2021, a cidade asfixiou com a falta de oxigênio para o tratamento de pacientes internados, ocasionando na perda de incontáveis vidas que poderiam ser salvas, mas o governador bolsonarista e o próprio bolsonaro, que já sabiam com antecedência do perigo da falta de oxigênio, nada fizeram para impedir a calamidade.

É um absurdo que agora, com o aumento de óbitos por covid, o governador queira flexibilizar as medidas de segurança e retomar algumas partes do comércio pautado em uma mentira. Esses governadores capitalistas fazem isso para salvar os lucros das empresas ao custo das vidas dos trabalhadores, vidas que não valem nada diante da sede de lucro capitalista. Além disso, enquanto milhares se expõem para ir trabalhar mesmo em condições sanitárias muito precárias, outros sofrem com demissões massivas, como ocorreu no caso do fechamento da Ford e agora com as demissões das empresas da Zona Franca de Manaus, colocando inúmeros trabalhadores nas ruas.

Não é possível contar com esses governantes negacionistas e genocidas, frutos do regime do golpe de 2016. Por isso, a saída para a calamidade em Manaus e para a pandemia está nas mãos dos trabalhadores, sem confiança nenhuma nos representantes desse regime golpista. Dessa forma, essas empresas que anunciaram seu fechamento e as que fizeram demissões massivas como a Ford e as empresas da Zona Franca de Manaus devem ser tomadas pelos trabalhadores, que converteriam a produção para a fabricação de leitos e respiradores para os hospitais como os de Manaus.

Também para derrubar esse governo bolsonarista genocida, do qual o governador Wilson Lima faz parte, é necessário o protagonismo dos trabalhadores, para que sejam eles a enterrar todo o regime autoritário do golpe e seus frutos podres. Para isso, é necessário que cada trabalhador se organize em seu local de trabalho e que as centrais sindicais como a CUT e a CTB saiam de sua paralisia para traçar um plano de lutas nacional que mobilize a classe trabalhadora a impor uma assembleia constituinte livre e soberana, para que sejam os trabalhadores a instituir as regras do jogo conforme seus interesses.




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