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Pandora Papers | Enquanto destrói o real, Guedes lucrou milhões com seus dólares em paraíso fiscal

A offshore de Paulo Guedes, revelada pela Pandora Papers, rendeu ao Ministro da Economia um total de R$ 14 milhões de reais fruto da desvalorização do real implementada por ele.

segunda-feira 4 de outubro | Edição do dia

EDU ANDRADE/Ascom/ME - 25/08/2021

O ministro da Economia, Paulo Guedes, mantém uma empresa offshore em um paraíso fiscal com US$ 9,55 milhões - mais de R$ 50 milhões com a conversão de moeda. Em 2014, Guedes criou uma offshore chamada Dreadnoughts International nas Ilhas Virgens Britânicas, um conhecido paraíso fiscal do Caribe.

É o que mostra um projeto do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ), que teve acesso a 11,9 milhões de documentos sobre companhias sediadas em paraísos fiscais. No Brasil, a investigação batizada como Pandora Papers foi feita pela Revista Piauí, pela Agência Pública e pelos sites Poder360 e Metrópoles.

As offshores são um recurso utilizado pelos super ricos para fugir do pagamento de impostos, por meio da criação de empresas de fachada sediadas em paraísos fiscais com o intuito de ocultar seu patrimônio e lavar dinheiro adquirido de forma ilícita.

O uso desse recurso expõe um flagrante conflito de interesse por parte do ministro. Enquanto Guedes criticou que o dólar barato permitiu até que empregadas domésticas fossem para Disney, vemos agora quem se beneficiou da disparada do dólar, através dessas contas mantidas fora do país. Quando Guedes assumiu o Ministério da Economia, em janeiro de 2019, os US$ 9,55 milhões depositados nas Ilhas Virgens Britânicas valiam quase R$ 37 milhões. Hoje equivalem a R$ 51,5 milhões, uma diferença de R$ 14,5 milhões, ou de R$ 9 milhões, se descontada a inflação pelo IPCA no período.

Outro exemplo de conflito de interesses citado pela piauí está na proposta de reforma tributária em tramitação no Congresso Federal. Inicialmente, o projeto previa a taxação de ganhos de capital no exterior, mas essa medida acabou derrubada. Além disso, a proposta do governo prevê a redução da tributação sobre a repatriação de recursos, que hoje varia de 15% a 27,5%, para 6%.

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, também tinha uma offshore, mas no Panamá, com capital de US$ 1,09 milhão (cerca de R$ 5,8 milhões) . Chefe do BC desde fevereiro de 2019, Campos Neto fechou a offshore apenas no segundo semestre de 2020. Além disso, manteve entre 2007 e 2016 uma empresa nas Ilhas Virgens Britânicas.

Leia mais: Prevent Senior, MRV e Riachuelo: veja patrimônio milionário de empresários em offshores




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