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CORONAVÍRUS | Desabastecimento fez com que dez pessoas fossem transferidas de UPA; os hospitais estão necessitando do triplo de insumos para lidar com a atual calamidade do sistema de saúde; Doria e Covas são responsáveis

Desabastecimento fez com que dez pessoas fossem transferidas de UPA; os hospitais estão necessitando do triplo de insumos para lidar com a atual calamidade do sistema de saúde; Doria e Covas são responsáveis

sábado 20 de março | Edição do dia

Foto: Manaus (Bruno Kelly/Reuters)

Pela primeira vez desde o início da pandemia, a prefeitura de São Paulo registrou falta de oxigênio em uma unidade de Saúde. Dez pacientes que recebiam atendimento na UPA Ermelino Matarazzo, na Zona Leste da capital paulista, tiveram que ser transferidos na noite de sexta-feira (19). Segundo o secretário municipal de Saúde, Edson Aparecido, o problema ocorreu devido à falta de fornecimento pela empresa White Martins, principal produtora do insumo no país. A empresa nega problema no abastecimento e se comprometeu a dar mais detalhes ao longo deste sábado. Todavia, tal episódio escancara que por mais que Doria busque opor-se ao Bolsonaro, a partir de uma postura mais "racional", ele, junto a Covas, também é incapaz de lidar com a pandemia assim como o presidente.

As UPAs prestam o primeiro atendimento a pacientes com sintomas de Covid-19. Em casos mais graves, mas que não necessitam de sedação e intubação, o paciente pode ficar internado na unidade e receber oxigênio. Porém, como sintoma grave da precarização da saúde, os hospitais estão muito cheios, e algumas UPAs também estão tendo que fazer intubação de pacientes.

De acordo com Aparecido, devido ao agravamento da situação pandêmica, o consumo de oxigênio na rede municipal de saúde triplicou de janeiro para março. O salto foi de 55 mil metros cúbicos diários para 178 mil. A forma como Covas buscou solucionar esse problema foi recorrendo aos grandes empresários de SP da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), inimigos dos trabalhadores, para baixar um decreto de regular a distribuição de oxigênio em São Paulo:

— Seria uma medida emergencial para que seja priorizado o abastecimento de oxigênios nos hospitais públicos, já que a empresa cometeu uma falha importante e o município não pode correr esse risco — disse o secretário.

Essa movimentação só expressa a irracionalidade capitalista, que, somente depois de um ano de pandemia, estuda priorizar a produção de oxigênio. Medidas de reconversão da indústria para abastecer os hospitais e auxiliar a população deveriam ter sido tomadas desde o começo, fazendo com que, por exemplo, nas empresas automobilísticas, parassem de se produzir carros para passar a construir cilindros de oxigênio; que a indústria da moda deixasse de produzir artigos de luxo para costurar máscaras de qualidade para todos. Todavia, somente quando os trabalhadores tomarem o controle das fábricas tais medidas poderão ser tomadas, pois só nós priorizamos as nossas vidas ao invés dos lucros.

Com a demanda de oxigênio pressionada pela nova onda da pandemia, que na última semana contabilizou o recorde histórico de mais de 15 mil mortos, Aparecido pediu 250 cilindros emprestados para a Fiesp.

— A indústria siderúrgica, a mecânica e a estamparia contam com muitos cilindros de oxigênio. A intenção é ter uma reserva para não correr o risco de faltar. Daqui a dois meses, quando a situação melhorar, devolveremos os cilindros. Em condições normais, a gente abastecia as UPAS de oxigênio uma vez por semana. Agora, precisamos abastecer três vezes ao dia por causa do aumento do número de pacientes que chegam com Covid-19 — explicou Aparecido. (Se essa declaração evidencia algo, é o nível de calamidade que a situação atual se encontra, necessitando do triplo de suprimentos para garantir o mínimo para a população.)

O secretário contou ainda neste sábado que o Hospital Municipal Doutor Ignácio de Proença Gouveia, também conhecido como Hospital João 23, na Mooca, na Zona Leste, chegou a ficar com uma reserva de apenas uma hora de oxigênio até a empresa fazer o abastecimento.

Dados: O Globo




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