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FORA BOLSONARO, MOURÃO E MILITARES | Enfrentar o autoritarismo dos militares com a força da nossa luta! Fora Bolsonaro e Mourão

Recentemente, vimos a escalada de disputas entre os militares e o Congresso reacionário, colocando ainda mais em crise o governo Bolsonaro, com a figura do presidente de extrema direita adiantando a corrida eleitoral de 2022, colocando em pauta com sua corja de deputados o projeto de lei para que o pleito das eleições concorra por voto impresso auditável. Nesse cenário, é fundamental que enfrentemos esse autoritarismo dos militares, por Fora Bolsonaro e Mourão, com a força da nossa luta auto-organizada.

segunda-feira 12 de julho | Edição do dia

Foto: FAB

Na semana passada, as Forças Armadas, a começar pelo Alto Escalão do Exército no Ministério da Defesa, aumentaram o tom da retórica antidemocrática. O Ministério da Defesa e os comandantes das Forças Armadas repudiaram a fala do presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM), que criticou o envolvimento de integrantes das Forças Armadas em casos suspeitos de irregularidades no Ministério da Saúde. Em nota, afirmaram que “as Forças Armadas não aceitarão qualquer ataque leviano às instituições que defendem a democracia e a liberdade do povo brasileiro", declaração que recebeu resposta de Omar Aziz, dizendo que não aceitaria intimidação. Esse conflito seguiu também com posicionamento público dos chefões da Aeronáutica - Carlos Almeida Baptista Junior chegou a falar que "homem armado não ameaça" (!) - e da Marinha.

Hoje, segunda (12), o vice-presidente General Hamilton Mourão (PRTB), quis colocar panos quentes nessa disputa, se colocando também hipocritamente na posição de uma “alternativa democrática”, em relação à correria da votação do projeto de lei que trata do voto impresso auditável para 2022. Vale lembrar que esse projeto teria que passar por duas votações em cada Casa (Senado e Câmara) até outubro de 2021, um ano antes das eleições de 2022. O general, que junto ao Ministério da Defesa comemorou o golpe militar de 1964, disse que as “eleições serão realizadas” em 2022, independente da aprovação ou não do voto impresso. Mourão escancara sua hipocrisia, depois de ter tentado lavar a cara do governo e retirar sua responsabilidade pelas 500 mil mortes, dizendo que essa tragédia anunciada era por culpa da “desigualdade socioeconômica”.

A verdade é que vemos os militares envolvidos em todos os esquemas de pedido de propina da Covaxin, não é uma novidade exposta pela CPI da Covid, assim como seus privilégios, que também já conhecíamos, sendo mais escancarados. Os militares desviaram dinheiro que deveria ser para o combate à pandemia, gastaram R$19,3 bilhões em 2020 para sustentar suas filhas, e estiveram presentes na reunião em que diretor do Ministério da Saúde pediu propina. Também estiveram junto a Bolsonaro e ao Congresso na aprovação de reformas e privatizações que retiram direitos e precarizam os serviços públicos. Seu DNA golpista vem desde a ditadura militar e agora reafirmam sua sustentação ao governo Bolsonaro.

Por isso, é necessário que batalhemos por uma Greve Geral para derrubar Bolsonaro, Mourão e os militares. Somente a nossa força organizada para parar o Brasil, em cada local de trabalho e estudo, causando prejuízo nos bolsos dos patrões, dos quais essas figuras políticas, assim como os senadores da CPI e os deputados como Arthur Lira (PP), são representantes, e fazendo com que sejam eles a pagarem pela crise. É a luta da classe trabalhadora que pode defender os resquícios democráticos do regime pós-golpe institucional que agora Bolsonaro e os militares buscam atacar.

Enquanto se estapeiam nas disputas por cima, passam a privatização da Eletrobras, a privatização dos Correios, a Reforma Tributária, a Reforma Administrativa. Basta que sejamos nós a pagar pela crise que os capitalistas criaram com nossas contas de luz, ameaça de apagões, universidades públicas sendo ameaçadas de fechamento. Inclusive, os militares são parte ativa da implementação dos ataques mais brutais contra nós, como o general Floriano Peixoto, que é atual presidente dos Correios. Ou seja, se desejamos lutar contra o autoritarismo dos militares, nunca podemos desligar do combate a todos os ataques, como a privatização dos Correios.

É nesse sentido que não podemos confiar em nenhum setor desse regime político podre, como o Congresso, o STF, que em termos de ataques estão unificados com Bolsonaro, Mourão e militares. Precisamos de assembleias de base, em cada local de estudo e trabalho, em que cada estudante e trabalhador, junto aos indígenas, mulheres, negros e LGBTQI+ tenham direito a voz e voto para decidir os rumos da luta. Ao contrário do que estão nos impondo as direções burocráticas dos nossos sindicatos, centros acadêmicos e diretórios centrais dos estudantes, pela CUT, CTB e UNE (União Nacional dos Estudantes), centrais sindicais e entidade estudantil dirigidas pelo PT e pelo PCdoB. Nossa exigência para superar essas burocracias é fundamental, porque são elas que alimentam o controle das nossas manifestações espaçadas e sem auto-organização, porque querem eleger Lula e o PT em 2022. Lula, que tanto já sinalizou para o ainda maior fortalecimento das Forças Armadas, que fez parte de asfaltar a rodovia dos militares até aqui, com grande financiamento para as corporações, com o envio das tropas para o Haiti, em seus anos de governo.

Esse é o chamado que fazemos ao conjunto das organizações de esquerda, como PSOL, UP, PCB e PSTU, e movimentos sociais, para construir um Comitê Nacional pela Greve Geral e articular essa exigência de maneira unificada, e abandonar a fé nas saídas institucionais, que somente trocam os jogadores e não mudam as regras desse jogo sujo, para que fortaleçamos uma saída independente.

Dessa forma, precisamos batalhar para que nossa luta também imponha uma nova Constituinte Livre e Soberana, com deputados eleitos por bairro em todo o país e que esses deputados sejam revogáveis. Para discutir os grandes temas e problemas nacionais, como o fim dos privilégios dos militares, a revogação de todos os ataques, uma verdadeira reforma agrária radical. No marco dessas batalhas, nossa luta é por um governo de trabalhadores de ruptura com o capitalismo.

Hoje no Esquerda Diário Comenta, Cristina Santos, professora no Recife, fala sobre a escalada de participação dos militares na política. Confira:

Veja também: Atos do 13J deveriam unificar trabalhadores e estudantes contra privatização dos Correios




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