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MERCEDES-BENZ

Encerramento de contrato na Mercedes-Benz deixa 189 trabalhadores no desemprego

A multinacional detalhou que os trabalhadores foram contratados por tempo determinado. Ao término do acordo, ocorreu negociação entre a empresa e o sindicato para que houvesse prorrogação até o fim de agosto. A Mercedes em 2018 anunciou admissão de 600 trabalhadores com esse tipo de vínculo em razão da expectativa de aumento na produção de caminhões, inclusive a volta do terceiro turno da linha de produção de veículos pesados, que havia sido excluída em 2014.

quarta-feira 2 de setembro| Edição do dia

A Mercedes assim como outras empresas de grande porte, que ao passar dos anos, seguem acumulando seu capital explorando nossa força de trabalho, vêem com bons olhos a ideia da contratação temporária, isso se dá pela ganância de lucro, onde a patronal “não pode” inchar sua folha de pagamento e adere com afinco a mão de obra temporária. O trabalhador temporário pode ser utilizado por até três meses podendo ser prorrogado por até mais três meses ou até rescindido antes do prazo sem problema algum, ou seja, é uma mão de obra que a patronal pode contratar por um prazo curto, no caso três meses, mas se a produção do que se deseja se der em dois meses, a patronal pode encerrar o contrato a qualquer momento, deixando o dia a dia do trabalhador na incerteza e possibilidade de desemprego, em meio a uma crise econômica, social e sanitária, onde o trabalhador necessita de seu salário para seguir existindo. Essa é a facilidade do temporário para o empresariado, que por sua vez não querem aumentar sua folha de pagamento “devido as incertezas do futuro” e despejam nas costas dos trabalhadores os agravos desse sistema podre.

Com essa metodologia, o empresariado desmobiliza internamente a mão de obra disponível, desligando a maioria dos salários mais alto, mantendo o mínimo de funcionário interno, levando ao trabalhador uma carga horária extenuante devido a demanda produtiva e salário totalmente abaixo do que se necessita, sendo uma boa alternativa para a patronal, justamente pela facilidade na contratação. Em uma semana é possível colocar 100 operários em uma fábrica, por exemplo, na linha de produção sem nenhum aumento na sua área administrativa para cuidar disso, tudo em virtude das intermediadoras.

A área industrial é a mais buscada, mas há um movimento muito forte desta demanda no comércio e na área de serviços, que cresceu muito apesar da demanda ser menor. A indústria, mesmo estando em um momento que os patrões alegam estar em crise, ainda é o setor com a maior demanda de temporários, onde amparados pelos requisitos da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974, que fala sobre acúmulo extraordinário de trabalho ou substituição regular, o empresariado não tem problemas em contratar terceirizados, em qualquer momento o empresariado percebe uma baixa na sua demanda e por sua vez pode encerrar sem custo adicional, ou seja, a Mercedes com sua sede de lucro, contrata trabalhadores que necessitam de um salário, colocando em termos contratuais a possibilidade de renovação de contrato por mais três meses, levando ao trabalhador que antes estava desempregado, a entregar sua vida na linha de produção ou manutenção na esperança de ser efetivado e conseguir estabilizar sua renda em meio à crise, quando até o final, a intenção das patronais, assim como a da Mercedes é garantir seus lucros sem precisar gastar muito com trabalhadores, trabalhadores estes que garantem o desenvolvimento fabril, assim como do mundo e são descartados pelos grandes empresários.

Em São Bernardo do Campo, a Mercedes-Benz, foi inaugurada em 1956, sendo um ponto de partida da atuação da patronal no Brasil, tratando-se da maior planta da Daimler fora da Alemanha para veículos comerciais sendo a única a produzir em um mesmo local, caminhões, chassis de ônibus, cabinas e agregados, como motores, câmbios e eixos. Em 2018 foi inaugurada nessa unidade uma nova linha de montagem final de caminhões, embasadas em conceitos da indústria 4.0, totalmente modernizada, a linha reuniu as tecnologias mais avançadas de conectividade. A unidade brasileira é um dos polos da rede mundial de desenvolvimento da Daimler Trucks, maior fabricante mundial de caminhões, sendo também o centro mundial de competência Daimler para desenvolvimento e produção de chassis de ônibus, sendo ainda pioneira nos testes com o uso de combustíveis alternativos, como diesel de cana e biodiesel. Nesse sentido, pelo tempo de atuação no Brasil e pelo amplo processo produtivo, é inadmissível que a Mercedes expresse discurso de crise adotando uma metodologia de contratação temporária, até mesmo porque, pelo tempo de atuação e pelos lucros exorbitantes, logicamente daria para ter um quadro de trabalhadores efetivos, sem a necessidade de precarização.

Exemplo disso. Em 2019, a alemã Daimler, fabricante dos veículos da Mercedes-Benz, teve um lucro líquido de 1,72 bilhões de euros no terceiro trimestre do ano, sendo maior que o ganho de 1,69 bilhões de euros obtido em igual período de 2018. A receita cresceu 8% na mesma comparação, a 43,27 bilhões de euros, enquanto o Ebit avançou no mesmo ritmo, a 2,69 bilhões de euros. Vale ressaltar que em fevereiro de 2019 a multinacional bateu recordes de vendas, contando com a ajuda do Brasil na conta. A patronal obteve crescimento praticamente em todos os mercados do mundo e destaca também a América Latina, aumentando significativamente suas vendas unitárias nos primeiros onze meses em 26%, para aproximadamente 34.400 caminhões, tendo uma contribuição considerável do crescimento das vendas no Brasil, o principal mercado da região. Com uma quota de mercado de 27,7% a marca Mercedes-Benz foi mais uma vez líder de mercado nos segmentos de média e pesada, apesar da crise econômica, a patronal usou sistematicamente os últimos dois anos para modernizar de forma abrangente suas instalações de produção. Na fábrica de São Bernardo do Campo, por exemplo, a Mercedes colocou em operação uma nova linha de montagem de caminhões de última geração, atendendo às normas da indústria 4.0 em 2018.

Rechaçamos esse discurso de miséria que as patronais querem impor aos trabalhadores, rechaçamos esse discurso de crise e oportunidade temporária, até mesmo porque, a mesma patronal que alega ter “deixado rolar” por mais tempo a validade dos contratos dos 189 trabalhadores, tentando iludir a classe com um discurso nas entrelinhas de que tentou manter o emprego dos mesmos em meio à crise do novo coronavírus é a MESMA patronal que em maio deste ano DEMITIU trabalhadores que tinham suspeita de contaminação pelo novo coronavírus. A patronal nesse período, alegou que as recomendações de segurança estavam sendo seguidas e que tudo estava sob controle, isso a patronal expressou as mídias, mas aos trabalhadores ofereceu: demissão, contrato de trabalho suspenso, redução de jornada e salário.

Nós do Esquerda Diário deixamos bem claro ao leitor que todas essas medidas, que as patronais de forma descarada, continuam colocando a força a nós trabalhadores, é totalmente amparada pela política assassina de Jair Bolsonaro e companhia, essa política beneficia o empresário, no regime temporário por exemplo, justamente por não ter custo adicional como aviso prévio indenizável, multa de FGTS e etc. Ombro a ombro com esse governo de extrema direita, os empresários enxergam no regime temporário uma alternativa vantajosa, um contrato pré-determinado que tem início e fim, onde o empresariado pode simplesmente demitir, se quiser, antes do fim, sem nenhum custo adicional, levando assim outra vantagem ao empresário de recrutar novas forças de trabalho sem custo, ou seja, um custo que não precisa acontecer internamente, onde se segue mantendo os lucros enquanto trabalhadores terceirizados padecem em meio a uma crise pandêmica, desemprego e pagando uma dívida que não o pertence, como é com a dívida pública.

Rechaçamos a postura da Mercedes-Benz, assim como as negociações que entregam nossas vidas de bandeja nas mãos dos grandes empresários. CUT e CTB, lideradas pelo PT e PCdoB, seguem no clima de acordos e conciliações que não beneficiam em nada os trabalhadores. As principais centrais sindicais do país precisam romper com a paralisia e organizar de fato a classe trabalhadora rumo a uma greve geral para barrar as reformas e medidas de Bolsonaro, as demissões, o desemprego, garantindo as condições necessárias para o combate da crise sanitária, e levantando a necessidade do não pagamento da dívida pública, que segue sendo ilegal e fraudulenta.

Só a organização da classe trabalhadora é capaz de impedir os ataques dos capitalistas e fazer com que os capitalistas paguem pela crise que eles mesmos criaram.




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