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DEMISSÕES EM MANAUS

Empresas da Zona Franca de Manaus demitem em meio à 2ª onda de covid-19 no estado

Mesmo com a pandemia, as indústrias da Zona Franca de Manaus (AM) registraram crescimento no ano passado. De janeiro a outubro de 2020, o faturamento dos fabricantes instalados no Polo somou R$ 95,49 bilhões. Em relação ao mesmo período de 2019, houve um acréscimo de 9,71%. De janeiro a outubro de 2019, a receita do polo tinha atingido R$ 87,04 bilhões.

segunda-feira 8 de fevereiro| Edição do dia

Vista aérea do Polo Industrial de Manaus - Suframa

É a segunda vez em menos de um ano que Diego Antonio de Oliveira, de 26 anos, morador de Manaus (AM), fica sem emprego por causa da covid. Em abril de 2020, ele trabalhava numa indústria que produzia baralhos. Com a interrupção do fornecimento de insumos importados da China em razão da pandemia, ele e 44 terceirizados foram demitidos.

Duas semanas depois, Oliveira conseguiu um novo trabalho, também como terceirizado e por prazo determinado em uma indústria que produz placas eletrônicas para maquininhas de cartão. O contrato de nove meses acabou na semana retrasada, em meio a uma nova onda de covid que levou Manaus ao caos sanitário, sem oxigênio. Ele está novamente sem trabalho.

"Fico naquela ansiedade, no vai ou não vai", diz Diego, que é pai de uma filha de 3 anos e depende do salário de R$ 1585 que recebia até o mês passado para sustentá-la. Ele, o pai, a mãe e o irmão já tiveram covid. Faz três semanas que perdeu o avô para a infecção.

Caio Mateus Aprígio Mendonça, de 23 anos, é outro trabalhador que na semana passada estava apreensivo com a situação. "Tenho medo de ficar desempregado e de pegar a doença. Minha mãe teve covid, ficou muito ruim, mas se recuperou."

Três meses atrás Mendonça conseguiu um novo emprego por tempo indeterminado no distrito industrial de Manaus, após dez meses desempregado em razão do corte que houve na época na empresa onde trabalhava por causa da primeira onda da doença.

Até meados da semana passada, o metalúrgico estava em casa. Com o novo surto, a indústria na qual trabalha deu férias coletivas, que terminaram no dia 4. "Estou preocupado, não tenho reserva para manter as despesas com aluguel, mantimento e estudo." Com salário de R$ 1.700, ele se matriculou num curso técnico, mas não conseguiu cursar nem a primeira aula em razão do lockdown.

Para demitir massivamente em meio à pandemia, as empresas sempre usam a desculpa de queda do faturamento ou da impossibilidade de manter a fabricação de produtos não essenciais. Mas por que então não é reconvertida a produção para que sejam produzidos insumos necessários ao combate da crise causada pela pandemia?

E nem queda no faturamento as empresas podem alegar, dado que mesmo com a pandemia, as indústrias da Zona Franca de Manaus (AM) registraram crescimento no ano passado. De janeiro a outubro de 2020, o último dado disponível, o faturamento dos fabricantes instalados no Polo Industrial de Manaus somou R$ 95,49 bilhões, segundo as estatísticas da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa). Em relação ao mesmo período de 2019, houve um acréscimo de 9,71%. De janeiro a outubro de 2019, a receita do polo tinha atingido R$ 87,04 bilhões.

Como apontamos no Editorial do MRT, é preciso punir toda empresa que sonhar em demitir trabalhador no meio dessa crise e deixar famílias - como a de Diego e Caio - sem perspectivas, e aquela que fechar deve ser ocupada e colocada sob gestão dos operários e operárias, produzindo os insumos necessários para a resolução dessa crise.

Veja nosso editorial: Crise de Manaus: lutemos pela reestruturação da economia sob controle dos trabalhadores

A crise de Manaus, como apontamos também no editorial acima, tem responsáveis, sim! Seja o negacionista Bolsonaro e seu Ministro da Saúde Pazuello, que não moveram uma palha e ainda querem se esquivar da responsabilidade; seja o governador Wilson Lima (PSC) e o prefeito da capital David Almeida (Avante); e também setores como Rodrigo Maia e toda a corja reacionária do Congresso, o STF, etc.

Todos eles têm algo em comum: foram pilares ativos do golpe institucional que aplicou ataques ainda mais intensos do que os que o PT vinha aplicando, como as Reformas Trabalhista e da Previdência e a terceirização irrestrita.

O Polo Industrial de Manaus divulgou dados vangloriando de ter admitido mais trabalhadores (22.180) do que demitido (18.050). Um número cada vez mais distorcido, quando sabemos que mais e mais operários efetivos são demitidos para serem contratados sob o regime de terceirização, com salários e direitos infinitamente menores e restritos.

Por isso defendemos o enfrentamento ao regime de conjunto pós-Golpe de 2016, não somente substituindo um ou outro jogador, por meio de vias puramente institucionais como o impeachment, mas também mudando todas as regras do jogo, por meio da luta de nós, trabalhadores, visando a imposição de uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana. Pois somente nós podemos dar uma resposta à altura dessa crise, pois os capitalistas seguem lucrando com a Pandemia.

Com informações da Agência Estado.




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