Mundo Operário

DISSÍDIO

Empresários propõe mais ataques e nenhum reajuste aos rodoviários em Porto Alegre

Com o intuito de descarregar ainda mais a crise nas costas dos trabalhadores, os empresários do transporte apresentam para o Acordo Coletivo dos rodoviários ataques como fim do ticket refeição nas férias; fim do quinquênio; e manter o a redução do salário até agosto, enquanto a categoria segue mais um anos sem ter algum reajuste salarial.

sexta-feira 15 de janeiro| Edição do dia

Imagem de cutrs.org.br

Em um dos momentos mais agudos que estamos sofrendo com a crise do coronavírus, os rodoviários de Porto Alegre vem sendo uma das categorias mais precarizadas durante a pandemia. Centenas de trabalhadores foram demitidos desde o ano passado, e muitos sofrem com o salário reduzido desde o ano passado graças a MP 936 de Bolsonaro que permitiu a patronal fazer esse ataque.

Agora no início do ano, época onde geralmente é negociado os reajustes salariais com o data-base, a patronal teve audácia de apresentar uma proposta que não garante reajustes, e sim, ataques para a categoria. Durante a última assembleia geral que ocorreu na última segunda (11), foi apresentada a proposta para retirar o ticket refeição dos rodoviários durante as férias; fim do quinquênio; e manter a redução do salário até agosto de 2021. Além de tudo isso, não foi citada nenhuma proposta de reajuste salarial. Será o segundo ano consecutivo que os trabalhadores ficam sem receber o reajuste, enquanto que a inflação sobe e o preço dos alimentos e dos aluguéis de casa seguem subindo.

Na Assembleia a proposta foi recusada e o sindicato encerrou sem abrir debate para uma proposta de reajuste ou sequer debater com a categoria um plano de lutas para enfrentar esses ataques. Uma nova Assembleia estava sendo convocada para essa sexta (15) onde provavelmente seria apresentada uma nova proposta da patronal, mas foi cancelada pelo sindicato sem dar uma justificativa plausível.

O nível de precarização que está sendo imposto na categoria é algo extremamente draconiano com inúmeros ataques e a constante ameaça de demissões. Os cobradores seguem também com a constante ameaça de terem os seus cargos extintos, agora com uma proposta do novo prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo (MDB), que supostamente irá treinar cobradores para se tornarem motoristas. O que abre mais margem para extinguir os cobradores que resultará não na conversão de todos para motorista, e sim demissões em escala.

Os patrões das empresas privadas alegam estarem em uma crise desde o início da pandemia e por isso não há como reajustar. Mas essas empresas receberam inúmeras regalias durante a pandemia com o governo Marchezan, tendo redução de linhas e horários que muitas foram assumidas pela Carris, empresa estatal que Melo quer vender assim que arrumar um comprador, para manterem lucrando enquanto os rodoviários e os usuários de ônibus pagavam por essa crise.

Cada vez se mostra mais urgente os trabalhadores rodoviários se mobilizarem para barrar esses ataques e reverter os que já foram aprovados. Os trabalhadores sabem que tem força para barrar esses ataques, como fizeram em 2020 para barrar o pacote do Marchezan que extinguiria os cobradores e que estava em votação na Câmara. É necessário que a categoria se mobilize e supere a direção burocrática do sindicato para impor um plano de lutas com paralisações, atos e assembleias onde os trabalhadores possam decidir os rumos da luta.

Basta de ataques! Se está ruim para os empresários do transporte que saíam fora e deixem com que os trabalhadores que já mostraram ter total capacidade de gerir o transporte público de Porto Alegre. Por isso, nós do Esquerda Diário defendemos uma Carris 100% estatal e sobre o controle dos trabalhadores e usuários para ter um transporte digno e de qualidade que atenda todas as necessidades da população.




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