ASSASSINATO BRUTAL

Empresário tortura até a morte um morador de rua no Maranhão

Em maio deste ano um empresário de São Luís (MA) torturou até a morte um homem em situação de rua por supostos furtos de marmitas no seu restaurante. O empresário amarrou o homem e o arrastou por cerca de 1 quilômetro, chegando a dar ré no veículo para passar em cima dele. As imagens gravadas do crime só foram publicada agora.

sábado 31 de outubro| Edição do dia

Imagem: via reprodução

O empresário e um vigilante foram presos devido ao crime bárbaro com requinte de crueldade que ocorreu há cinco meses na capital maranhense. Carlos Alberto Santos de 36 anos foi amarrado na traseira de uma Hilux e arrastado até a morte devido a algumas marmitas.

As imagens do crime só foram liberadas na última quarta-feira, 28, e foram feitas por câmeras de segurança. Carlos foi arrastado do centro da cidade até a avenida Beira Mar, seu corpo foi encontrado muito machucado e com sinais de arrastamento. Nas imagens o empresário, que não teve sua identidade revelada, aparece bebendo água tranquilamente enquanto Carlos se debate na traseira do veículo.

Nos vídeos extremamente revoltantes é possível ver o rastro de sangue deixado nas ruas enquanto o empresário torturava o homem. Ele chegou a fugir depois do crime mas foi encontrado na última semana utilizando o mesmo veículo.

O caso lembra a morte de Cláudia Silva Ferreira, uma mulher que tinha 38 anos quando foi baleada e posteriormente arrastada por 35o metros em plena luz do dia pela polícia do Rio de Janeiro, deixando quatro filhos. É emblemático notar que a polícia e a burguesia dão o mesmo tratamento à população pobre e negra, principalmente porque no caso de Cláudia, os responsáveis seguem impunes.

O fato do caso ter permanecido em segredo durante cinco meses e da identidade do empresário estar sendo preservada revela a diferença de tratamento que a burguesia recebe pela justiça e pela polícia que justamente atuam a favor dessa mesma classe. Vale lembrar que uma criança de 10 anos que buscava realizar um aborto assegurado por lei depois de ser estuprada sistematicamente pelo próprio tio não recebeu o mesmo tratamento, ao contrário, entrou no hospital escondida sob os gritos de “assassina” por parte de bandos reacionários ligados a Sara Winter e Damares Alves.

São inúmeros os casos que escancaram que mesmo em meio a uma pandemia e uma crise econômica brutais, o lucro da burguesia é mais importante que as vidas negras e pobres. Vale aqui relembrar que na mesma semana em que o arroz chegou a 40 reais a polícia reprimiu brutalmente pessoas que pegavam carne de um caminhão tombado, chegando a jogar gás para contaminar o alimento e impedir o saqueio.

O caso de Carlos ocorre em meio a um cenário político bastante reacionário nacionalmente, tendo a frente um governo que persegue as minorias sociais e estimula setores interessados em “fazer justiça com as próprias mãos”, lembremos que antes mesmo da eleição de Bolsonaro ele já se atrelava a setores radicalmente reacionários, como os responsáveis pela morte de Mestre Moa do Katendê, que o assassinaram a facadas depois de Moa defender o Partido dos Trabalhadores em uma conversa, ao que Bolsonaro disse apenas que “não podia controlar” seus eleitores.

O caso de Marielle Franco, que segue sem resposta há mais de dois anos, é ainda mais emblemático pois os milicianos atrelados ao crime nutriam relações pessoais com a família Bolsonaro.

Se chega ao absurdo de um empresário achar-se no direito de assassinar friamente de forma bárbara um morador de rua justamente porque há respaldo dessa extrema direita nojenta que ganhou votos falando de facilitação do porte de armas, discurso que encanta os reacionários de plantão.

Carlos vira estatística, mais um pobre que foi condenado pelo crime de não ter o que comer, mais uma vítima do ódio reacionário da burguesia. Enquanto seu assassino que é apontado em algumas mídias como responsável por outros crimes violentos segue tendo todos seus direitos preservados, Carlos não teve a preservação do direito mais básico: o direito à vida.




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