Educação

“Em unidade com a nossa classe podemos enfrentar o corte de salário e o retorno inseguro às aulas do PSDB” diz Profª Maíra Machado

Leia a declaração da professora da rede estadual de ensino e também militante do Movimento Nossa Classe Educação, Maíra Machado, sobre a imposição do retorno às aulas mediante a interrupção da fase emergencial em todos estado de São Paulo e o arbitrário corte de salário imposto pelo governador João Doria às educadoras da rede estadual que realizaram em fevereiro deste ano uma greve em defesa da vida da comunidade escolar.

quarta-feira 14 de abril| Edição do dia

Foto/Fonte: Professora Maíra em 2017, durante sessão plenária da Câmara dos Vereadores/Arquivo ED.

Há uma semana denunciamos aqui no Esquerda Diário a absurda decisão do governador João Doria (PSDB) e seu secretário da educação, Rossieli Soares, que atacando o direito de greve das educadoras da rede estadual de ensino de São Paulo, descontou os dias de greve, deixando sem salário uma categoria que se negou a retornar às escolas sem segurança sanitária e arriscar a vida de toda a comunidade escolar, denunciando inúmeros problemas estruturais e a falta de condições efetivas de reabertura no atua momento da pandemia – imensamente mais crítico do que quando as aulas presenciais foram interrompidas em 2020.

Leia mais aqui:

- Doria e Rossieli cortam o salário de professores que lutam pela vida

Frente a essa absurda situação, entrevistamos a professora da rede estadual de Santo André e militante do Movimento Nossa Classe Educação, Maíra Machado, que foi parte do movimento de greve e compartilhamos abaixo seu relato:

“Somos educadoras, mães e arrimos de família, que empurradas sem segurança para as escolas, optamos por cruzar nossos braços em defesa não só de nossas vidas, mas das vidas de toda a comunidade escolar que sabemos que nada valem para governos como o de João Doria, que literalmente na pior semana da pandemia em nosso estado, com um recorde na média móvel de mortes e de novos casos, decidiu pela reabertura presencial das escolas, desconsiderando toda luta que travamos em greve pelo fechamento das escolas que haviam imposto em fevereiro deste ano.

Não bastasse essa barbaridade que ignora as mais de 60 mortes entre educadoras, estudantes e trabalhadoras do chão da escola, que são responsabilidade direta da política irracional de reabertura defendida pelo PSDB e pelo secretário Rossieli Soares, ainda descontaram nossos salários pelos dias de greve que fizemos contra a reabertura – ignorando que nossa greve se quer foi julgada ilegal e que em todos os dias de greve mantivemos atendimento remoto aos nossos estudantes. Temos direito a greve e não abriremos mão dele, pois é historicamente através desse mecanismo que pudemos conquistar cada um de nossos parcos direitos; mas também sabemos que nossa reivindicação era e é legítima, pois esse mesmo governo se viu obrigado a fechar as escolas tamanho nível da crise sanitária que gere de forma irresponsável, à luz do negacionismo de Bolsonaro e a sede de lucros dos capitalistas.

Exatamente por isso, denunciamos esse absurdo e dizemos: Não aceitaremos caladas corte de salário por lutarmos pela vida! Toda a estrutura da APEOESP, nosso sindicato, pode e deve ser colocada à serviço da luta da nossa categoria contra a reabertura insegura das escolas que querem impor Doria e Rossieli, por efetivas condições para o retorno e trabalho remoto para todas e todos enquanto o governo não garantir isso como o mínimo para que não rifemos nossas vidas à pandemia que só piora a cada dia, assim como, que parem de demagogia e garantam condições de acesso aos nossos estudantes que estão sendo privados do direito a educação desde 2020, pois o PSDB com toda sua demagogia não garantiu se quer acesso ao ensino remoto.

É mais que fundamental que a APEOESP também organize já uma ampla campanha pelo pagamento integral do salário das educadoras que lutam pela vida, utilizando também os recursos da entidade – que pertencem a categoria, para organizar já um fundo de greve, para que nenhuma mãe, nenhum educador e trabalhador de nossa rede passe necessidades por ter ousado lutar contra a irracionalidade dos governos tucanos aqui em São Paulo. Assim como, que nós, educadoras da rede estadual, possamos seguir nos organizando inclusive junto a outras categorias, como os metroviários que tem indicativo de greve para o próximo dia 20 pelo direito a vacina e condições sanitárias; além de fortalecermos, na perspectiva de que somos uma só classe, batalhas como das trabalhadoras da LG que serão demitidas em centenas pelo fechamento da fábrica de Taubaté.

Por isso precisamos poder decidir cada passo da luta numa assembleia da nossa categoria, que precisa ser convocada urgentemente para debater ações conjuntas nesse dia 20/04 e que pode ser um exemplo de luta desde São Paulo contra os ataques do PSDB que nos atingem em todas as categorias. As centrais sindicais como a CUT e a CTB, à frente dos sindicatos de metroviários e trabalhadores da educação, precisam necessariamente sair do imobilismo e viabilizar essa unificação e fortalecer esse dia de luta, permitindo que possamos golpear com um só punho esses governos que vem nos roubando condições de trabalho e mais que isso, nosso direito à vida!

Defendemos também a luta ombro a ombro com as educadoras municipais em greve contra Bruno Covas (PSDB) e Fernando Padula, na cidade de São Paulo, além de toda comunidade escolar. Não duvidemos, em unidade com a nossa classe podemos enfrentar o corte de salário e o retorno inseguro às aulas do PSDB, não aceitando que rifem nossas vidas em nome dos lucros dos empresários que bradam pela reabertura insegura e que não avancem contra nosso histórico e legítimo direito de greve!"


Compartilhe nosso chamado através da página do Movimento Nossa Classe Educação

Saiba mais sobre a luta na LG:

- “Estou saindo da empresa com várias sequelas, sem respaldo nenhum”, diz trabalhadora da LG”

E por fim, nós do Esquerda Diário nos solidarizamos a categoria de professoras e trabalhadoras da educação, repudiando o ataque ao direito de greve imposto pelo PSDB em São Paulo, assim como o retorno inseguro às aulas. Somente a comunidade escolar, em diálogo com as e os trabalhadores da saúde da linha de frente podem decidir quando, como e em quais condições retornar, de modo que nenhuma vida mais seja somada às dezenas de mortes fruto da reabertura insegura. Também estamos ao lado das trabalhadoras da LG e repudiamos o fechamento da planta de Taubaté que deixará famílias na rua no pior momento da pandemia. E junto com cada metroviária e metroviário que nesse dia 20/04 prometem cruzar os braços pela defesa da vida, por vacina e condições sanitárias e de trabalho. Não aceitamos que seja a nossa classe a pagar pela crise com suas vidas e seu futuro!

Leia também:

- “Doria impõe retorno inseguro de aulas presenciais em meio ao pico da pandemia”
- “Educadoras de SP seguem em greve pela vida, apesar dos métodos antidemocráticos do SINPEEM”
- “Nenhuma mãe sem sustento por lutar! Contra o corte de salário de Covas e Padula”




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