MEIO AMBIENTE

Em meio às queimadas, chegam dados atrasados sobre a situação ambiental de cada estado

De todos os pilares, Sustentabilidade Ambiental é o único do Ranking de Competitividade dos Estados que traz apenas dados referentes a 2018, já que os governos divulgam as informações com atraso de dois anos.

sábado 3 de outubro| Edição do dia

[Foto: Gustavo Figuêroa/SOS Pantanal.]

Em meio ao escândalo das recentes queimadas do Pantanal, Cerrado e Amazônia, vemos uma defasagem consciente do Governo no que diz respeito aos dados e a informação da real situação. No Ranking de Competitividade dos Estados, por exemplo, a categoria de sustentabilidade é a única com dados de 2018, já que os governos divulgam as informações com atraso de dois anos. “Em termos práticos, isso dá o tom de como o tema é tratado no País”, critica Nascimento.

Apesar da série antiga, os dados de 2018 refletem a realidade de hoje. Indicadores como emissão de CO2, tratamento de esgoto e perda de água dialogam diretamente com três temas de peso no noticiário em 2020: as queimadas ilegais, o marco legal do saneamento básico e a crise sanitária causada pela covid-19. E pouco tem sido feito para mudar a situação, na avaliação do CLP.

Os Estados que mais emitiram C02 em relação ao PIB foram Rondônia (27.ª posição), Acre (26.ª) e Tocantins (25.ª). “Quem é ruim continua ruim e são os mesmos responsáveis pelas queimadas há muitos anos”, afirma Nascimento, em referência à reincidência dos lanternas. No topo estão Amapá (1.ª), Roraima (2.ª) e Amazonas (3.ª). Queimadas, desmatamento, frota de veículos a combustão e indústria pesam nas emissões de gás carbônico.

No indicador de tratamento de esgoto, Pará (27.ª) e Rondônia (26.ª) chegam a ter, respectivamente, 4,0% e 4,2% de tratamento, muito abaixo do que foi registrado nos líderes Distrito Federal (81,4%), Paraná (66,3%) e São Paulo (61,9%).

Em perda de água, Goiás, o mais bem posicionado, ainda tem desperdício de 30,2%. No lanterna Roraima, a perda chega a 73,4%, mas os índices também são alarmantes no Amazonas (70,6%) e Amapá (68,1%).

Para Tadeu Barros, diretor do Centro de Liderança Pública (CLP), responsável por elaborar o ranking ao lado da Economist Intelligence e Tendências Consultoria Integrada, os baixos índices escancaram como pode ser difícil o combate à covid-19: “Uma das principais ações é lavar as mãos. Como vamos pedir para a população se higienizar se nem água eles têm?”.

Além disso, vimos em setembro a PF exigir término de contrato com empresa que fornece imagens via satélite do Pantanal. Tal relação com as informações escancaram a relação predatória do Governo com o meio ambiente, bem com a intenção de mascarar isso para a população.

"Com informações da Agência Estado"




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