Política

DESTRUIÇÃO AMBIENTAL DO GOVERNO BOLSONARO

Em meio a realidade de destruição ambiental Mourão viaja com embaixadores para Amazônia

O vice-presidente Hamilton Mourão, anunciou que levará embaixadores para uma viagem de três dias à Amazônia, exatamente após dados do Inpe apontarem aumento de 121% da destruição da floresta em relação ao mesmo mês em 2019, efeito da política de defesa dos interesses de pecuaristas e do agronegócio levada a frente por Bolsonaro e Mourão.

Grazieli Rodrigues

Professora da rede municipal de São Paulo

terça-feira 3 de novembro| Edição do dia

Hamilton Mourão, em imagem publicada dia 11 de maio — Foto: Wallace Martins/Futura Press/Estadão Conteúdo

O vice-presidente Hamilton Mourão, anunciou que levará embaixadores para uma viagem de três dias onde sobrevoarão a Amazônia, visitarão zoológico e laboratório, além do Encontro das Águas entre os importantes Rio Negro e Solimões.

Devem participar da comitiva chefes de missões diplomáticas da União Europeia, Reino Unido, França, Espanha, Portugal, Suécia e Alemanha, além de embaixadores do Canadá, África do Sul, Peru e Colômbia, e de representante da OTCA (Organização do Tratado de Cooperação Amazônica).

Além de Mourão, acompanham, pelo lado brasileiro, cinco ministros: do Meio Ambiente, Ricardo Salles; das Relações Exteriores, Ernesto Araújo; da Agricultura, Tereza Cristina; do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno; e de um representante do Ministério da Saúde, pois o titular, Eduardo Pazuello, esteve internado até ontem (02) com COVID.

“Os embaixadores são principalmente da Europa, que não têm o conhecimento pleno de como a vida na Amazônia prossegue, de como o ribeirinho ganha seu pão diário, e agora terão oportunidade de ver isso com os seus próprios olhos e, a partir daí, tirar suas próprias conclusões”, afirmou Mourão numa entrevista a um programa de rádio.

“A iniciativa tem por objetivo mostrar não só à comunidade internacional, mas também à comunidade brasileira, que a nossa Amazônia continua pujante e preservada e que a sua complexidade ambiental e humana não permite entendimento equivocado e genérico da região”, completou o vice-presidente.

Essa decisão de Mourão e Bolsonaro, sucede questionamentos internacionais de inúmeros países ao governo brasileiro. Em setembro, oito países europeus enviaram a Mourão uma carta em que diziam que a “tendência crescente de deflorestamento no Brasil” dificultava a compra de produtos brasileiros por aqueles países.

Enquanto Jair Bolsonaro seguiu dizendo que diplomatas estrangeiros não encontrariam “nada queimando ou sequer um hectare de selva devastada” na Amazônia. Essa linha de discurso esbarra na fragilidade do contexto brasileiro ondeo governo permite que a floresta siga queimando porque está alinhado aos pecuaristas e ao agronegócio, assim como a Bancada do Boi que leva à frente esses interesses no Congresso, e dessa forma sustenta contra os fatos um discurso que atribuí as críticas e denúncia ao desconhecimento internacional sobre a realidade brasileira.

A visita dos embaixadores estrangeiros se dá num momento em que os dados do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) acabam de mostrar que devido ao fogo de origem humana com objetivo destruidor, por meio do desmatamento, só na Amazônia houve o aumentou de 121% em outubro com relação ao mesmo mês em 2019, saiba mais aqui.

O dúbio discurso de Bolsonaro e Mourão, assim como essa iniciativa, não mudam a realidade brasileira onde sabe-se que pouco importa o impacto ambiental frente ao objetivo de garantir a realização da sede de lucros capitalista, que faz com que com aval do governo e por vezes por iniciativa própria dele sigam invadindo as florestes e vendendo as riquezas naturais - propriedade comum de todo povo brasileiro e dos indígenas que vem sendo vítimas no genocídio e das políticas indigenistas; para além do efeito devastador para vida humana provocado pela destruição dos biomas que é efeito direto das queimadas, para as quais Bolsonaro e Mourão fecham os olhos.

Em contrapartida, a preocupação ambiental dos governos estrangeiros em nada muda a lógica com que olham para a floresta amazônica ou o Pantanal brasileiro, já que disputam eles próprios sua parcela dessa riqueza que é da nossa classe ainda explorada, e que por anos foi escravizada para que esses países assumissem sua localização no topo da cadeia global, ocupando hoje o lugar de "primeiro mundo" enquanto o Brasil segue submetido aos mecanismo que ainda hoje os enriquecem, como o da dívida pública - gerido por governos golpistas como de Bolsonaro e Mourão, mas também por governos ditos de esquerda, como o do PT que durante os seus 13 anos de governo comemorou ser um um bom pagador desse mecanismo absurdo de dominação imperialista.

Exatamente por isso é preciso seguir lutando contra a demagogia do governo brasileiro numa perspectiva de Fora Bolsonaro, Mourão e os golpistas, através da organização dos trabalhadores e da juventude para enfrentar a crise capitalista que hoje é descarregada em nossas costas. Juntamente com o enfrentamento ao regime que hoje mantém de pé Bolsonaro e oferece saídas institucionais como os militares, representados por Mourão, dando continuidade a narrativa do golpe. Por isso defendemos uma saída independente da classe trabalhadora, que passe pelo questionamento ao regime através da luta por uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana que ao impor um governo dos trabalhadores possa também apontar uma saída para esse beco que ameaça a vida em nosso planeta.

Leia também: Depois que Bolsonaro assumiu os crimes ambientais ficam impunes no Brasil, diz Pablito




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