MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO

Em meio a cortes em universidades e IFs, MEC quer dobrar orçamento para escolas militares

Nas últimas semanas o MEC vem mostrando suas prioridades e qual seu projeto para a educação brasileira: enquanto deve cortar 1,4 bi de universidades e institutos em 2021, planeja dobrar as verbas destinadas para as escolas cívico militares.

quarta-feira 19 de agosto| Edição do dia

O governo Bolsonaro é repleto de militares e a cada dia abre mais espaço para saudosistas da ditadura, buscando um projeto de educação mais precário e repressivo. Isso ficou explícito com o fato de Bolsonaro encaminhar proposta ao congresso de um aumento R$ 5,8 bilhões no orçamento do Ministério da Defesa, segundo dados obtidos pelo O Estado de São Paulo. Se aprovada essa proposta as despesas com militares será maior do que com a educação no País, e será a 1º vez em 10 anos que o Ministério da Defesa receberá mais dinheiro que o Ministério da Educação.

O próprio MEC pediu um corte em seu orçamento para que mais recursos fossem direcionados ao Ministério da Defesa, responsável pelo pagamento de militares inativos que atuarão nas escolas.

As prioridades são nítidas: 1,4 bi de cortes para universidades e institutos, enquanto para escolas militares o orçamento deve dobrar. Esse já era um projeto que o ex-ministro olavista Abraham Weintraub levava em frente, que agora o Pastor Milton Ribeiro dá continuidade. Os gastos do MEC com as escolas cívico-militares deverão sair de R$ 54 milhões em 2020 para R$ 108 milhões em 2021.

Essa medida mostra a visão obscura deste governo que acredita que os problemas na educação podem ser resolvidos com o policiamento e militarização das escolas, uma suposta “disciplina” que na prática significa repressão física e ideológica dos alunos. Weintraub em 2019 chegou até a preparar uma cartilha para controlar as vestimentas, comportamento e cabelo dos estudantes de escolas militares.

A militarização não tem nada a ver com proteção das escolas. Alteram a gestão, retiram a tarefa pedagógica da mão de especialistas e a transfere às mãos de policiais, o que fortalece a perseguição política, coerção e vitimização de professores e estudantes. Não há pensamento livre sob as botas policiais que todos os dias mostram como lidam com as crianças nas favelas, como foi com João Pedro, Ágatha Felix, Maria Eduarda, Ketellen, Marcos Vinicius e tantas outras.

Para colocar uma saída que de fato busque colocar a educação como prioridade, devemos lutar contra os cortes no orçamento do Ministério da Educação e contra a imposição das escolas militares. O governo Bolsonaro e os militares mostram que não são uma saída e só buscam precarizar o ensino, por isso devemos lutar também pelo Fora Bolsonaro e Mourão, sem nenhuma confiança em setores que foram parte do golpe institucional de 2016 como o Congresso e o STF.

A UNE, entidade que representa os estudantes nacionalmente e é dirigida pela UJS, juventude do PCdoB, junto com setores do PT, ao invés de continuarem apoiando ataques como foi com a MP 936, que facilita as demissões em meio à pandemia que já tem mais de 110 mil mortes no país, deve cumprir o papel de assumir essa luta e organizar os estudantes para essa batalha.

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