RACISMO

Em live feita pela prefeitura de Búzios, palestrante vomita racismo e faz ‘black face’

Palestrante se fantasia de "homem negro" e utiliza fala racistas para ilustrar funcionários preguiçosos.

segunda-feira 26 de abril| Edição do dia

O palestrante Dalmir Sant’Anna fantasiado de “negro preguiçoso” em live da prefeitura de Búzios

A prefeitura de Búzios, no estado do Rio de Janeiro, pagou um palestrante para falar de volta às aulas aos professores em meio ao pior momento da pandemia de Covid-19. A live ocorreu na última quinta-feira (22).

O palestrante, Dalmir Sant’Anna, em um determinado momento da live veste uma máscara de “um homem negro” com cabelo black power ao som do tema da novela “Escrava Isaura” para ilustrar um comentário sobre quem “se queixa demais da vida”

“Lá vou eu trabalhar, trabalhar”, queixa-se o personagem, com voz grossa.

Sant’Anna, contratado pela prefeitura de Búzios e pelo “Instituto Conhecer”, não falou em momento algum da live sobre a crise sanitária ou das medidas necessárias para o retorno às atividades presenciais. Nada sobre a segurança dos professores e da comunidade escolar.

Ao invés disso, fez propaganda política do prefeito Alexandre Martins e culpou os servidores pelas “reclamações”, a “falta de motivação pessoal" e a “preguiça”.

Além disso, o racista contou uma “piada” sobre um menino que pergunta à mãe sobre as origens dos seres humanos. Ela responde que viemos de Adão e Eva e o garoto rebate que seu pai lhe disse que os humanos descendem “dos macacos”. A mãe responde: “Uma coisa são os parentes do seu pai. Outra coisa são os parentes da mamãe”.

O Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação do Rio de Janeiro, Sepe, divulgou uma nota sobre a live.

“Não consideramos o referido palestrante qualificado para abordar temas com relação à educação pública, visto que os exemplos dados foram de atendentes de loja que não tratam bem os seus clientes. Ressaltamos ainda que a abordagem em torno de tais profissionais também se deu de forma preconceituosa, uma vez que, inclusive se valeu dos trabalhadores mais precarizados para dar seus exemplos, como se um gerente de banco não nos tratasse mal, ou um chefe de governo, ou uma secretária, secretário, apenas os mais precarizados, segundo o exemplo do palestrante”, diz o texto.




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