Política

DISPUTA ENTRE PODERES

Em interrogatório a PF, Weintraub não fala e dá seguimento a disputa entre Bolsonaro e STF

Após as tensões ao redor do depoimento de Weintraub, em que STF e Governo se enfrentaram mais abertamente, o ministro da Educação acabou se encontrando com a PF, mas ficou calado, mantendo no ar que a disputa continua.

sexta-feira 29 de maio| Edição do dia

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, prestou depoimento nesta sexta-feira, 29, para explicar declarações contra o Supremo Tribunal Federal feitas em uma reunião ministerial. "Botava esses vagabundos todos na cadeia, começando no STF", disse Weintraub.

Weintraub não seguiu a linha anterior de enfrentamento mais aberto de não dar depoimento, mas ao não falar, confirma o acirramento das tensões entre os poderes. O carrasco dos estudantes de todo o país, que não perde uma oportunidade de descarregar seu ódio contra os povos oprimidos, os negros, mulheres e em especial fica evidente seu ódio aos povos indígenas, com um chamado ao extermínio na reunião ministerial.

Tentando se relocalizar na disputa dos bonapartismos, o STF tem aplicado as medidas coercitivas para conter o bolsonarismo e, assim, se alçar novamente como árbitro político autoritário, como foi no golpe de 2016 e protagonista, lugar que havia passado a ser protagonizado pelos ministros militares de Bolsonaro, em especial pelo general Braga Netto da Casa Civil, comandante do Gabinete de Crise. A disputa entre os poderes autoritários e sem voto na condução dos conflitos se mostra renovada.

O ministro da Corte, Alexandre de Moraes, viu indícios de prática de delitos como difamação, injúria e crime contra a segurança nacional e havia dado cinco dias para que ele prestasse depoimento à PF no âmbito do inquérito das fake news. Weintraub compareceu na condição de investigado.O ministro ficou em silencio.

O depoimento do ministro ocorreu pela manhã, na sede da pasta, antes mesmo de uma decisão do STF sobre o habeas corpus preventivo que pedia sua suspensão. No documento, assinado pelo ministro da Justiça, André Mendonça, argumentou que o colega de governo poderia sofrer limitação em seu direito de liberdade em consequência desse ato.

Os mecanismos dessas disputas políticas são um desfile de medidas autoritárias entre os bonapartismos, institucional e militar. O que emerge deste embate é uma escalada do poder autoritário do setores que não foram votados para decidir os rumos econômicos e políticos do país e da população. É mais e mais autoritarismo, tome ele as cores da Lava Jato ou de Bolsonaro e militares. Dia a dia exige-se mais independência da classe.

Chamamos a todos os setores das massas que querem derrubar Bolsonaro a avançar para gritarmos Fora Bolsonaro e Mourão, alinhando todos os setores da esquerda que concordam que Mourão não pode ser nenhuma alternativa, ao contrário, é uma abertura para um governo diretamente de militares, o que poderia ter consequências gravíssimas. O impeachment pode agora ser assumido até mesmo por Moro, a Globo e amplos setores do regime golpista, mas para abrir espaço para Mourão e pressionar os militares a se deslocarem do seu apoio à Bolsonaro e rifarem e assumirem o comando. Nossa batalha seguirá sendo: Fora Bolsonaro, Mourão e militares!
Nenhuma confiança nos governadores e no STF! O povo deve decidir: por uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana!




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