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Discurso Bolsonaro | Em discurso em SP, Bolsonaro ataca Moraes, STF, governadores e urna eletrônica

Em segundo discurso do dia, Bolsonaro ao lado de seus ministros repetiu as falas contra STF e governadores. Presidente discursou mais cedo também em Brasília.

terça-feira 7 de setembro | Edição do dia

Bolsonaro novamente discursou em manifestação pró-governo na tarde desta terça-feira, 7 de setembro. O primeiro discurso do dia havia sido em Brasília-DF, em manifestação de extrema direita, também contra o STF, ainda que sem nomear ministros.

O segundo discurso, na Av. Paulista, durante o reacionário ato da extrema direita que pede por intervenção militar e pela prisão dos ministros do STF, foi ao lado dos ministros Tarcísio Freitas (Infraestrutura), Bento Albuquerque (Minas e Energia), Augusto Heleno (GSI) e Luiz Eduardo Ramos (Secretaria-Geral da Presidência), Fábio Faria (Comunicações), Onyx Lorenzoni (Trabalho).

Bolsonaro elegeu novamente como centro de suas críticas o ministro do STF Alexandre de Moraes, que é responsável por investigar e determinar prisões de bolsonaristas. Bolsonaro foi mais ofensivo desta vez, colocando que “qualquer decisão do senhor Alexandre de Moraes, esse presidente não mais cumprirá. A paciência do nosso povo já se esgotou (…). Para nós, ele não existe mais”. (…) "[Só sairei] Preso, morto ou com vitória. (…) Eu nunca serei preso", ameaçando-o em relação aos próximos passos do inquérito que investiga o financiamento de atos contra as instituições.

Além de Moraes, Bolsonaro também foi ofensivo contra os governadores e as políticas de restrição de comércio que foram adotadas em alguns estados e cidades. O reacionário também aproveitou para novamente criticar a urna eletrônica e ameaçar a existência das eleições, mostrando que só aceitará o resultado se ele for o vencedor, ou seja, mais uma vez mostrando sua “inspiração” nas investidas trumpistas – que teve como ponto mais alto a invasão do Capitólio, em janeiro deste ano.

Mais cedo, no DF, Bolsonaro mencionou a criação de um Conselho da República, um órgão consultivo onde participaria o poder Legislativo e o Executivo, mas não o Judiciário – uma cartada política, que pode ou não ser bem-sucedida, para seguir sua pressão sobre o STF e especialmente mostra o ministro Moraes.

Leia mais: O que é o Conselho da República que Bolsonaro quer? Como isso afeta a crise?

Com um falso discurso de “defesa da liberdade de expressão”, Bolsonaro busca inflar a sua base aliada com a expressão nas ruas de um dia como hoje, mesmo este tendo sido menor do que o previsto e anunciado pelos setores governistas. Mas, ainda que menor que o esperado, o dia de hoje mostrou que Bolsonaro ainda tem capacidade de mobilizar sua base misógina, racista e golpista como ameaça diante dos próximos passos da crise política.

Diante de um governo, ainda que débil e reativo, mas em momento duramente ofensivo, é preciso que os trabalhadores, ao lado dos indígenas, das mulheres, dos negros e dos LGBTs se coloquem ofensivamente como um ator político capaz de alterar o cenário político atual, que é de disputa entre a direita e a extrema direita. A entrada da classe trabalhadora em cena poderia mudar o curso da crise.

É preciso repudiar veementemente o discurso golpista de Bolsonaro, mas, ao contrário de defender as podres instituições e a degradada democracia dos ricos que vivemos, onde STF, Congresso Nacional e os governadores estão lado a lado para implementar uma série de medidas que descarregam nas nossas costas ainda mais inflação, mais fome, mais desemprego e mais retiradas de direitos, é preciso defender a unidade dos trabalhadores e do povo pobre, unificando as parciais (porém importantes) lutas que estão acontecendo neste momento como parte de um plano de lutas, com paralisações e greves, para impor o recuo deste governo e sua corja de extrema direita.




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