Mundo Operário

RELATO DO 29M DIRETO DE MG

Em Contagem, Flávia Vale: “Dia de paralisação foi marcado pelas ações dos rodoviários e metroviários"

Apesar da grande disposição de luta e apoio que se expressou em amplos setores de trabalhadores da região metropolitana, com a paralisação dos transportes metropolitanos, as duas centrais governistas não levaram com toda a força as paralisações e mobilizações. Em Betim, por exemplo, a CUT retrocedeu e não realizou paralisação que foi votada pelos trabalhadores petroleiros.

Flavia Valle

Professora, Minas Gerais

sexta-feira 29 de maio de 2015| Edição do dia

Hoje desde o MRT estivemos em Contagem, por volta das 6hrs da manhã, iniciando esse dia de paralisação nacional, onde pode se ver que há grande apoio às iniciativas de luta entre a classe trabalhadora.

Estiveram presentes as centrais sindicais CUT, CTB e CSP-Conlutas, com cerca de 80 pessoas no total, carro de som e faixas. Fechamos o trânsito na Avenida Cardeal Eugênio Pacelli, na Cidade Industrial, que cruza as entradas de Contagem, Belo Horizonte e a rodovia BR 381.

Ao mesmo tempo em Belo Horizonte, motoristas de ônibus fecharam as principais Estações e Terminais Rodoviários que integram toda a região metropolitana de BH, como Vilarinho, Pampulha, Diamante e Barreiro. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário de Minas Gerais (STTR-BH) não há previsão de quando os ônibus voltarão a circular. Trabalhadores do Metrô - o qual só possui uma única linha que liga Contagem a Belo Horizonte - passando por cima de uma decisão do TRT que determinava que funcionassem em escala mínima, amanheceram de portas fechadas. Há tempos não se via uma paralisação unificada do transporte público na região metropolitana. Esse dia de paralisação foi marcado pelas ações dos rodoviários e metroviários

Além destes citados, diversas categorias de BH e da Região Metropolitana anunciaram paralisações. Setor técnico-administrativo da UFMG e Cefet, UMEI’s (Unidade Municipal de Ensino Infantil), CallCenter, Correios, os trabalhadores e trabalhadoras da saúde e da educação que já estavam em greve, entre outras categorias da região metropolitana.

As direções da CUT e da CTB já vinham anunciado em declarações que queriam fazer deste um dia em defesa do governo de Dilma. Por isso, no carro de som fizeram falas apenas contra Eduardo Cunha, mas nenhuma denúncia do governo Dilma e de suas medidas de arrocho, ajustes e demissões.

Apesar da grande disposição de luta e apoio que se expressou em amplos setores de trabalhadores da região metropolitana, com a paralisação dos transportes metropolitanos, as duas centrais governistas não levaram com toda a força as paralisações e mobilizações. Em Betim, por exemplo, a CUT retrocedeu e não realizou paralisação que foi votada pelos trabalhadores petroleiros.

Além disso, falam contra a PL 4330 sem citar que os governos de Lula e Dilma foram os principais responsáveis pelo grande crescimento da terceirização na última década. E agora, quando há um enorme processo de demissões acontecendo, serão os terceirizados os primeiros a serem demitidos. Por isso também as centrais governistas não falaram nada contra as demissões que estão acontecendo de forma intensa como não se via há décadas em MG.

Em todas essas atividades estavam presentes policiais, desde o início da manhã, na tentativa de desmobilizar os atos e intimidar os trabalhadores.

Atividades continuarão acontecendo hoje a tarde. Uma manifestação chamada por todas as centrais sindicais acontecerá hoje na Praça Afonso Arinos no centro de BH as 16hrs.

Nós do MRT, que somos parte da CSP-Conlutas, estamos participando para levar a bandeira de que é necessário construir uma terceira força dos trabalhadores, independente da direita e do governo anti-trabalhadores de Dilma do PT. Barrar as demissões e lutar contra o arrocho, os ajustes e o desemprego. Lutando pela divisão das horas de trabalho sem redução dos salários e reajuste automático dos salários de acordo com o aumento da inflação. Contra a terceirização defendemos a unidade de todos os trabalhadores, com a incorporação de todos os terceirizados como efetivos nos locais de trabalho.




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