Gênero e sexualidade

RUMO AO 8M

Em Campinas, venha marchar com o Pão e Rosas neste 8 de março!

Contra Bolsonaro, Doria e suas reformas, por justiça a Marielle e pelo direito ao aborto legal, seguro e gratuito, nosso bloco estará nas ruas no próximo sábado.

Pão e Rosas

@Pao_e_Rosas

quinta-feira 5 de março| Edição do dia

Neste segundo ano do governo Bolsonaro, o 8 de março ocorrerá em meio a escalada reacionária de Bolsonaro que conclamou, nas últimas semanas, a sua base contra as liberdades democráticas chamando uma manifestação para o dia 15 de março. No estado de São Paulo o governador João Doria(PSDB) também deixou explícito seu reacionarismo com aprovação da reforma da previdência estadual em base a uma truculenta repressão aos servidores públicos, principalmente, das professoras. Enquanto a tropa de choque disparava bombas, balas de borracha, spray de pimenta e batia descaradamente nas professoras, Doria aprovava a reforma com um discurso reacionário e com a compra de deputados. Foram liberados nesse mesmo dia 6 milhões de reais em verbas suplementares para os deputados.

A reforma da previdência, que recai diretamente na vida das mulheres negras, que já sofrem com as jornadas duplas e triplas e que terão suas condições de vida e trabalho ainda mais afetadas, também está sendo aprovada em outros estados por partidos da ordem. Não somente o PSDB, como ocorreu nessa terça-feira no estado de São Paulo, mas também pelo próprio PT como acontece no Rio Grande do Norte e na Bahia. Ademais dos outros estados que o partido governa no nordeste que já aprovaram a reforma e do Maranhão que é governado pelo PcdoB.

Nós, do grupo de mulheres Pão e Rosas, vemos que o 8 de março, dia histórico de luta das mulheres, é essencial para batalharmos por uma vida plena de sentido. Para tanto vemos com centralidade a unidade com o conjunto dos trabalhadores, os LGBTs, os negros e a juventude. Dessa maneira e com a estratégia consequente, que não se limite ao parlamentarismo, mas que tenha como foco a autoorganização pela base desde os locais de trabalho e estudos, superando as entidades burocráticas, é que teremos força para derrotar os ataques de conjunto a classe trabalhadora e juventude. Neste 8 de março, as mulheres precisam fazer ecoar em todo o país um grito independente contra todo projeto reacionário e privatista de Bolsonaro e Doria pela potência da nossas mobilizações nas ruas.

Não temos dúvidas que Bolsonaro e a direita são nossos inimigos, principalmente das mulheres trabalhadoras e negras, como já demonstrou com a Reforma da Previdência, com as campanhas reacionárias de Damares para reprimir a sexualidade, e com medidas como a extinção do orçamento para as políticas contra a violência às mulheres.

Nas reuniões de organização do 8M que participamos o grupo de mulheres Pão e Rosas batalhou para que nesse 8M lutemos por pautas históricas do movimento de mulheres como a legalização do aborto, mas também que seja linha de frente na luta contra os ataques de Bolsonaro e das reformas. É absurdo que uma mulher morra a cada dois dias no Brasil por abortos clandestinos, como mostra esse dado da Confen (Confederação Federal de Enfermagem) de 2018. Neste mês também completam 2 anos do brutal assassinato da Marielle Franco e do seu motorista Anderson, e até hoje não sabemos quem mandou matar Marielle, a luta das mulheres deve ser também por Justiça a Marielle e por uma investigação independente.

Em Campinas, onde já tivemos vereadores repudiando Simone de Beauvoir e tantas outras pérolas reacionárias, o vereador Edson Ribeiro, do PSL, nesta semana teve a pachorra de declarar, frente a reivindicação justa por mais creches, que as mulheres querem deixar os filhos nas creches para "ficar fofocando". Um disparate completo vindo de um político privilegiado se achando no direito de menosprezar e desrespeitar a realidade de toda mulher trabalhadora, que enfrenta exploração e opressão e necessita das creches para poder trabalhar e sustentar seus filhos. Uma questão elementar para as mulheres mães. É importante também destaca que Jonas, prefeito de Campinas e presidente da Frente Nacional de Prefeiros, também quer aprovar a reforma da previdência municipal e está se articulando para aprovação da mesma a qualquer custo. Trata-se do principal articular a nível nacional de aprovação da reforma nós municípios.

Campinas também vive na pele a realidade de bárbaros feminicidios e de violência contra a mulher. Não esquecemos o feminicídio de Isamara, o coração da travesti Quelly arrancado com um caco de vidro e tantas outros casos escandalosos que amargamente tivemos em nossa cidade. Essa semana fomos tomadas pela notícia de um homem que jogou gasolina e ateou fogo em sua companheira durante uma festa de casamento no bairro Santa Maria, na região de Viracopos. Não aceitamos nem uma a menos!

A realidade de mortes, ataques, reformas e avanços autoritários não nos coloca um cenário fácil. Mas se o chamado de Bolsonaro, que se apoia nas Forças Armadas e busca fazer avançar o poder das milícias e das forças repressivas no país, não é energicamente respondido com organização e luta em cada local de trabalho e estudo, com a força das mulheres, seu reacionarismo terá maior poder para seguir promovendo crescentes ataques à já degradada “democracia dos ricos", usando isso para acelerar as reformas que vêm sendo aprovadas pelo Congresso ajustador e os ataques à educação.
As mulheres atacadas pelo projeto golpista, pela precariedade do trabalho em aplicativos, com duplas e triplas jornadas e que morrem por abortos clandestinos nesse 8 de março podem e devem ser parte de fazer ecoar a continuidade da batalha dos petroleiros e armar o conjunto da oposição de forma independente das forças que nos atacam. É com a força das mulheres que podemos contar. Com a força das petroleiras que fizeram uma importante greve contra as demissões na Fafen e o projeto privatista de Bolsonaro. Com a força das professoras que se enfrentaram contra a tropa de choque de Doria para impedir a aprovação da reforma da previdência estudual de São Paulo. É com essa moral, sem confiança nas burocracias sindicais e estudantis, sem manobras parlamentares e jurídicas que conseguiremos impor uma derrota aos governos que querem descarregar a capitalistas em nossas costas.

Nós do Pão e Rosas somos trabalhadoras, trabalhadores e estudantes, que lutam pela revolução. Vamos ao 8 de Março de maneira independente para enfrentar a extrema-direita, sem rebaixar nossas bandeiras históricas. Somos feministas socialistas, porque temos um compromisso inegociável com as revolucionárias que nos antecederam, lutamos incansavelmente pela libertação das mulheres, batalhamos pelo direito ao Pão e também às Rosas. Vem construir essas batalhas com a gente!

O ato será no dia 7 de março, em Campinas, às 9h no Largo do Rosário




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