ARTE E CULTURA

Elza Soares e a necessidade de acabar com o planeta fome

Mulher, negra, cantora, mãe, expulsa do Brasil na ditadura: uma voz que canta fortemente para a liberdade não só dela mas de todas as pessoas que também sofrem pelas mazelas desse sistema. Uma breve exposição expelida com anos de admiração e encanto à flor da pele. Mas que hoje, ao conhecer mais de sua história e diante da necessidade de refletir sobre ela, escrevo aqui.

domingo 4 de abril| Edição do dia

Foto: Marcos Hermes

Elza que na época da ditadura, recebeu de baixo da porta de sua casa um bilhete falando para sair do país dentro de 24 horas, e assim foi para a Itália, onde morou por 4 anos com Garrincha. Já a sua casa aqui: metralhada e seu segurança particular atingido. Evidencia profunda do quanto a sua vida, falada através das músicas, incomodava os ratos dos porões da ditadura. Que com medo do peso do racismo que a população carrega todo dia se revirar contra eles, aprofundavam as perseguições aos negros, através da ditadura da época, aos quais submetido aos interesses da burguesia norte americana aqui aprofundavam o Brasil como quintal do imperialismo, tendo como pilar o racismo, as opressões para explorar ainda mais tantas mulheres. Muitas destas que como Elza não achavam digno se satisfazer com o agradecimento a Deus do pão duro para enganar os estômagos vazios da família de uma lavadeira (sua mãe) no Rio de Janeiro enquanto as casas para as quais trabalhava eram regadas de banquete. Assim ela não hesitou em ir ao programa de música "Calouros em Desfile", na Rádio Tupi, para testar a última alternativa de ganhar dinheiro para pagar a comida e tratamento de saúde do filho. Indo ao programa, que desde as perguntas inconvenientes do apresentador, as risadas da plateia carregava o racismo, naquela época mais recente das heranças escravocratas, foi pontualmente questionada pelo apresentador, que não hesitou em responder, juntando o seu ódio, a necessidade de ganhar dinheiro e plena a confiança de que tinha muito o que cantar, com a pergunta racista feito por Ary Barroso: “de que planeta ela via?” , respondeu: “Do mesmo planeta que o senhor, do planeta fome".

Numa crise sanitária, econômica por consequência do capitalismo, o Brasil volta cada vez mais ao país da fome, ver as entrevistas, shows de Elza é um chamado a nos sacudir para quanto a força de Elza Soares vai muito além das músicas. Ela é uma demonstração sem romantização de ser uma nadadora contra maré, num grito de basta de racismo, machismo, pobreza, doenças etc, que expressa a sua inquietude diante das contradições desse sistema. Que ainda hoje os herdeiros da ditadura temem, como vemos com o uso crescente das perseguições a oposição a Bolsonaro por meio da lei de segurança nacional. Ao contrário do que os capitalistas querem nos fazer acreditar, não só Elza que com a arte se expressa profundamente, milhares de mulheres e negras se questionam todos os dias e, colocam seu corpo na linha de frente da batalha de levar no dia a dia, em suas ações esses questionamentos.

É com emoção transbordando que me levanto para tentar organizar esses pensamentos que escrevo aqui. E junto a isso, e na luta aos lados dos companheiros e companheiras do Pão e rosas e MRT, aguardo e chamo a todes para fazer o curso do Mulheres Negras e Marxismo. Para através do Marxismo Revolucionário entendermos profundamente o que Elza tanto expõe em suas músicas: sobre como as relações do racismo com o machismo e exploração capitalista, recai pesadamente, principalmente, sobre as mulheres negras. Esse curso faz um convite para irmos mais além: a partir dessa compreensão como nos organizar junto as mulheres, negras, LGBTs e todos os trabalhadores, para por fim a todas essas mazelas. Para que assim, o planeta fome seja extinto e possamos dar lugar ao planeta livre dessas amarras pelo qual Elza tanto canta e que a nossa classe é a única capaz de conquistar.

“Eu vou cantar até o fim
Eu sou mulher do fim do mundo
Eu vou, eu vou, eu vou cantar, me deixem cantar até o fim”




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