JUSTIÇA POR EMILY E REBECA

"Eles só sabem fazer isso, dar tiro" diz mãe da menina Emily, morta pela polícia no RJ

"Eles só sabem fazer isso, dar tiro. Olhou, dá tiro. Quando percebi, eu só peguei o documento. Porque eu já sabia, minha filha já estava estirada."

segunda-feira 7 de dezembro de 2020| Edição do dia

Foto: Aline Cavalcante / Agência O DIA

domingo, 06, ocorreu um ato em Duque de Caxias no Rio de Janeiro que exigia justiça por Emily e Rebeca, duas meninas negras, primas, de 4 e 7 anos, que foram alvejadas pela polícia enquanto brincavam no portão de casa.

O ato reuniu moradores do bairro, familiares das meninas e entidades e movimentos sociais. Os moradores reafirmam que não havia nenhum confronto ou operação policial antes das meninas serem alvejadas, contra a versão da polícia que nega até mesmo que os policiais tenham atirado nas meninas.

Ana Lúcia Silva Moreira, mãe de Emily Victoria que iria completar 5 anos daqui duas semanas e foi enterrada com o vestido de sua festa, disse ao G1:

"Eles só sabem fazer isso, dar tiro. Olhou, dá tiro. Quando percebi, eu só peguei o documento. Porque eu já sabia, minha filha já estava estirada. A minha filha levou tiro de fuzil na cabeça. A minha filha já estava morta. A minha sobrinha deu tempo de correr e morreu ao lado da caixa d’água da mãe dela. Os moradores estão comigo. Não é vereador, não é prefeito, não é governador. São os moradores".

O pai de Emily, que é pedreiro e ajudou a enterrar a filha e a sobrinha com as próprias mãos, também declarou:

"É isso aí que a gente leva, ó. Duas crianças, minha filha, minha sobrinha. Tô acabando de enterrar, isso fica aí pra comunidade, pros governadores".

A avó da menina Rebeca, Lídia Santos, também declarou contra a versão da polícia: "Estava chegando do trabalho e saltei do ônibus. Eu escutei no mínimo dez disparos. O ônibus passou e a blazer estava parada e deu aquele arranco para sair. Ele parou em frente à rua e simplesmente efetuou os disparos".

Cláudio Castro, o atual governador do Rio de Janeiro, declarou demagogicamente solidariedade com as famílias de Emily e Rebeca, chegou a dizer que os policiais estavam "exercendo sua missão" e comparou a morte das meninas com a morte dos policiais.

Essa é uma clara tentativa de tentar encobrir a enorme violência racial policial que acontece em todo o país, e mais ainda no Rio de Janeiro, onde cada governo que entra, tem suas mãos mais sujas do sangue negro. Violência que se aprofunda diante do governo ultra racista de Bolsonaro.

Nós do esquerda diário nos solidarizamos com as famílias de Emily e Rebeca nos comprometendo a seguir na luta por justiça, contra a violência policial, o racismo e o capitalismo.




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