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Eleições no Peru

Eleições peruanas: acusações de fraude em meio à vantagem de Castillo

A revisão das atas chegou a 96%, com 50,3% dos votos para Pedro Castillo e denúncias insistentes de “fraudes sistemáticos” de Keiko Fujimori, que há poucas horas aparecia nos comícios dançando comemorando a própria vitória. A mídia anuncia que as eleições podem durar semanas, com aumento do valor do dólar em plena contagem de votos, chegando a uma alta histórica de 3,49 soles peruanos e Castillo fazendo juras ao pagamento da dívida pública.

terça-feira 8 de junho| Edição do dia

Assim que os locais de votação foram fechados no domingo, a empresa Ipsos divulgou os resultados de boca de urna, anunciando a vitória de Keiko Fujimori, o que se reverteu quando começaram a ser contabilizados os votos rurais e da zona da selva. Agora, estão contados 99% dos votos no Peru e faltam ser contados os votos do exterior, a ONPE (Oficina Nacional de Processos Eleitorais) pede paciência, enquanto Fujimori encurta sua distância de Castillo de 98.000 votos para 86.875 votos.

Keiko Fujimori (Fuerza Popular) é herdeira direta do fujimorismo, mas com a polarização política peruana, inclusa a revolta da juventude que impôs as atuais eleições, se viu obrigada a passar a campanha jurando pela democracia. Este juramento em nome de Deus aconteceu no último sábado, acompanhada por um golpista venezuelano, Leopoldo López e com o apoio de Mario Vargas Llosa, que já foi rival e perseguido pelo pai de Keiko, o ditador Alberto Fujimori, mas o autor novamente se encontra ao lado da ordem burguesa, já tendo apoiado Iván Duque, Sebastian Piñera e a coroa espanhola.

No movimento de mulheres, é rechaçada a tentativa de Keiko Fujimori de se apropriar dos movimentos de mulheres que lutam contra os feminicídios, que também lutam por justiça pelas esterilizações forçadas que ocorreram por dentro do Programa Nacional de Saúde Reprodutiva e Planificação Familiar do governo de Alberto Fujimori, coisa que Keiko chega a negar a existência.

Para compreender o fenômeno eleitoral de Pedro Castilla é necessário retornar à gigantesca crise de representatividade na qual o regime peruano está inserido, no qual o rechaço à corrupção é massivo e encontra políticos milionários cujos esquemas foram revelados pela Lava Jato e outros mecanismos judiciais, um judiciário igualmente metido na lama e que no ano passado provocou manifestações massivas da juventude no colapso sanitário praticamente contínuo, quando manifestantes perderam suas vidas.

Os resultados de Castillo são resultados distorcidos dos anseios de setores massivos da população que não caíram na operação midiática que rememoram o terrorismo dos anos de Sendero Luminoso, anseios que Castillo não será capaz e não tem interesse em garantir, já que passou toda sua campanha em juras de fidelidade para a burguesia. Eixos econômicos defendidos anteriormente foram desaparecendo das defesas de Castillo, ao ponto de garantir também que não cobrará impostos às riquezas, seu discurso indigenista e de vinculação aos setores camponeses, aos setores populares urbanos e ao professorado não o exime de garantir os lucros empresariais e propor uma tímida reforma constitucional.

Pedro Castillo também garantiu que manterá o aborto criminalizado, este direito mínimo das mulheres e pessoas com útero de garantirem o direito ao próprio corpo que assassina as mulheres indígenas e pobres no Peru não será garantido, assim como não garantirá o direito o casamento igualitário.

Para conquistar os direitos pelos quais a classe trabalhadora, mulheres, indígenas e movimentos sociais peruanos tanto anseiam, será necessário batalhar na luta de classes. Keiko Fujimori quer aprofundar as políticas de exploração e saque, enquanto Castillo já cede. É necessário derrotar o regime fujimorista de 93 por meio da luta e organização da classe trabalhadora e do povo e não depositar esperanças ou ilusões em Castillo, como faz a própria esquerda brasileira.




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