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Metrô de SP | Eleições no Sindicato dos Metroviários de SP: grande batalha contra a burocracia sindical

terça-feira 19 de julho | Edição do dia

Nos dias 28/8 a 2/9 haverá votação para eleger a nova diretoria do Sindicato das Metroviárias e Metroviários de SP. Diante da necessidade de fortalecer a nossa organização de base de forma independente da empresa e de qualquer governo que seja eleito, enfrentar os ataques da extrema direita bolsonarista, da direita tucana e as batalhas futuras, o que está em jogo é se a burocracia sindical da CTB/PCdoB-PSB e CUT/PT (e agora, a mais vergonhosa novidade, a UP) estarão dirigindo sozinhos a diretoria do sindicato ou não. Frente a esse novo cenário, batalhamos pela unidade da esquerda contra a burocracia sindical e para fortalecer uma perspectiva de independência de classe, da mais ampla democracia em nosso sindicato e pela unidade com os terceirizados, as demais categorias e a população.

A necessária unidade da esquerda para derrotar a burocracia sindical

Essas eleições em nosso sindicato se darão em um momento em que é uma necessidade para nossa classe encontrar um caminho para enfrentar e derrotar a extrema direita bolsonarista que veio massacrando a nossa classe nos últimos anos, e também a direita tradicional e os governos que nos estados aplicaram ataques contra os trabalhadores, como fez o tucanato com Doria aqui em SP.

Ao mesmo tempo, as direções das principais centrais sindicais do país, em especial CUT/ PT e CTB/PCdoB-PSB, impediram que os trabalhadores pudessem se organizar e lutar, deixando passar ataques profundos como as reformas da previdência e trabalhista, e mantendo os trabalhadores desmobilizados durante a pandemia enquanto aumenta a fome, a inflação, o desemprego. E na nossa categoria isso também se deu, uma vez que essa mesma burocracia, que é a Chapa 1, ala majoritária de nosso sindicato até agora, também atuou como freio das nossas lutas, chegando a defender que aceitássemos a retirada de direitos, arrocho salarial e os ataques da empresa no ano passado. Mas nossa categoria deu importantes respostas à patronal, ao governo e à burocracia, sendo vanguarda na luta contra os ataques, como nas paralisações de 2017, 2018 e 2019, e nos últimos anos de pandemia também não aceitando a retirada de direitos, mostrando que a mobilização é o caminho.

Por isso, para lutar contra os ataques da extrema direita e do PSDB, e garantir que os trabalhadores controlem o sindicato como instrumento de luta e organização da nossa classe, é preciso impedir a tentativa da burocracia sindical da atual Chapa 1 (formada pelo PCdoB, PT e PSB, o partido de Alckmin) de controlar sozinha a diretoria do nosso sindicato. Isso considerando que a diretoria não será mais proporcional e sim majoritária, ou seja, a chapa que obtiver o maior número de votos é a que estará sozinha à frente do sindicato.

Foi por tudo isso que nós, que nas eleições passadas apresentamos a Chapa 4 - Nossa Classe, chamamos as organizações de esquerda e trabalhadores que formaram e apoiam as Chapas 2 (integrada por PSTU/CST/LS/MES) e 3 (Resistência e outros ativistas do PSOL) a agora construirmos uma chapa unificada da esquerda, que está se conformando para enfrentar a burocracia e fortalecer nossa luta contra a empresa e os governos. E chamamos também a Unidade Popular-Movimento Luta de Classes, que se juntou ao PT, PCdoB e ao PSB entrando na Chapa 1, a romper com essa política vergonhosa que só fortalece a burocracia e enfraquece a luta dos trabalhadores, e se juntar à chapa unificada da esquerda que defende um sindicato democrático, controlado pelos trabalhadores, a serviço da luta e com independência de classe.

Uma importante conquista: um programa programa de independência de classe para a chapa unificada

Consideramos de extrema importância o programa de unidade que conseguimos aprovar em nossa chapa unificada. Com pontos como a defesa de nossa mobilização independente como caminho para derrotar os ataques de Bolsonaro e do PSDB e contra a conciliação de classes. Pela defesa de um sindicato independente dos patrões e de qualquer governo que seja eleito, e a exigência às principais centrais sindicais, como CUT e CTB, para que construam a mobilização unificada da nossa classe. Pela defesa da democracia em nosso sindicato, com assembleias democráticas onde a base possa falar e colocar propostas em votação, além do cumprimento da rotatividade dos diretores sindicais liberados. A muito importante defesa da aliança com os terceirizados, lutando pela efetivação de todos que já estejam trabalhando, sem a necessidade de prestarem concurso público, e por iguais direitos e salários. E o fortalecimento das secretarias de Mulheres, de Negras e Negros e LGBT de nosso sindicato, na perspectiva de fortalcer a luta contra a opressão e exploração - que nós da Chapa 4, que nos orgulhamos de ter sido a chapa com maior proporção de mulheres, viemos buscando fortalecer também através de medidas como a criação das subcomissões de mulheres nas CIPAs.

É em torno desses pontos programáticos que sairemos com uma chapa unificada que pode derrotar a burocracia sindical. E para nós isso tem um imenso valor, pois contempla muitos pontos pelos quais viemos lutando enquanto Chapa 4 - Nossa Classe em nosso sindicato.

Os debates para conformação dessa chapa unificada

Desde o início da construção da chapa unificada, defendemos que a forma mais democrática de construir essa unidade e esse programa seria uma convenção programática, que pudesse reunir todas e todos que quisessem apoiar, construir e fazer parte da chapa, para debater amplamente e votar todo o conteúdo que iríamos defender. Assim como definir nessa mesma convenção a composição e quem será cabeça dessa chapa (candidato(a) a presidente do sindicato).

Lançamos o nome de Fernanda Peluci como candidata à cabeça de chapa, em defesa de uma convenção programática e também por um programa de independência de classe e de pontos que sempre lutamos como Nossa Classe. Sua candidatura teve apoio de um importante setor da vanguarda da categoria.

As demais correntes e setores que participam da composição dessa chapa unificada infelizmente não aceitaram essa proposta de convenção programática democrática, e se definiu que a composição da chapa e candidatura à presidência do sindicato seriam decididos em eleições prévias.

Diante desse cenário e de uma disputa de cabeça de chapa em que também estão concorrendo os companheiros Narciso (PSTU/Chapa 2) e Camila (Resistência-PSOL/Chapa 3), decidimos por retirar o nome da Fernanda e chamar todos os nossos apoiadores a votarem no nome de Narciso nos dia 19 e 20/07 para ser candidato a presidente de nossa chapa unificada. Chegamos a um acordo sobre os pontos de programa que defendemos juntos para nossa chapa unificada. E unimos forças entre setores das Chapas 2 e 4, que nacionalmente defendem a independência de classe para enfrentar a direita, sem seguir a política de conciliação de classes do PT com nosso inimigo Alckmin. E essa é a candidatura que melhor pode representar o programa da nossa chapa unificada, já que ao mesmo tempo seguem as discussões políticas com setores como a Resistência/PSOL que são parte desse programa, mas que nacionalmente defendem uma posição que não é consequente com ele, ao apoiar a política do PT em aliança com Alckmin.

Por sindicatos independentes do Estado, pela democracia operária e contra corporativismo!

Nossa intervenção nesse processo de conformação de uma chapa unificada também reflete outras batalhas que viemos dando como Chapa 4 Nossa Classe, que também condensam posições que nós do MRT defendemos em todos os locais de trabalho em que estamos, buscando contribuir para o avanço da consciência e da luta dos trabalhadores, com a mais ampla democracia operária e independência dos sindicatos em relação ao Estado, e combatendo o corporativismo.

Para que sejam os trabalhadores que decidam realmente, que controlem o sindicato, como foi nossa batalha pelas assembleias democráticas nos últimos anos durante a pandemia. Com ampla liberdade de tendências e condições para que estejam representadas em todos os espaços. Pela rotatividade dos diretores sindicais liberados, uma importante conquista do nosso último congresso. E também na luta política contra o governo, contra o judiciário e todas as instituições do regime e seus representantes.

Isso se liga à batalha pela unidade das fileiras operárias, contra a divisão entre efetivos e terceirizados, com a aprovação da defesa da efetivação de todos os terceirizados sem necessidade de prestar concurso público. Também pela aliança com a população, ou seja, não como sindicalistas defensores somente dos interesses de uma categoria, mas defendendo respostas às necessidades do conjunto dos setores explorados e oprimidos. E também a unidade com outras categorias, como quando defendemos a unificação dos trabalhadores dos transportes, e por um comando de mobilização unificado, ou que a greve do metrô fosse no mesmo dia da primeira grande paralisação dos entregadores de aplicativo. Esses são temas de máxima importância para nós, e mais ainda porque nossa categoria detém uma posição estratégica, ou seja, onde uma greve nossa pode afetar a circulação de milhões de pessoas por dia e a produção de outros locais de trabalho. O que nos permite poder atuar como uma alavanca para potencializar a força de toda a classe e sua capacidade de conduzir a luta de todos os oprimidos.

Em todos os casos buscamos atuar a partir dessas ideias que apontam um caminho para que os sindicatos possam ser instrumentos a serviço da luta revolucionária da nossa classe contra o capitalismo. E é como parte disso que nós do MRT, junto às companheiras e companheiros do Movimento Nossa Classe, buscamos fortalecer a nossa categoria e agora também a construção dessa chapa de unidade da esquerda contra a burocracia sindical.




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