×

MOVIMENTO ESTUDANTIL USP | Eleição de representação discente na USP: arrancar nossas demandas sem ilusão no Conselho Universitário

Nesta segunda-feira, 05, acontecem as eleições para Representantes Discentes (RDs) no Conselho Universitário da USP. Nós, da Faísca, defendemos que essa representação deveria ter sido discutida amplamente com todes, fortalecendo o Movimento Estudantil e discutindo programaticamente a serviço do que está essa representação discente neste espaço tão antidemocrático e elitista como o Conselho Universitário.

segunda-feira 5 de julho | Edição do dia

Hoje, 05, acontecem as eleições para Representantes Discentes (RDs) no Conselho Universitário da USP, em que todos os estudantes da Universidade podem votar virtualmente.

Nós da Faísca, viemos defendendo a importância deste tema ser tratado e decidido conjunta e democraticamente por todes estudantes da USP em um espaço deliberativo de assembleia, posição que defendemos no último CCA (Conselho de Centros Acadêmicos da USP), ocorrido no dia 26 de junho.

É importante ter em mente o que significa o Conselho Universitário e a representação discente neste espaço. Esse órgão, extremamente elitista e antidemocrático, concentra professores titulares que há décadas não dão aula e possuem supersalários, representantes de empresas privadas que têm interesses na produção científica e acadêmica para lucrar mais, dentre outras figuras que compõem a chamada burocracia universitária e que, juntamente com o reitor - que diga-se de passagem, é escolhido a dedo pelo governador de São Paulo - definem os rumos da Universidade por fora das demandas e interesses dos três setores que verdadeiramente mantêm a USP de pé: estudantes, professores e funcionários.

A verdade é que a representação destes três setores, especialmente de estudantes e funcionários, é ínfima, escancarando o quão antidemocrático é esse espaço e todas as decisões tomadas nas reuniões realizadas, que visam debater projetos privatistas que atendam os interesses de grandes empresas, lado a lado ao projeto de educação do governo de São Paulo, há décadas a mando do PSDB.

Para debater a representação discente neste espaço é fundamental não ter ilusões e denunciar o caráter do Conselho Universitário, pois qualquer representação dos estudantes deve ter bastante claro que não será nestas reuniões e com a burocracia acadêmica que iremos arrancar nossos direitos que gradual e anualmente tentam retirar e sucatear.

A representação dos estudantes deve estar a serviço de denunciar e enfrentar a estrutura de poder antidemocrática, e fortalecer a luta dos trabalhadores e estudantes a partir da sua autoorganização. A reitoria se utiliza deste espaço antidemocrático para aplicar os ataques, desde o EaD que vemos hoje, que foi implementado de forma autoritária até colocar 340 mi em reserva de emergência em meio a um sucateamento enorme da universidade com estudantes tirando a própria vida.

Por isso a importância da representação discente ser construída em base à unidade entre os estudantes, os funcionários e os professores, que aposte na auto-organização destes setores. E por isso, nós da Faísca viemos apontando como, diante da pandemia e a ausência de eleições para DCE, quando tradicionalmente se realizam as eleições de RDs para o Conselho Universitário, é muito mais democrático que se escolham os representantes dos estudantes em base a discussões realizadas em assembleia para todes poderem opinar, discutir e definir o papel dos RDs e os rumos e necessidades do Movimento Estudantil da USP.

Isso seria muito mais democrático do que a resolução definida pela atual direção do DCE (PT, PCdoB e Levante Popular da Juventude) e outras correntes políticas da esquerda (PSOL e PCB) que conformaram uma “chapa da unidade estudantil” discutida a portas fechadas entre eles, se baseando nas eleições do DCE ocorridas a fins de novembro de 2019, e deixando de fora duas gerações de calouros ao se valer do resultado daquelas eleições para definir proporcionalmente a distribuição dos cargos de RDs entre as chapas e tais movimentos políticos que participaram daquelas eleições.

Mais espaços deliberativos e democráticos como são as assembleias para que todes possam discutir os rumos do movimento estudantil, os programas e caminhos a seguir são fundamentais, ainda mais diante da conjuntura política que vivemos, de ataque à educação por parte do governo Bolsonaro nas Universidades e Institutos federais. Assim como ataques do PSDB no governo do Estado que, junto à reitoria da USP tenta aprovar novo Estatuto de Conformidades da USP que significa um avanço na repressão e perseguição contra trabalhadores, professores e estudantes que lutam, mantendo resquícios dos regimentos feitos durante a Ditadura Militar.

Devemos apostar na mais profunda unidade entre estudantes, professores e funcionários da Universidade de São Paulo, das estaduais e federais, debatendo nacionalmente também os rumos, papéis e desafios do Movimento Estudantil diante do momento em que vivemos.

A representação discente num espaço antidemocrático como o Conselho Universitário deve estar a serviço de defender as demandas estudantis sem ilusão na estrutura de poder herdeira da ditadura que nunca levou em conta nossa opinião, pelo contrário. Por isso a importância de uma representação democrática que fosse debatida entre todes, fortalecendo nossa organização, se enfrentando com essa estrutura de poder, defendendo o fim da reitoria e do Conselho Universitário, e que o controle da universidade esteja nas mãos dos estudantes, professores e funcionários, proporcionalmente ao peso de cada um destes 3 setores, por isso nós da Faísca batalhamos também por uma nova Estatuinte livre e soberana. Defendendo esses pontos programáticos será possível fazer com que a USP esteja a serviço dos trabalhadores e de toda a população pobre e não de privilégios de uns poucos burocratas e empresários que querem sucatear e privatizar a Universidade de São Paulo.




Comentários

Deixar Comentário


Destacados del día

Últimas noticias